Quando um homossexual comete um crime

Sobre os dois rapazes gays que foram presos sob acusação de maus-tratos a uma criança, o que se sabe até agora pelas reportagens:

1) Ao contrário do que é repetido em redes sociais não são pais da criança, não adotaram a criança, nem são parentes, muito menos passaram por qualquer meio legal para obter sua guarda. Ao que parece, eles a aceitaram “para criar/cuidar”: um costume antigo e ainda comum na classe média de receber um criança de alguém sem condições para sustentá-la. Essa prática, além de ilegal, é comumente associada com alguma violência à criança por parte daqueles que a recebem (mas não vêem como filho e esperam, normalmente, uma contrapartida de trabalho infantil). Se foi este o caso, eles são apenas mais um exemplo dessa tradição com tons escravistas que é vista como ato de caridade de famílias com mais recursos (mas raramente o é).  Pode-se dizer que até demorou para que algum gay cometesse o mesmo tipo de imbecilidade historicamente repetida entre famílias heterossexuais. Afinal, orientação sexual não determina caráter nem conhecimento legal.

2) A polícia trabalha no momento com o registro de maus tratos e não de abuso sexual já que, felizmente para criança, não existe evidência que isso tenha ocorrido. Pode ter acontecido? Pode, não falta gente abjecta no mundo capaz de qualquer coisa. Mas não dá para ignorar que existe uma grande expectativa, quase uma torcida por esta hipótese. Isso porque, no que se refere a aspectos negativos, as minorias absorvem o estigma de qualquer mal exemplo, mesmo que seja um único caso contra vários positivos. A numerosa maioria dos abusos infantis é de natureza heterossexual e realizada por familiares, mas cada episódio é tratado como um evento isolado e não uma generalização sobre homens heterossexuais ou sobre a instituição familiar. Quando o criminoso coincide de ser homossexual, lésbica, negro, etc o crime é usado para estigmatizar toda comunidade (afinal não são comuns noticias que destacam: homem “branco” é suspeito, um “heterossexual” foi preso, etc.)

Quando um homossexual comete um crime, o esperado é que ocorra o mesmo quando um heterossexual comete um crime: investigação adequada, julgamento justo e aplicação da punição prescrita. A punição não é estendida a outros heterossexuais que nada tem com o episódio. Simples, mas parece difícil para homofóbicos entenderem.

Previsivelmente vemos essa notícia ser explorada por oportunistas e fundamentalistas salivando felizes em cima do sofrimento da criança. Mas, na verdade, esse episódio tem o mesmo valor que usar notícias policiais com suspeitos negros para validar teorias racistas. Ainda hoje, há quem fique muito satisfeito em usar esses dois exemplos.

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Não é preciso ser diferente para ser gay, mas podemos ser.

 

Em um texto para Folha de São Paulo,  com o título: Não é preciso ser diferente para ser gay, Alexandre Vidal Porto faz algumas considerações sobre as paradas gays, em particular a de São Paulo. Destaco alguns trechos abaixo que, acredito, podem conduzir à um raciocínio equivocado:

“[1] Os homossexuais podem se tornar invisíveis. É só saberem dissimular ou mentir. (…)
[2] O estilo exagerado que alguns participantes preferem adotar é legítimo e respeitável. Mas presta um desserviço para o avanço dos direitos à igualdade. (…)
[3] Os milhões de pessoas que comparecerão ao evento na avenida Paulista deveriam ter presente a responsabilidade cívica de conquistar corações e mentes para a sua causa. (…)
[4] A aceitação da homossexualidade pela opinião pública está vinculada à convivência com pessoas abertamente gays. Mostrar-se é importante. Nessa batalha, é mais estratégico exibir a semelhança. É mais difícil para o mundo identificar-se com o ultrajante.”

Não precisa ser diferente para ser gay, mas podemos ser.

Contanto que as fantasias não sejam obrigatórias (nem proibidas), me parece que discutir e vigiar a indumentária alheia é o oposto do que se propõe qualquer parada que celebra a liberdade de expressão sexual.

