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	<title>Núcleo UNISex &#187; Paulo Duarte</title>
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	<description>Universalidade e Diversidade Sexual</description>
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		<title>Não é preciso ser diferente para ser gay, mas podemos ser.</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jun 2011 16:08:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Duarte</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#160; Em um texto para Folha de São Paulo,  com o título: Não é preciso ser diferente para ser gay, Alexandre Vidal Porto faz algumas considerações sobre as paradas gays, em particular a de São Paulo. Destaco alguns trechos abaixo que, acredito, podem conduzir à um raciocínio equivocado: &#8220;[1] Os homossexuais podem se tornar invisíveis. É só [...]]]></description>
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<p>&nbsp;</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-642" title="bandeira" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2011/06/bandeira.jpg" alt="" width="583" height="270" /></p>
<p>Em um texto para <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/indices/inde26062011.htm">Folha de São Paulo</a>,  com o título: <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2606201108.htm">Não é preciso ser diferente para ser gay</a>, Alexandre Vidal Porto faz algumas considerações sobre as paradas gays, em particular a de São Paulo. Destaco alguns trechos abaixo que, acredito, podem conduzir à um raciocínio equivocado:</p>
<blockquote><p>&#8220;[1] Os homossexuais podem se tornar invisíveis. É só saberem dissimular ou mentir. (&#8230;)<br />
[2] O estilo exagerado que alguns participantes preferem adotar é legítimo e respeitável. Mas presta um desserviço para o avanço dos direitos à igualdade. (&#8230;)<br />
[3] Os milhões de pessoas que comparecerão ao evento na avenida Paulista deveriam ter presente a responsabilidade cívica de conquistar corações e mentes para a sua causa. (&#8230;)<br />
[4] A aceitação da homossexualidade pela opinião pública está vinculada à convivência com pessoas abertamente gays. Mostrar-se é importante. Nessa batalha, é mais estratégico exibir a semelhança. É mais difícil para o mundo identificar-se com o ultrajante.&#8221;</p></blockquote>
<p>Não <strong>precisa</strong> ser diferente para ser gay, mas <strong>podemos</strong> ser.</p>
<p>Contanto que as fantasias não sejam obrigatórias (nem proibidas), me parece que discutir e vigiar a indumentária alheia é o oposto do que se propõe qualquer parada que celebra a liberdade de expressão sexual.</p>
<p>Talvez sem essa pretensão, o texto passa a mensagem de que para &#8220;conquistar corações e mentes para a sua causa&#8221; é preciso se comportar de uma determinada forma aceitável, normal, semelhante [3]. O que mais deveria seguir a norma, além da roupa? Ter voz grossa? Pulso firme? Que os casais não se toquem em público? Qual custo dessa aceitação? Qual a diferença dessa proposta e do velho: &#8220;seja gay mas não pareça gay&#8221;?  O problema é que o texto não sinaliza o que é entendido como ultrajante [4], que fica a critério de quem concorda ou discorda do que é dito. Me pergunto se, de fato, há tantos comportamentos ultrajantes? São eles sancionados e promovidos pelos organizadores ou são incidentes inevitáveis num evento dessa proporção?</p>
<p>Existe uma gigantesca massa de gays &#8220;pessoas-comuns&#8221; em todas paradas, talvez tão comuns que não são vistos enquanto gays, muitas vezes apenas como espectadores. São invisíveis mesmo em um evento cuja proposta é a visibilidade. Em parte pela preferência midiática de fotografar o que é espetacular, em parte pelo filtro da percepção do público que não deseja ver entre seus iguais o que lhes torna de algum modo diferentes.</p>
<p>Aliás essa arraigada descrença na semelhança dos gays com as pessoas comuns parece influenciar a escolha de algumas palavras do texto, como é uma possível interpretação da primeira frase, que atribui a invisibilidade à dissimulação e a mentira [1]. Muitos gays são invisíveis simplesmente porque são iguais a qualquer outra pessoa, não porque estão disfarçando. O texto, no entanto, parece esquecer de mencionar essa possibilidade. Esquecimento que acredito, seja acidental, uma vez que Alexandre analisa a carência politica nas paradas de maneira bem mais acertada em outro texto seu: <a href="http://www.eagora.org.br/arquivo/Menos-parada-e-mais-passeatas-">Menos Parada e Mais Passeata</a>, sem culpabilizar os que tem um estilo exagerado.</p>
