
Há alguns anos entrei no site do Grupo Gay da Bahia (GGB) e fiquei surpreso com algumas imagens de cervos ou veados que havia na página. Eram imagens animadas (GIF’s) que mostravam esses animais saltitando de um lado a outro. Aquilo me chocou. Também me incomodou muito. As perguntas que se repetiam na minha mente eram: “Como um grupo que defende os direitos dos homossexuais pode nos expor a uma situação tão ridícula? E por que acatar essa figura que a sociedade usa para representar os gays de forma tão pejorativa?”
Hoje reconheço que parte do meu espanto e do meu incômodo aconteceu porque não lidava direito com a minha homossexualidade. Até aceitava que alguém se referisse a mim como homossexual, gay, mas “viado”, “bicha”, “baitola”, ainda eram termos que incomodavam demais.
Com o tempo amadureci e me dei conta de que o problema não estava no termo usado, mas no modo como eu o encarava. Aprendi que não importa o nome de que me chamem, seja “frutinha”, “boiola”, todos eles representam o que eu sou. E eu me orgulho e muito do que sou, da minha condição, da minha orientação sexual e de tudo que está atrelado a ela. Quando alguém me chama de pederasta ou o que o valha, penso logo: talvez estejam querendo dizer com isso que sou sensível, que me sensibilizo com os sentimentos alheios; talvez queiram falar que não sou violento, que sou carinhoso, meigo; podem estar querendo dizer também que faço amizade fácil com as mulheres e me dou super bem com elas como muitos homens não conseguem fazer; quem sabe podem estar querendo dizer que sou apegado à minha mãe e à minha família; ou ainda podem estar querendo afirmar que sou capaz de amar um igual, que sou forte o suficiente para romper preconceitos, encarar vários obstáculos e ser feliz.
Quando tirei do meu coração e do meu ombro o peso negativo desses termos, o meu modo de encarar o mundo mudou. Inventem a palavra que quiser, em qualquer tom de voz, ela ressoará sempre de forma positiva, porque é assim que me sinto quanto ao que sou, quanto à minha forma legítima e genuína de amar.