Talvez sem essa pretensão, o texto passa a mensagem de que para “conquistar corações e mentes para a sua causa” é preciso se comportar de uma determinada forma aceitável, normal, semelhante [3]. O que mais deveria seguir a norma, além da roupa? Ter voz grossa? Pulso firme? Que os casais não se toquem em público? Qual custo dessa aceitação? Qual a diferença dessa proposta e do velho: “seja gay mas não pareça gay”?  O problema é que o texto não sinaliza o que é entendido como ultrajante [4], que fica a critério de quem concorda ou discorda do que é dito. Me pergunto se, de fato, há tantos comportamentos ultrajantes? São eles sancionados e promovidos pelos organizadores ou são incidentes inevitáveis num evento dessa proporção?

Existe uma gigantesca massa de gays “pessoas-comuns” em todas paradas, talvez tão comuns que não são vistos enquanto gays, muitas vezes apenas como espectadores. São invisíveis mesmo em um evento cuja proposta é a visibilidade. Em parte pela preferência midiática de fotografar o que é espetacular, em parte pelo filtro da percepção do público que não deseja ver entre seus iguais o que lhes torna de algum modo diferentes.

Aliás essa arraigada descrença na semelhança dos gays com as pessoas comuns parece influenciar a escolha de algumas palavras do texto, como é uma possível interpretação da primeira frase, que atribui a invisibilidade à dissimulação e a mentira [1]. Muitos gays são invisíveis simplesmente porque são iguais a qualquer outra pessoa, não porque estão disfarçando. O texto, no entanto, parece esquecer de mencionar essa possibilidade. Esquecimento que acredito, seja acidental, uma vez que Alexandre analisa a carência politica nas paradas de maneira bem mais acertada em outro texto seu: Menos Parada e Mais Passeata, sem culpabilizar os que tem um estilo exagerado.

Concordo que é preciso dar voz as demandas políticas, principalmente mostrar as contribuições dos gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros como parte integrante da sociedade e que dialoga com ela. Mas existem outras formas de dar visibilidade a médicos, advogados, policiais, bombeiros gays e outros membros relevantes da sociedade que são LGBTs sem ter que pedir aos exuberantes que brilhem menos. Especialmente porque, nos outros dias do ano, esse brilho significa para eles um grande risco de vida. Não acredito que eles prestem um desserviço ao avanço dos direitos [2], afinal os direitos também são para eles. Acredito sim, como também Alexandre, que falta às paradas aproveitarem melhor a oportunidade de dialogar, tanto com a comunidade que representa, conscientizando-a e politizando-a  como também com o resto da sociedade, mas apresentando para ela toda sua diversidade.

PS.  E você, o que gostaria de ver na Parada Gay de sua cidade? Acha que menos purpurina = mais política? O que pode ser feito para dar mais visibilidade as necessárias mudanças políticas?

Preconceitos e dores diferentes? racismo e homofobia

Uma versão de um ótimo quadro da atriz e comediante Wanda Sykes foi recentemente disponibilizado com legenda na Internet, dando espaço para uma discussão em alguns sites brasileiros sobre as particularidades do preconceito contra gays (a homofobia) e sua comparação com  o preconceito contra negros (o racismo). Aproveitando o questionamento no Sindrome de Estocolmo, fiz os comentários a seguir.

Assista o vídeo abaixo antes de ler.

Antes de tudo, é difícil comparar sofrimentos.

A persistente desigualdade social entre negros e brancos é cruel. Não há como aceitar que se minimize o sofrimento e prejuízo que o racismo ainda causa hoje, nem é essa a pretensão deste texto. O que podemos arriscar é tentar avaliar as modalidades e os aspectos em que as pessoas são atingidas por preconceitos diferentes. Nestes termos, acho que é possível observar que gays sofrem atualmente mais com as modalidades de agressão direta e de certos tipos de discriminação naturalizada e justificada socialmente.