<p>Concordo que é preciso dar voz as demandas políticas, principalmente mostrar as contribuições dos gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros como parte integrante da sociedade e que dialoga com ela. <strong>Mas existem outras formas de dar visibilidade a médicos, advogados, policiais, bombeiros gays e outros membros relevantes da sociedade que são LGBTs sem ter que pedir aos exuberantes que brilhem menos. Especialmente porque, nos outros dias do ano, esse brilho significa para eles um grande risco de vida. </strong>Não acredito que eles prestem um desserviço ao avanço dos direitos [2], afinal os direitos também são para eles. Acredito sim, como também Alexandre, que falta às paradas aproveitarem melhor a oportunidade de dialogar, tanto com a comunidade que representa, conscientizando-a e politizando-a  como também com o resto da sociedade, mas apresentando para ela toda sua diversidade.</p>
<p><em>PS.  E você, o que gostaria de ver na Parada Gay de sua cidade? Acha que menos purpurina = mais política? O que pode ser feito para dar mais visibilidade as necessárias mudanças políticas?</em></p>
</div>
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		<title>Preconceitos e dores diferentes? racismo e homofobia</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Nov 2010 02:06:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Duarte</dc:creator>
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		<category><![CDATA[homofobia]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma versão de um ótimo quadro da atriz e comediante Wanda Sykes foi recentemente disponibilizado com legenda na Internet, dando espaço para uma discussão em alguns sites brasileiros sobre as particularidades do preconceito contra gays (a homofobia) e sua comparação com  o preconceito contra negros (o racismo). Aproveitando o questionamento no Sindrome de Estocolmo, fiz os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-595" title="interracial" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/11/interracial.png" alt="" width="583" height="270" /></p>
<p>Uma versão de um ótimo quadro da atriz e comediante Wanda Sykes foi recentemente disponibilizado com legenda na Internet, dando espaço para uma discussão em alguns sites brasileiros sobre as particularidades do preconceito contra gays (a homofobia) e sua comparação com  o preconceito contra negros (o racismo). Aproveitando o <a href="http://sindromedeestocolmo.com/2010/11/e_mais_dificil_ser_negr_ou_gay_no_brasil/">questionamento no Sindrome de Estocolmo</a>, fiz os comentários a seguir.</p>
<p>Assista o vídeo abaixo antes de ler.</p>
<p><object style="background-color: #ffffcc; background-image: url(http://nucleounisex.org/wp-includes/js/tinymce/plugins/media/img/flash.gif); background-position: 50% 50%; background-repeat: no-repeat no-repeat; border: 1px dotted #cc0000;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/EMMrd6D1vjA" /><embed style="background-color: #ffffcc; background-image: url(http://nucleounisex.org/wp-includes/js/tinymce/plugins/media/img/flash.gif); background-position: 50% 50%; background-repeat: no-repeat no-repeat; border: 1px dotted #cc0000;" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/EMMrd6D1vjA"></embed></object></p>
<p>Antes de tudo, é difícil comparar sofrimentos.</p>
<p>A persistente desigualdade social entre negros e brancos é cruel. Não há como aceitar que se minimize o sofrimento e prejuízo que o racismo ainda causa hoje, nem é essa a pretensão deste texto. O que podemos arriscar é tentar avaliar as modalidades e os aspectos em que as pessoas são atingidas por preconceitos diferentes. Nestes termos, acho que é possível observar que gays sofrem atualmente mais com as modalidades de agressão direta e de certos tipos de discriminação naturalizada e justificada socialmente.</p>
