Entender e Respeitar
mai 14th, 2008 | Por Luiz Lopes | Categoria: ColunasEm tempos de polêmicas envolvendo jogadores de futebol e travestis, personagens gays em novelas que nunca se beijam, cantores xingando fãs em internet, aumento da violência contra homossexuais, preocupação com políticas publicas para a população GLBTT, lançamentos editoriais, podemos perceber certa evidencia das questões que envolvem a diversidade sexual. Nem sempre da maneira mais adequada e correta mas como fruto da luta dos movimentos sociais, de organizações que lutam pelos direitos humanos, da própria população que mesmo sufocada tenta garantir seus direitos e até mesmo do interesse em explorar um mercado em expansão e do preconceito.
Entendendo a sociedade imersa num processo mutável, onde os valores morais, sociais e regras de conduta correspondem aos interesses e momento histórico, as questões que envolvem gênero e sexualidade é parte também deste processo. Basta lembrar que não faz muito tempo, as mulheres não podiam votar, nem sentir prazer durante o ato sexual.
Os padrões de comportamento heterossexuais atualmente são os considerados normais. Isso impõe, determina e limita os papéis sociais permitidos e aceitáveis. Desde a infância é ensinada a criança como se deve comportar ser for menino ou menina tendo a todo o momento os sistemas de controle (escola, família, religião) encarregando-se da fiscalização. Os padrões heteronormativos são bastante claros, definidos e por isso mesmo, é fácil identificar quem foge deles.
Para justificar as causas destes “desvios” várias teorias foram elaboradas. Os motivos são muitos, desde deformações genéticas, a problemas de ordem social, psicológica ou familiar. A homossexualidade foi considerada doença e muitas pessoas foram mortas, seja nas ruas, vitimas de violência, ou em clinicas de recuperação, sob cuidados médicos. Há pouco tempo foi invento um remédio, o “Hetracil” para combater a feminilidade que acomete alguns homens.
Na verdade construímos uma sociedade intolerante ao diferente, onde não se tem espaço, nem é permitido questionar as regras sociais. Como parte desta estrutura social, a falta de conhecimento e de disposição para entender a diversidade sexual é uma das causas da intolerância e do preconceito.
A composição da sexualidade Sexo biológico (aparelho reprodutor – homem, mulher), Orientação Sexual (a quem é direcionado o desejo sexual – homossexual, bissexual, heterossexual), Identidade Sexual (quem o sujeito acredita ser – homem, trangênero/travesti, mulher), Papel Sexual (papel social – homem/macho, drag queen/drag king, mulher/perua) e suas combinações permitem inúmeras possibilidades e formas de expressão que vão além dos padrões heteronormativos. Aceitá-las ou ao menos entendê-las é uma boa alternativa para conseguir respeitar e ser tolerante ao “diferente”.
Recomendação de leitura: Diferentes Desejos: adolescentes, homo, bi e heterossexuais - Claudio Picazio