Primeiro,  o espaço de convivência social, como trabalho e espaços públicos. Geralmente, negros são poupados de verbalizações racistas nem que seja por educação e hipocrisia, algo que não costuma acontecer entre homossexuais, cuja maioria está invisível (embora a visibilidade não seja garantia de deixar de ouvir esses comentários).  Quando alguém faz comentários racistas no trabalho ou outro espaço público costuma freqüentemente encontrar censura de pelo menos um ou de todos colegas, enquanto comentários homofóbicos são moeda corrente na maioria dos ambientes sociais, usados tranqüilamente para “quebrar o gelo” e reforçar a mensagem de que homossexuais não são bem-vindos ou inferiores. A interação em espaços públicos não se limita a verbalizações que minam a auto-estima e a disposição dos homossexuais que podem ser comparadas ao bullying, mas também práticas discriminatórias são extremamente comuns. É verdade que práticas discriminatórias ocorrem com negros também, mas há uma diferença importante em relação ao racismo: as pessoas ainda acham socialmente aceitável apresentar a sexualidade como um motivo justo para discriminar, enquanto o racismo precisa de desculpas indiretas e racionalizações para agir. É comum encontrar pessoas que acham natural não querer dividir um quarto em viagem de negócios com alguém homossexual, enquanto que uma justificativa semelhante usando a raça seria certamente caso de demissão. Até mesmo o atendimento em redes de saúde também é uma situação onde existem  relatos de profissionais que evitam e até mesmo se negam a atender homossexuais, enquanto os outros colegas de profissão discutem se essa é ou não uma atitude aceitável.

Como o vídeo de Wanda Sykes mostra de forma humorada,  negros geralmente podem contar com a família (igualmente negra ou inter-racial) para lhes fornecer amor, uma rede de apoio contra o preconceito e ajudar a construir uma auto-imagem positiva. Gays começam sua construção identitária solitários (em uma familia heterossexual, sem modelos de referência próximos e que ensina que ser gay é ruim e vergonhoso). Muitas vezes os jovens gays têm todo o apoio familiar retirado quando o assunto é trazido a tona: recebem menos investimento educacional depois da “decepção” dos pais ou mesmo acabam sendo expulsos (ou levados a sair) de casa. De modo geral, negros tem a possibilidade de construir sua identidade dentro de uma família  afetuosa enquanto gays só conseguem fazê-lo depois de abandonar ou afastar-se de sua comunidade original opressiva, muitas vezes sem levar nada consigo e sem saber onde encontrar e como inserir-se numa nem sempre disponível  ”comunidade gay/simpatizante” que o apoie e permita sociabilizar-se. Não por acaso, temos um alto índice de suicídio entre adolescentes e jovens gays. Existem também alguns trabalhos sobre gays adolescentes moradores de ruas nos EUA (muitos por terem sido expulsos ou levados a sair de casa) infelizmente  não conheço paralelo sobre o assunto no Brasil, mas podemos  intuir que uma situação semelhante acontece por aqui.

E por fim, como a o homossexualidade se apresenta na população geral e não por classe social ou etnia, ser gay e negro/pardo é extremamente comum.  Pode-se admitir perfeitamente que a maioria dos gays é pobre e portanto duplamente invisível para sociedade.  A vida da maioria gay/negra/lésbica/pobre/travesti é algo muito distante da imagem fashion e sofisticada dos gays na mídia (mesmo quando negativamente representados).  O que talvez mostre o quanto é injusto comparar preconceitos quando suas vítimas localizam-se entre tantas intersecções.

Big Brother e Visibilidade GLBT

Big Brother

senso comum ou um pouco mais…

(Hoje, sem papo psi!)

Não assisto Big Brother Brasil acho que desde a sua 3ª ou 4º edição… Não tenho muitas informações para fazer uma análise em retrospectiva de todas as edições, mas me arrisco a trazer algumas impressões iniciais deste primeiro momento, no iniciozinho da nova edição do programa.

No início do BBB, como todo brasileiro viciado em televisão, acompanhava as edições, votava no site para colocar alguém pra fora, torcia e tinha meus favoritos e seguia o jogo, na dicotomia bem maniqueísta do “bem” contra o “ma”l. Sou da geração que foi criado na frente da telinha da TV e não na frente do computador, como essa nova geração do YOUTUBE, Orkut, Facebook e afins… e me envolvi, na condição de telespectador, nesse movimento cultural (inter)nacional que se tornou os reality shows, verdadeiras “caixas de Skinner” onde se experimenta como num laboratório, as múltiplas facetas da natureza humana – e suas “performances”.