<p>Primeiro,  o espaço de convivência social, como trabalho e espaços públicos. Geralmente, negros são poupados de verbalizações racistas nem que seja por educação e hipocrisia, algo que não costuma acontecer entre homossexuais, cuja maioria está invisível (embora a visibilidade não seja garantia de deixar de ouvir esses comentários).  Quando alguém faz comentários racistas no trabalho ou outro espaço público costuma freqüentemente encontrar censura de pelo menos um ou de todos colegas, enquanto comentários homofóbicos são moeda corrente na maioria dos ambientes sociais, usados tranqüilamente para &#8220;quebrar o gelo&#8221; e reforçar a mensagem de que homossexuais não são bem-vindos ou inferiores. A interação em espaços públicos não se limita a <strong>verbalizações</strong> que minam a auto-estima e a disposição dos homossexuais que podem ser comparadas ao <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bullying">bullying</a>, mas também <strong>práticas</strong> discriminatórias são extremamente comuns. É verdade que práticas discriminatórias ocorrem com negros também, mas há uma diferença importante em relação ao racismo: as pessoas ainda acham <strong>socialmente aceitável</strong> apresentar a sexualidade como um motivo justo para discriminar, enquanto o racismo precisa de desculpas indiretas e racionalizações para agir. É comum encontrar pessoas que acham natural não querer dividir um quarto em viagem de negócios com alguém homossexual, enquanto que uma justificativa semelhante usando a raça seria certamente caso de demissão. Até mesmo o atendimento em redes de saúde também é uma situação onde existem  relatos de profissionais que evitam e até mesmo se negam a atender homossexuais, enquanto os outros colegas de profissão discutem se essa é ou não uma atitude aceitável.</p>
<p>Como o vídeo de Wanda Sykes mostra de forma humorada,  negros geralmente podem contar com a família (igualmente negra ou inter-racial) para lhes fornecer amor, uma rede de apoio contra o preconceito e ajudar a construir uma auto-imagem positiva. Gays começam sua construção identitária solitários (em uma familia heterossexual, sem modelos de referência próximos e que ensina que ser gay é ruim e vergonhoso). Muitas vezes os jovens gays têm todo o apoio familiar retirado quando o assunto é trazido a tona: recebem menos investimento educacional depois da &#8220;decepção&#8221; dos pais ou mesmo acabam sendo expulsos (ou levados a sair) de casa. De modo geral, negros tem a possibilidade de construir sua identidade dentro de uma família  afetuosa enquanto gays só conseguem fazê-lo depois de abandonar ou afastar-se de sua comunidade original opressiva, muitas vezes sem levar nada consigo e sem saber onde encontrar e como inserir-se numa nem sempre disponível  &#8221;comunidade gay/simpatizante&#8221; que o apoie e permita sociabilizar-se. Não por acaso, temos um alto índice de suicídio entre adolescentes e jovens gays. Existem também alguns trabalhos sobre gays adolescentes moradores de ruas nos EUA (muitos por terem sido expulsos ou levados a sair de casa) infelizmente  não conheço paralelo sobre o assunto no Brasil, mas podemos  intuir que uma situação semelhante acontece por aqui.</p>
<p>E por fim, como a o homossexualidade se apresenta na população geral e não por classe social ou etnia, ser gay e negro/pardo é extremamente comum.  Pode-se admitir perfeitamente que a maioria dos gays é pobre e portanto duplamente invisível para sociedade.  A vida da maioria gay/negra/lésbica/pobre/travesti é algo muito distante da imagem <em>fashion </em>e sofisticada dos gays na mídia (mesmo quando negativamente representados).  O que talvez mostre o quanto é injusto comparar preconceitos quando suas vítimas localizam-se entre tantas intersecções.</p>
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		<title>Palavras homofóbicas e pequenos gestos simpatizantes</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Sep 2008 11:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Duarte</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Algumas vezes vemos políticos e celebridades envolvidas com polêmicas e processos com grupos ativistas por declarações homofóbicas. Embora em algumas delas os alvos principais da declaração sejam os próprios homossexuais (dizer, por exemplo, que um gay deve apanhar por ter-lhe paquerado), na maioria dos casos a homofobia se manifesta como depreciação da homossexualidade através do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/01/glbt.png" alt="Colunas e Artigos" title="Colunas e Artigos" width="583" height="270" class="alignnone size-full wp-image-563" /></p>
