A Aliança de Prata

Aliança

simbologia, relacionamento e sexualidade

Lendo a coluna do César, me chamou atenção um aspecto que, já a algum tempo, desperta a minha atenção: a aliança de prata. De fato, ao menos aqui em Salvador, ela se constitui como um símbolo e um elemento de identificação, ou do gay em geral, ou do gay que está namorando. Passa como um elemento de identificação daquele que faz parte dessa grande tribo que é a comunidade GLBT. Entretanto, creio eu, não é um símbolo compartilhado por todos. Nem todo gay ou lésbica usa aliança de prata, mas, quem usa, tem uma grande possibilidade de ser “do babado”.

Já me peguei algumas vezes olhando atentamente para as mãos de pessoas que me parecem “suspeitas” buscando identificar se está usando a bendita aliança.

Me dou conta, no entanto, que não é um artigo exclusivo dos gays, mas que é um elemento identificador, pelo menos, de que a pessoa que a usa é “alternativa”. Valendo, de certo modo, o sentido alternativo do relacionamento entre as pessoas que usam da mesma aliança. (Traduzindo: casais que usam aliança de prata são “alternativos”).

Conheço casais heterossexuais – até que se prove o contrário – que usam alianças de prata. São casais que não oficializaram a relação no cartório ou no religioso. Tempos atrás se diria que são “amigados”, “concubinatos”, ou, numa terminologia mais chula, “emancebados” (não sei se é assim exatamente que se escreve esse palavrão, mas eu bem poderia substituir pela opção dada pelo dicionário do Word: “emancipados”).

Em todo o caso, me parece que o uso da aliança de prata distingue a relação oficializada, socialmente, registrada e sacramentada, com véu, grinalda, padre e arroz. Os relacionamentos que seguem o script são agraciados com a aliança reluzente de ouro, que nunca mareia, que é eterna e brilhante, até que a morte os separe ou troque pelas alianças de bodas de prata, ouro, esmeralda ou diamante.

Os relacionamentos “alternativos” ficam com a de prata, que mareia, perde o brilho. Penso no valor desse símbolo e no que ele traz, em si, um sentido. É o símbolo ao mesmo tempo de uma transgressão, de um espírito alternativo e liberal, mas também pode ser compreendido como um símbolo de inferioridade quanto ao valor social do relacionamento, seja ele entre casais heterossexuais que não se casam oficialmente, seja pelos gays, lésbicas e LGBTs…

Fico refletindo nesse símbolo, que como os triângulos rosa, surge como um elemento de identificação dos gays, mais ou menos velados e explícitos, para aqueles que se valem desse adereço, e depositam nele um sentido, e para aqueles que identificam o significado nele depositado. Fico pensando comigo se também esse não seria um símbolo que nos distingue socialmente como uma classe menor. (Penso por exemplo no valor dado, décadas atrás, ao anel de formatura, que era um símbolo de distinção social e que fazia com que aquela pessoa que o portasse fosse socialmente reconhecido como um “bacharel”).

(Meu avô, reza a lenda familiar, era um vendedor ambulante, daqueles de porta em porta, que vendia confecções a prestação. Apesar do status social baixo, para o padrão da família, ex-soldado, semi-analfabeto, usada um anel de brilhante no dedo mínimo e tinha uma caneta Parker – símbolos de status na época.)

Reflito sobre esses pontos, em torno da aliança de prata, sem ser eu antropólogo, historiado ou ourives, penando no significado desse objeto, que ele ou dedos das mãos de diversas cores e sexos, servem como elemento de identificação do gay ou do casal homossexual ou “alternativo”. Fico pensando em nas possíveis alternativas que por ventura existam, diante de um atual contexto em que o relacionamento ainda não é reconhecido – às vezes ignorados verdadeiramente diante da sociedade, ou, em situações piores, discriminados com agressão e homofobia.

Penso também no valor que os próprios gays dão ao relacionamento, na confiança (ou desconfiança) diante da possibilidade de viver um relacionamento verdadeiramente nutridor e de parceria, que é ou pode ser eterno enquanto dura. Talvez alimentemos nós mesmos uma idéia de efemeridade das relações, marcadas pela transitoriedade e, por isso, temos um símbolo que não é duradouro em seu brilho. Talvez sejamos visionários, estejamos na verdade a frente de nosso tempo – que já é – e tenhamos nos dado conta de que o casamento é uma instituição falida e que o amor não é eterno. Mas, mesmo assim, lutamos pela legalização do casamento gay, seja pelos direitos civis dele decorrente, seja pelo sonho romântico que aspira uma casamento com véu, grinalda, arroz e aliança de ouro.

Talvez devêssemos prestar atenção em nossos sonhos e nossas atitudes, nos símbolos que criamos, nas crenças que reproduzimos em discursos e atos. No final das contas, falam sobre nós, sobre quem somos e quem desejamos ser.