Em alguma edições – não saberia dizer se em todas – havia pelo menos um representante gay, seja “assumido” ou não. Lembro-me do André Gabeh, que ficou meio “em cima do muro”. Tivemos o Jean Willys que foi, provavelmente o que ficou mais em evidência, até hoje sendo uma representação forte, por trazer consigo uma formação universitária e intelectual associada a um discurso de afirmação do direito ao respeito e à cidadania. Até hoje ele é uma representação importante aqui na Bahia.

Teve o psiquiatra “urso” Marcelo, que, se não me engano, acabou se destacando mais pela sua forma de jogar que pela sua orientação sexual. O que é interessante, se pensarmos no que significa ter uma ter uma “cota” de gays no BBB, assim como se tem cotas de negros, nordestinos, pobres… Ter GLBTs nas edições do BBB é uma questão de cotas? – pergunto eu. Sendo, tem um lado positivo, pois mostra o desejo geral da comunidade GLBT em se lutar pela inserção dos homossexuais nos espaços públicos, garantindo direitos iguais de oportunidades. Por outro lado, fica parecendo uma coisa tosca, meio politicamente correta, um tanto caricata, como sempre me parece essa questão de cotas. (Polêmica!!!)

A atual edição do BBB me desperta curiosidade, em pelo menos dois aspectos:

1) Número “expressivo” de representantes assumidos da comunidade GLBT (2 gays e 1 lésbica).

2) Por, desde o começo, já haver uma classificação em grupos (ou tribos): coloridos, sarados, belos, cabeças, ligados…

No primeiro ponto, acho que talvez seja um passo importante no que diz respeito à questão da visibilidade, ao trazer um número maior de representantes em sua diversidade. Por outro lado, me faz parecer que a “cota” aumentou em representatividade e diversificou, incluindo o “L” do GLBT. O que está por traz desse aumento na “cota”? É realmente uma questão de dar visibilidade ao movimento GLBT? Objetiva fortalecer as discussões sobre a luta por direitos a casamento, adoção, à luta contra homofobia… ou será apenas mais uma jogada de marketing e uma tentativa de se ampliar as possibilidade de “análise combinatória de casais”, com direito a selinhos entre homens e mulheres, casais, ménage… Homens e mulheres super sexys e gays felizes para animar as festas…

Sérgio, paulistano, universitário, “emo” (ou algo do tipo, talvez um tanto transgênero…), que traz uma imagem do jovem feliz e “bem criado” que recebe o apoio dos pais, que curte moda, festas, que é “modernoso” e segue As da moda musical, fashion, e que cria um personagem para si mesmo, o Sr. Orgastic, que segue os passos de Andy Worhol em busca de seus 15 minutos de fama, ou do Michael Alig, do filme Party Monster, da cultura clubber, kid club. Que vive a noite em busca de FAMA, SUCESSO e GLAMOUR.

Dicesar, maquiador, quarentão, maquiador, drag queen… Recentemente, ao trazer a experiência do primeiro bolo de aniversário aos 40 anos e ao falar da vinculação com a mãe, traz uma imagem menos glamourosa, (embora como drag seja um arraso!). A profissão de maquiador segue um pouco do imaginário coletivo de que homossexual ou é cabeleireiro, ou maquiador, quando não é travesti… Dicesar ao atuar como drag-queen traz um simbolo do movimento GLBT, marcado pelo bom humor, pelo deboche, pela alegria gay. Ser drag é uma profissão, uma performance artística, que às vezes é vinculada à imagem da travesti, ou da transexual – estando no prisma “trans”, mas que traz consigo peculiaridades próprias que é importante considerarmos.

Sérgio e Dicesar representam bem o protótipo gay do imaginário coletivo. Representação que certamente tem procedência, pois faz parte da diversidade que constitui a comunidade GLBT e suas mais múltiplas manifestações. Eles trazem representações da comunidade gay, a drag e o transgênero, que nos apontam para formas antigas e novas, atualizações e releituras, no espaço “entre” os sexos masculino e feminino, numa configuração híbrida do homem-mulher, que geralemnte está presente no imaginário coletivo, nas representações e estereótipos sociais sobre o homossexual.

Angélica, que ao que me parece é a primeira representante lésbica assumida, jornalista e cheia de ideais de realização pessoal e profissional, não segue o estereótipo “caminhoneira sapatão”. Uma mulher “normal” que, se não dissesse que era lésbica, aparentemente passaria batido. Invisibilidade lésbica? Talvez! Seja porque preferimos não ver o não querermos ver e que está na nossa frente, seja porque a homossexualidade não é algo sempre óbvio que está estampado em nossas testas.