<p>Algumas vezes vemos políticos e <span>celebridades</span> envolvidas com <span>polêmicas</span> e processos com grupos <span>ativistas</span> por declarações homofóbicas. Embora em algumas delas os alvos principais da declaração sejam os próprios homossexuais (dizer, por exemplo, que um <span>gay</span> deve apanhar por ter-lhe <span>paquerado</span>), na maioria dos casos a homofobia se manifesta como depreciação da homossexualidade através do xingamento a uma terceira pessoa (fulano é “viado”). Curiosamente, muitos não enxergam homofobia nisso.</p>
<p>Quando um político chama seu oponente de “<span>viado</span>” ou uma celebridade compara fãs à <span>“boiolas”</span>, ele está fazendo um juízo de valor. A mensagem é bem clara: ser homossexual é algum muito ruim, algo que ninguém quer ser e, por tanto, serve de xingamento. Não há muito como fugir ao consenso que, fora situações <span>inusitadadas</span>, ninguém é “xingado” de heterossexual, milionário ou lindo. Então, por que tanto homossexuais parecem relutantes em enxergar a natureza homofóbica destas declarações? Consigo perceber duas correntes nesse discurso: a naturalização da homofobia e a auto-depreciação.</p>
<p>O primeiro aspecto está posto diante de nossos olhos: a população ainda usa a <a title="Dúvidas sobre homossexualismo/homossexualidade?" href="../homossexualismo" target="_blank">homossexualidade</a> de forma <span>depreciativa</span> diariamente. A comunicação, em particular a masculina, muitas vezes inclui a afirmação de masculinidade através da negação da homossexualidade e brincadeiras de natureza homofóbica são moeda de troca comum nas <span>sociabilizações</span>, festinhas ou na mesa de bar. É um assunto fácil, uma piada pronta para se <span>enturmar</span> com novas pessoas. Bem, nem sempre. Hoje algumas pessoas já demonstram seu desconforto quando alguém novo faz uma piadinha homofóbica e o sujeito fica sabendo que fulano, que pertence ao grupo, é <span>gay</span>. Descoberta a <span>gafe</span>, as piadas podem até não desaparecer completamente, mas certamente distanciam-se daquele circulo. Mas essa situação é a <span>exceção</span>, via de regra, <span>gays</span> acostumaram-se com as piadas e xingamentos referente as homossexualidade que aprendem a ser surdos, de tão naturais, ignoram as declarações como se não lhes dissessem respeito e não fossem mais capazes de causar indignação. É um mecanismo de defesa compreensível em ambientes hostis, talvez a única forma de sobrevivência (psicológica ou mesmo física) de muitas pessoas. Mas perder a capacidade de indignar-se também tem seu preço alto, e aqui entra o segundo <span>fator</span>: a auto-depreciação.</p>
<p>Me pergunto se há tantos homossexuais que não vêem problema nenhum em seu ídolo usar a homossexualidade como xingamento e forma de depreciação justamente porque, em certa medida, eles de fato acreditam nesta valoração e que a homossexualidade teria algo de inferior? Ora, minha suspeita encontra eco na incrível quantidade de homossexuais que se utiliza de xingamentos homofóbicos entre si. Claro, não me refiro as brincadeiras e as resignificações que são feitas com certas palavras: viado, por exemplo, é muito usado com intenção de familiaridade e intimidade (aliás, heteros também o fazem entre si). O que está em questão aqui é a possibilidade de não perdemos a sensibilidade diante do uso depreciativo dessas palavras no contexto de ofensas.</p>
<p>Indignar-se é bom, faz bem não aceitar indiferente todas as manifestações de desvalorização que se apresentam. Não afirmo com isto que todos podem e devem se levantar e reclamar a cada declaração homofóbica pois há contextos em que isso implica em ameaça a própria sobrevivência. Mas isso não significa, por outro lado, que é preciso aceitar pacificamente. Da próxima vez que alguém, achando que vai lhe divertir, fizer uma declaração ou piadinha homofóbica que tal, ao invés de devolver aquele sorriso amarelo e constrangido, não rir e, quem sabe, franzir as sobrancelhas? Um gesto simples, um silêncio de não concordância, uma expressão de desaprovação, pode iniciar uma micro-revolução ao seu redor e lhe garanto, vai fazer você se sentir bem melhor quando olhar no espelho.</p>
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		<title>Onde está a homofobia?</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Jul 2008 11:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Duarte</dc:creator>
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		<category><![CDATA[discriminação]]></category>