Confira programação do Universidade fora do Armário

De 13 a 16 de Outubro estará ocorrendo na UFBa o evento Universidade fora do Armário, com debates, oficina, seções de cinema comentadas e encerramento com a Festa Colorida, no DCE-UFBA.

Confira os detalhes da programação clicando no folder abaixo para ampliar.
Organização: Grupo Kiu!

Programacao UFBA

Coluna do Cesar

Colunas e Artigos

Olá, meu nome é Cesar, tenho 26 anos (difícil carma saber lidar com a idade, e eu não sei!!!), gosto de escrever, mas não sei e nem tenho a pretensão de ser um imortal da ABL, portanto escrevo usando o internetês com direitos a erros, sem pontuação e td mais……… enfim!!!!

Vamos lá………..

Paulo veio com a sugestão de postar artigos e tal e sei q tem gente q faz isso d forma ‘correta’, dentro das normas e tal……… eu gosto de escrever sobre comportamentos q observo no dia a dia……. pessoas……. tenho alguns personagens reais, pessoas q observo por ai e q estão em vários lugares q eu tb estou e em diferentes situações e isso é divertido!!!! Ai, chego em kza e escrevo, ou não….. às vezes isso fica só na kbça e uma hora tende a sair!!!

Eu ia começar com um dos personagens q me é comum desde que mudei pra k…… mas, minha impaciência dessa semana não permite……. Acordo eu, hj, 10/10, venho trabalhar e vejo um site de um pseudo-amigo, vou ver e o q tem lá??? *momento suspense*………… fotos………. *momento suspense 2* q tipo de fotos? *momento suspense 3* fotos normais…….

Bom, fatos……….

Nosso gayômetro apita e qdo isso acontece, é bem provável que ele esteja certo. Concordam? Pelo menos o meu eu sei q funciona bem….. e pra essa pessoa ele nunca falhou…… rsrsrsrs….. Ele tem namorada há um bom tempo e td mais e é hetero, ok?? ………… Claro q ta ok, se até ele pensa q isso é verdade, quem sou eu pra dizer o contrário………

Uns pensamentos no kbção!!!!

Gente, pra q ficar escondendo-se e reprimindo-se?? O q é q vc ganha com isso? Sabe, é uma coisa doida, é uma autopunição, um trancamento dentro do armário realmente desnecessário!!! Meu, na boa, o q é q a gente ganha sendo o q não se é?? Alguém me diz?? Eu ganhei um ano de terapia sendo o q eu não era qdo adolescente…..

Ah, tem outra……. Ontem eu estava na pizzaria e mais três amigos, qdo entra um casal quase lésbico se ele não fosse homem……… (iiiiiiiiii, dúvida agora, será q ele não era operado?? E na verdade ele não era ele e era ela, então depois da operação virou ele??………. relendo nem eu acompanho!!! Rsrsrsrsrsr…) enfim, supondo que ele é originalmente e naturalmente do sexo masculino e ela originalmente e naturalmente do sexo feminino, eles não poderiam ser um casal………… é nessa hora q dá vontade de chegar até lá e dizer “amor, vc é gay”, “linda, sua coca é fanta!! E mais, essa fanta é uva!!!” rsrsrsrsr, mas segundo as convenções sociais temos q respeitar não???? ………….. óbvio q todos nós da mesa observamos as roupas dele, as tatoos e não me lembro se tinha os anéis q são quase um crachá dizendo “Oi, sou gay!”, rsrsrsrs

Mas então, esses são os fatos q num sábado d manhã, ás 8:16 me levam a pensar, pq as pessoas se escondem e do q? ou de quem? E pq?………… tenho vontade de andar com akelas plaquinhas q andamos as vezes na parada gay, do tipo, “sou gay e sou feliz!”, 24 horas por dia, 7 dias por semana e 365 ou 366 dias no ano a depender!!! Rsrsrsrs

Pra terminar!!! C é q alguém chegou até aki!! Rsrsrs……….. não tenho mto saco pra militância, pq não me dá dinheiro, mas é algo q tá dentro de mim, pelo menos ao ponto de kerer fazer as pessoas c aceitarem e q isso não dói, pode doer o processo de transformação, da lagarta virar borboleta (é isso mesmo??), mas o depois não dói, só vivifica e fortalece o seu ser!!! Seja o q vc é, custe o q custar, e se custar caro, vale a pena, pois é por e para vc!!!!

Bjs bjs

Fui…….

Imagem: Jaunis on Flickr / CC BY-NC-ND 2.0

O que eu procuro em você?

O igual e o diferente e a alteridade na relação a dois.

Qual é o mais óbvio segredo dos relacionamentos? Sempre buscamos algo no outro. Buscamos no outro algo que idealizamos: carinho, amor, companheirismo, atenção, fidelidade, etc etc. Esperamos que o outro nos supra nossas necessidades de afeto, nossas carências e faltas. Esperamos que o outro seja o príncipe ou a princesa encantados, que não tem defeitos, que está sempre disponível e que nos aceita incondicionalmente.

