Saint Laurent (2014)

Diretor: Bertrand Bonello
Escrito por: Bertrand Bonello, Thomas Bidegain
Estúdio: Mandarin Films, EuropaCorp, Orange Studio

Sinopse: o filme retrata um período na vida de Yves Saint Laurent (Gaspard Ulliel), um dos maiores estilistas de todos os tempos. Entre 1967 e 1976, quando seu gênio pautou a moda no mundo. O filme retrata a relação complexa entre o companheiro e mecenas Pierre Berger (Jeremy Reinier), bem como os traumas e vivências do personagem do ponto de vista de sua sexualidade.

Por que ver este filme: É um retrato denso de Saint Laurent, que renuncia a uma linguagem linear para evidenciar algo de sua genialidade e processo criativo, sem deixar de lado seus problemas de relacionamento como o mundo “real”.

Temas e questões: O filme retrata o glamour do mundo da moda nos anos 60 e 70, evidenciando o espaço onde a homossexualidade era tolerada como parte da opressão “livre” dos artistas. Ao mesmo tempo, a relação por vezes protetora por vezes exploradora por vezes opressiva de Saint Laurent com Berger pode servir de pretextos para debates sobre relacionamentos abusivos.

Comentário: Apesar de ser um trabalho extremamente interessante, esteticamente belo e sem oferecer uma falsa coerência no retrato de um dos personagens mais instigantes do mundo da moda, o filme peca pelo extensão – em dado momento a película parece se arrastar lentamente pelo mesmo conjunto de situações. O filme toca em questões duras para o personagem, como o estupro que Saint Laurent teria sofrido quando jovem na guerra da Argélia e os riscos envolvidos na busca por parceiros sexuais da classe trabalhadora que realizavam, por vezes, agressões homofóbicas. Neste sentido, a relação com Jacques de Bascher (Louis Garrel) potencializa ao máximo a instabilidade de Saint Laurent, levando-o a uma espiral de drogas e bebidas que quase terminam por matá-lo.

Sobre Daniel Silva 30 Artigos
(Editor) Doutorando em História Social pela UFBa (2017). Graduado em História em 2012 e possuí o título de Mestre em História Social do Brasil, obtido em 2015, ambos também pela UFBa. Pesquisa temas relativos a gênero, homossexualidade e saber médico, centrando nas teses de doutoramento da Faculdade de Medicina da Bahia no século XIX.
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