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		<description><![CDATA[Além da homofobia violenta e explicita, aquela que é ameaça imediata a vida e a direitos básicos, existe a homofobia cordial, que estamos pouco acostumados a perceber mas que nos fins das contas, é a responsável por manter as coisas como estão. Graças a conquista de leis antiracismo e anos de trabalho, as manifestações explícitas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-563" title="Colunas e Artigos" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/01/glbt.png" alt="Colunas e Artigos" width="583" height="270" /></p>
<p><em>Além da homofobia violenta e explicita,  aquela que é ameaça imediata a vida e a direitos básicos, existe a  homofobia cordial, que estamos pouco acostumados a perceber mas que nos  fins das contas, é a responsável por manter as coisas como estão.</em></p>
<p>Graças a conquista de leis antiracismo e anos de trabalho, as  manifestações explícitas de racismo no Brasil de hoje estão à margem  social. Embora nosso racismo esteja infiltrado em diversos aspectos de  nossa sociedade, é difícil encontramos uma pessoa que encarne, para si e  para os outros, o estereótipo do racista. Por isso mesmo, estamos cada  vez mais atentos aos mecanismos que sutilmente mantém e reafirmam o  racismo num pais em que “ninguém é racista”. O mesmo não acontece com a  homofobia. Por mais que o quadro geral possa ter melhorado, ainda é  socialmente comum encontrar pessoas proclamando em alto em bom som seu  ódio aos homossexuais ou até mesmo dizendo “sou homofóbico mesmo”. Ora  isso não é surpresa num pais onde 39,7% dos pais e mãe, segundo a  pesquisa de UNESCO, adimitem que não gostariam que seus filhos tivessem  colegas homossexuais nas escolas, ou que 45% dos brasileiros acha justo  negar o direito à união civil a parte da população <a title="Dúvidas  sobre homossexualismo ou homossexualidade?" href="../homossexualismo" target="_blank">homossexual</a>. Enfim,  com esses números, não é difícil imaginar que todos devemos conhecer uma  ou mais figuras que se aproximam da personificação do “homofóbico” ou  “homofobo”.</p>
<p>O fato de direitos básicos se encontrarem ameaçados por inimigos tão  explícitos e ferrenhos faz com que muitas vezes não tenhamos tempo para  refletir sobre os mecanismos mais sutis da nossa cultura que no fim das  contas, tal como funciona para o racismo, alimentam a lógica homofóbica.  Mas basta pensar que este indivíduos raivosos não surgem do nada para  começarmos a questionar onde está a homofobia na parte da sociedade que,  como muito brasileiros dizem, “não tem nada contra” homossexuais. É um  assunto muito amplo e vou deixar a responsabilidade com o leitor de  refletir sobre toda a complexidade de atos que envolvem a reafirmação da  homofobia em nosso cotidiano. Mas vou contar alguns episódios  instantâneos de homofobia cordial a seguir:</p>
<p>Pedro “tem vários amigos gays”, simplesmente “os adora” e “não tem  nada contra”. Mas quando o sangue sobe um pouco, qual o primeiro  xingamento que lhe ocorre? Isso mesmo: bicha, veado.</p>
<p>Laura é amiga de infância de Suzanna, que é lésbica. As amigas de  Laura decidem fazer um <em>happy-hour</em> e soltam algumas “brincadeiras  sobre sapatão”, Laura dá um sorriso amarelo e decide não chamar Suzanna  para a reuniãozinha, para “o próprio bem da amiga”.</p>
<p>Joana é amiga de Claudinho, que é gay. Diverte-se muito com ele e  reclamava quando seu marido fazia referências homofóbicas ao seu amigo.  Quando seu filho contou que era gay, Joana reagiu mal e pediu que ele  mantivesse isso em absoluto segredo.</p>
<p>Quando Marcelo revelou que era gay, Augusto disse que não tinha  problema algum e continuaram amigos. Um dia Marcelo não quis emprestar  seu carro e Augusto ficou indignado, afirmando que Marcelo não era capaz  de retribuir o “favor” que ele fez ao manter a amizade.</p>
<p>Leo é gay, mas acha o ambiente que trabalha machista demais para se  revelar. Lá trabalha um rapaz de modos efeminados que todos costumam  fazer brincadeiras pelas costas. Apesar de não ter nada contra o rapaz,  Leo fica tão apavorado que também faz piadas sobre seu jeito feminino.  No final do dia, sente-se culpado.</p>
<p>E você, reconhece ou até se reconhece em alguma dessas situações?  Olhe ao redor e verá que não precisar andar com um cartaz “Morte aos  Gays!” para alimentar a homofobia cotidiana.</p>
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		<title>Você já saiu do armário hoje?</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Jul 2008 15:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Duarte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[armário]]></category>