Se buscamos isso nas pessoas, jamais encontraremos alguém verdadeiramente humana, de carne e osso, e defeitos. Se idealizamos a perfeição, precisamos olhar com lucidez para nós mesmos e nos darmos conta de que somos sim imperfeitos, e ser imperfeito é o melhor que podemos ser, pois é o que somos.

Relacionamentos começam na grande empolgação do apaixonamento, em que mentes e corpos estão conectados quase que numa mesma sintonia. Esperamos do outro o complemento absoluto. Mesmos gostos, mesmos hábitos, mesmos valores, mesmo tudo. O outro não é nosso igual. Ele não é nosso espelho narcísico. E, se acontece de encontrarmos nossa alma gêmea, logo logo nos daremos conta de que o igual limita e nunca é absoluto.

Quando estamos num relacionamento homossexual já temos uma semelhança dada a priori – o mesmo sexo, o mesmo corpo e desejos que acreditamos ser os mesmos. Entretanto, o outro é sempre outro. Não podemos transpor para ele nossos próprios desejos e nossas formas de obter prazer. O outro não pensa igual a mim, não tem as mesmas expectativas de relacionamento, e se comporta diferente de mim.

Um relacionamento sem desestendimentos já traz um sinal de descompasso. Alguém está se anulando, fazendo mais concessões que o outro, para não ferir a imagem idealizada de relacionamento perfeito. Relacionamentos perfeitos não existem! E o pior de tudo é quando não nos damos conta disso. Quando culpamos o outro ou nos culpamos por as coisas não terem saído da forma como queríamos. Nos frustramos por criarmos expectativas impossíveis de serem satisfeitas.

Nem todo gay é liberal. Nem todo gay é promíscuo. Nem todo gay é independente. Nem toda lésbica é apaixonada. Nem toda lésbica é atenciosa. Nem toda lésbica é ciumenta. Nem todo todo é sempre o mesmo. E o mesmo sempre é diferente.

Precisamos aprender a perceber e valorizar a diferença, considerando-a não como um obstáculo para a relação, mas como uma oportunidade para o crescimento. Quem se apega sempre ao mesmo, vive num mundo restrito, cristalizado em torno de uma idéia, uma idealização, uma abstração criada que não necessariamente tem sustentação no real.

É importante também ter consciência de nossa imperfeição, não para nos subestimarmos, nem para justificar nossos erros, mas para termos a medida sobre o que podemos ou não oferecer ao outro, para que não esperemos do outro aquilo que não podemos retribuir. As relações não necessariamente precisam ser de trocas quase comerciais, num toma-lá-dá-cá em que sempre visamos um lucro, mas sim numa relação de interdependência, uma relação intersubjetiva, uma relação sempre ENTRE duas pessoas. Nesse entre as trocas favorecem o crescimento. E só há troca onde há o diferente – necessidades, recursos, sentimentos, desejos diferentes.

A perfeição é o impossível. Aprender a confiar e valorizar o possível talvez nos ajude a con-viver bem com o outro, VIVER COM. Essa é a essência de todo relacionamento, o viver com… E só podemos viver com aquele que nos é real, em seu possível, naquilo que ele realmente tem e pode nos dar de si. Senão, estaremos sempre nos relacionando com um ideal inexistente, com um fantasma que acreditamos ser o outro, com nossas expectativas e projeções. E, nesse estar sempre guiado pela ideal, buscamos também, nós mesmos, sermos perfeitos e ideais.

Imagem: djcodrin / FreeDigitalPhotos.net

VIII Parada Gay de Feira de Santana

Notícias

Próximo domingo, dia 30 de Agosto de 2009 acontece a VIII Parada Gay de Feira de Santana.

A concentração será a parti das 14Hs Praça de Alimentação
O percurso seguirá pela Avenida Getulio Vargas
O Tema deste ano é : “Adolescente ou ancião somos todos cidadãos”
A organização da parada é feita pelo GLICH

Semana da Visibilidade Lésbica de Salvador 2009

Notícias
Programação

Terça, 25/08 – Mobilização na Estação da Lapa
17h – Vigília Pelo Fim da Violência contra Lésbicas e Bissexuais

Quinta, 27/08 – Câmara das/os Vereadoras/es
18:30h – Sessão especial pelo Dia da Visibilidade Lésbica

Sexta, 28/08 – Biblioteca Central/Barris
14h – Oficina de WenDo: Autodefesa feminista
(Coletivo WenDo Salvador)
19h – Mesa redonda: ‘Militância lésbica em Salvador’.
(Diálogo com ativistas e organizações).

Sábado 29/08
21h – Festa da Visibilidade Lésbica – Só para Mulheres!
No Boteco Afrodisíaco (Rua Euricles de Mattos, 155 – Rio Vermelho)

Realização: AJOBI, Católicas pelo Direito de Decidir, Coletivo KIU!, Lésbicas Negras de Salvador, LésBahia.
Apoio: Bic Central dos Barris, Sepromi, SJDH e Vereadora Vânia Galvão.

Programação da semana da visibilidade lésbica