		<category><![CDATA[ativismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Normalmente tomamos a idéia de sair do armário como um evento pontual. De fato é possível, em retrospectiva, localizar algum momento particularmente significativo na vida da pessoa em que ela precisa se posicionar acerca de sua sexualidade, seja diante da família, de amigos, etc. Esse episódio, marcante e especialmente importante na vida de qualquer homossexual [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-563" title="Colunas e Artigos" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/01/glbt.png" alt="Colunas e Artigos" width="583" height="270" /></p>
<p>Normalmente tomamos a idéia de sair do armário como um evento pontual. De fato é possível, em retrospectiva, localizar algum momento particularmente significativo na vida da pessoa em que ela precisa se posicionar acerca de sua sexualidade, seja diante da família, de amigos, etc. Esse episódio, marcante e especialmente importante na vida de qualquer homossexual ou bissexual, é inicio da construção de uma auto-imagem mais integrada, onde elementos de sua sexualidade não precisam ser ocultados de tudo e de todos. Ir a parada gay pela primeira vez, por exemplo, para muitos significou uma marcante saída do armário.</p>
<p>No entanto, muitas vezes somos colocados em novas situações em que é preciso sair do armário novamente. Pois o fato é que, por padrão, somos todos considerados heterossexuais e, sempre que entramos em contato com alguém ou uma situação nova, a expectativa inicial é de que não somos gays, lésbicas ou bissexuais. Uma mudança de emprego, por exemplo, pode significar um retorno ao armário. Não é raro acontecer de, ao sair de uma empresa onde sua <a href="../homossexualismo" target="_blank">homossexualidade</a> é vivida de forma natural (com, por exemplo o companheiro participando de eventos abertos às famílias dos empregados) e mudar-se para outra firma, um rapaz gay decida voltar para o armário. Os motivos são muitos: um ambiente pouco acolhedor, as inseguranças de estar num emprego novo e o peso de ter que enfrentar tudo de novo pode fazer com que a saída do armário seja adiada indefinidamente.</p>
<p>Mas o mais curioso é que, não apenas em situações novas temos que enfrentar o armário. O fato é que, como para muitas pessoas a homossexualidade é um assunto tabu, que causa desconforto e com as quais não possuem nenhuma experiência com que lidar, preferem ignorar as informações recebidas.  Eu mesmo me recordo de ter de “lembrar” à um amigo que eu era gay por três vezes, fato que ele insistia em &#8220;esquecer&#8221;. São histórias comuns, como aquela tia que mesmo sabendo que você e sua namorada dividem um apartamento insiste em apresentar rapazes que são ótimos partidos. Ou o parente que insiste em chamar seu namorado de seu “amigo”. Muitas vezes sem se dar conta, sob a desculpa de que não querem nos constranger, negam nossos parceiros e laços afetivos, empurrando para debaixo do tapete familiar.</p>
<p>E há, claro, o caso clássico, que já pude ouvir de vários jovens: depois de sair do armário para os pais, esperando uma catástrofe, acorda no dia seguinte como se nada tivesse acontecido. O que parece um alento no primeiro momento vira um episódio surreal, onde todo o drama e choro do dia anterior sumiram mas também parece que toda a conversa também desapareceu da mente de seus pais. Em muitos casos os adolescentes acabam aceitando a encenação dos pais e nunca mais tocam no assunto, deixando de compartilhar com eles suas vidas afetivas diante do fato de que sua homossexualidade é tão insuportável que os pais preferem fingir que não sabem de nada.</p>
<p>A grande vantagem é que, mesmo nos casos mais extremos, sair do armário pela segunda (e terceira, quarta…) vez costuma ser mais fácil que da primeira. Mesmo no caso de parentes que preferem adotar o comportamento de avestruz, é saudável lembrá-los de vez em quando de que a verdade já foi exposta e que a encenação, além de um certo ridículo, pode ser um tanto dolorosa para todos. Principalmente porque se armário já não é agradável na primeira vez que estamos lá, sermos convidados a ter que voltar para ele é causa de angústia e sofrimento.</p>
<p>O fato é que sair do armário é um ato constante e cotidiano. Nem de longe significa sair apresentando-se como gay a cada pessoa que se conhece, pois o verdadeiro sair do armário não está numa declaração bombástica. Muito pelo contrario, na verdade sair do armário é permitir-se as mesmas liberdades e os mesmos direitos que todos possuem, agindo com naturalidade e de acordo com a sua forma de ser. Da próxima vez, basta você sorrir e dizer: <em>Amigo(a)? Ah, não, é meu(minha) namorado(a)…</em></p>
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		<title>Sou gay, mas…</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Jul 2008 02:29:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Duarte</dc:creator>
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		<category><![CDATA[armário]]></category>
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		<description><![CDATA[Quem nunca ouviu alguém começar uma afirmação deste modo? Essa afirmação pode ter diversos complementos: sou gay, mas não sou afeminado. Sou gay, mas não sou promíscuo. Sou gay, mas não gosto de Madonna. É compreensível que essa afirmação apareça ocasionalmente, principalmente quando é o caso de exemplificar uma contra-afirmação (alguém lhe diz que todos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-563" title="Colunas e Artigos" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/01/glbt.png" alt="Colunas e Artigos" width="583" height="270" /></p>
<p>Quem nunca ouviu alguém começar uma afirmação deste modo? Essa afirmação pode ter diversos complementos: sou gay, mas não sou afeminado. Sou gay, mas não sou promíscuo. Sou gay, mas não gosto de Madonna.</p>
<p>É compreensível que essa afirmação apareça ocasionalmente, principalmente quando é o caso de exemplificar uma contra-afirmação (alguém lhe diz que todos os gays gostam de Madonna e você retruca: sou gay, mas não gosto de Madonna). Mas o fato é que para algumas pessoas, o uso da conjunção “mas” parece vir sempre que lhes é necessário falar de sua sexualidade. Praticamente não lhes é possível afirmar-se gay/homossexual sem acrescentar um “porém”, uma incompletude de identificação. O que pode haver por trás disso?</p>
<p>Ora, a construção da frase propõem uma oposição. Gay <em>versus </em>afeminado ou promíscuo, por exemplo. Na verdade não é uma oposição de todos os gays, mas sim de um gay, apenas aquele que fala em oposição a todos os outros. -Eu, <em>(apesar de ser gay),</em> não sou afeminado <em>(como imagino que todos os outros gays são).</em> É impossível não pensar num conceito da psicanálise, a denegação, que seria de modo simplificado, a situação onde o sujeito se antecipa e nega algo que não foi afirmado objetivamente pelo seu interlocutor. Afinal, quem imaginou ser necessário fazer essa explicação?</p>
<p>A identidade gay é uma construção complexa, onde é necessário o enfrentamento de diversos preconceitos internos absorvidos durantes anos de nossa educação formal e informal. Aceitar-se gay envolve uma revisão de conceitos não apenas acerca da homossexualidade mas de si mesmo. O que é ser gay? Como são os outros gay? Sou igual a eles? Sou diferente? Sou gay porque gosto de música eletrônica ou porque me envolvo afetivamente com alguém do mesmo sexo? Sou menos gay por gostar de futebol?</p>
<p>Se me entendo como gay (ou <a href="../homossexualismo" target="_blank">homossexual</a>, ou outra denominação) de uma forma integrada com os outros aspectos de minha personalidade não preciso, a todo momento, delimitar em que aspecto eu não sou gay.  Nem tampouco me achar “menos gay” ou “mais gay” por fazer (ou não fazer) algo. Uma vez que as pré-concepções são quebradas, é possível construir uma identidade rica, onde elementos não são mais conflitantes, pois o “mas” pode virar um “e”: sou um homem gay <strong>e</strong> sou monógamo. Sou um homem hétero <strong>e </strong>gosto filmes românticos.</p>
<p>Deste modo é possível afirmar-se como você mesmo, sem “mas” ou “poréns”.</p>
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		<title>A bola, as bibas e a conquista de espaços urbanos</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Jan 2008 14:55:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Duarte</dc:creator>
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		<category><![CDATA[eventos]]></category>
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		<description><![CDATA[Tive a oportunidade de acompanhar a realização de um dos jogos de baleado que acontecem em algumas quadras de Salvador. Por vezes chamado de baleado &#8220;gay&#8221; (o que para uns soa redundante e para outros excludente) o fato é que este tipo de evento tem peculiaridades importantes para a comunidade gay. A primeira impressão marcante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/01/glbt.png" alt="Colunas e Artigos" title="Colunas e Artigos" width="583" height="270" class="alignnone size-full wp-image-563" /></p>
<p>Tive a oportunidade de acompanhar a realização de um dos jogos de baleado que acontecem em algumas quadras de Salvador. Por vezes chamado de baleado &#8220;gay&#8221; (o que para uns soa redundante e para outros excludente) o fato é que este tipo de evento tem peculiaridades importantes para a comunidade gay.</p>
<p>A primeira impressão marcante é o campo de futebol ao lado da quadra em que será disputado o baleado. Um espaço fortemente masculino e heterossexual passou a ser compartilhado por jogadores gays e através de um jogo que, culturalmente, ficou menos associado com a virilidade. A convivência entre os dois grupos de jogadores parece ser tranqüila, para não dizer indiferente como aliás é ideal, afinal nada acontece em uma das quadras que realmente pudesse interferir e incomodar os participantes da outra. Um ou outro transeunte surpreende-se com demonstrações de afeto entre os presentes e seu olhar de surpresa por acreditar estar vendo uma exceção, converte-se na constatação de que, na verdade, trata-se da regra: <em>aquela é uma quadra &#8220;gay&#8221;</em>.</p>
<p>Mas não é verdade.</p>
<p><strong>A quadra, como todo aquele espaço público, não é &#8220;gay&#8221; ou mesmo &#8220;gls&#8221;.</strong> Outra hora poderá ser ocupada por heterossexuais ou qualquer grupo da comunidade. Não há, de fato, nada que caracterize qualquer dos espaços destes jogos como voltados para os gays: estes estão apenas ocupando-o como fazem outros cidadãos. E isso tem implicações sociais interessantes, gerando uma possibilidade de diálogo com o resto da comunidade e libertando de certos ranços dos guetos.</p>
<p>Além de permitir uma experiência de sociabilização com outras pessoas, homossexuais ou não, as incursões de eventos majoritariamente gays em espaços fora do gueto GLS têm um efeito catalizador positivo na afirmação de uma identidade saudável e na desmistificação de preconceitos. Por um lado, gays tem a possibilidade de experimentar a liberdade física, afetiva e coletiva graças ao suporte de um grupo que dá segurança de expressar-se sem precisar estar dentro das fronteiras protegidas dos &#8220;lugares gls&#8221; e por outro lado, o evento captura o olhar daqueles que, por estarem distantes da realidade homossexual, ignoram-na ou preferem desconhecer as vivências GLBT relegando-as ao espaço marginal.</p>
<p>Acredito que é interessante que existam mais eventos nestas fronteiras entre os ambiente denominados GLS e o resto do mundo, para que justamente estas fronteiras se diluam e novas possibilidades de diálogo apareçam. Como nem todos gostam de baleado e as quadras não são o único espaço a ser conquistado, outros eventos semelhantes podem e devem ser estimulados. Talvez algo como excursões urbanas ou semelhantes aos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Flash_mob"><em>flashmobs</em> </a>(eventos combinados pela internet, em que rapidamente são mobilizadas várias pessoas para estar em um mesmo lugar apenas por diversão).</p>
<p>Longe de serem passeatas gays e muito diferentes de manifestações como os &#8220;beijaços&#8221; (onde as pessoas vão para beijar publicamente em resposta a uma atitude <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Homofobia">homofóbica</a>), estes eventos devem valorizar a naturalidade com que as coisas acontecem. <strong>Os afetos, beijos, abraços, os assuntos das conversas,</strong> <strong>se e quando acontecem serão espontâneos e apenas porque as pessoas que ali se reúnem compartilham algo em comum</strong>. E, mesmo sem cartazes e frases de efeito, esses eventos podem ser ponto de transformação social e uma experiência libertadora para aqueles que se permitem participar.</p>
<p><small><em>PS: <a href="http://lfcalaca.com">Luiz Fernando Calaça</a>  fez um artigo em seu site sobre <a href="http://lfcalaca.com/psicologia/vivencias-e-divergencias-na-homossexualidade.html" title="Vivências e divergências na homossexualidade">Vivências e divergências na homossexualidade</a>  inspirado no debate que se seguiu a publicação do artigo, vale dar uma passada lá e conferir.</em></small></p>
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