No caso do lesbianismo, sua invisibilidade que trás consigo uma sutileza que talvez seja própria das mulheres, ou não! Uma forma se ser e se comportar que não coloca a sexualidade como principal rótulo identitário, por integrar mais facilmente a multiplicidade de papéis… Será? As mulheres não precisam afirmar o tempo todo sua feminilidade… Os homens precisam? As feministas provavelmente já devem discutir um bocado essa questão, ancoradas em categorias de gênero, papéis sexuais, opressor-oprimido, repressão sexual das mulheres, etc etc… Se até Freud admitia saber pouco da sexualidade feminina, é porque talvez tenha algo a mais que escapa a nossa compreensão… (Papo psi!)

O segundo ponto, os vários grupos, as várias tribos, constituídas a priori como que selecionando os grupos por características que, sinceramente, não dizem nada e são artificiais. Rótulos são artificiais e o movimento grupal é muito mais dinâmico e diverso que categorias classificatórias. O mais comum é que todos interajam e estabeleçam vínculos através de outros elementos, às vezes mais sutis e subliminares… Malhar um bocado pode ser um tema em comum entre os sarados, a homossexualidade e a homofobia pode ser um tema que emerja e traga consigo uma expectativa e um alerta, mas não necessariamente são elementos que norteiem uma identificação e constitua um elo, um laço forte de cumplicidade.

Participar de uma tribo não inviabiliza o trânsito nas outras. O transito é cada vez mais comum nos nossos tempos, em que nos vemos cada dia mais como estrangeiros e poliglotas. Falamos várias línguas, transitamos por vários contextos, encenamos vários papéis e somos múltiplos… somos uma unidade pluri-identitária, globalizado e aculturados, seguindo modas, modos e criando novidades.

Tanta novidade causa espanto e meio que nos desconcerta, quando esperamos que cada coisa esteja no seu lugar, cada um na sua casinha, de palha, madeira ou tijolo, como os porquinhos das histórias infantis. Vem o lobo mau e derruba tudo no sopro – ou no trator! Podemos adotar um pensamento como o do Dourado, que numa conversa na piscina com o Sérgio, de que heterossexual é heterossexual, homossexual é homossexual, e que homem que beija homem ou mulher que beija mulher não é heterossexual, ou precisa criar uma nova categoria – o que confunde as caixinhas e os rótulos… E pensar na possibilidade de o primeiro casal gay da casa ser constituído por um homem e uma mulher! Que panacéia!!!

Nada nessa vida me surpreende e acho que tudo é possível nesse mundo cada vez mais incerto e cheio de dúvidas, pela ruptura cotidiana dos velhos modos definidos de ordenamento social. Dá nó na cabeça? Dá! Mas o que seria de nossos cérebros se não fossem o emaranhado de neurônios interconectados e sempre dispostos a novas conexões sinapticas?!

Esse meu papo nada a ver, beirando o senso comum, bem resenha do BBB… muita coisa a se pensar, sem dúvida. Sem teorias, mas com um olhar atento a essas novidades que a TV ainda nos mostra, construindo realidades fugazes e etérias, fantasias concretas que constroem estilos, tendências, gerações…

Beijo a todos e “me liga, tá?!” ;)

Imagem: renjith krishnan / FreeDigitalPhotos.net

Homossexualidade e Família

A família é, sem sombra de dúvidas, o contexto primeiro de nossa construção identitária. É o contexto onde se dá nossos primeiros processos de socialização, os primeiros passos para nosso  desenvolvimento enquanto pessoa e cidadão. Em geral é na família que aprendemos e constituímos nossa personalidade, através da assimilação de valores, crenças e modos de se comportar. Família essa que não se constitui apenas de pai, mãe e irmãos biológicos (família nuclear), incluindo também todo tipo de cuidadores, de educadores, de pessoas que nos ajudam a dar nossos primeiros passos na vida, nos ensina a falar, comer, nos vestir, caminhar.

Creio que um dos principais dilemas do homossexual em se “afirmar” como tal é o ter de se assumir diante da família, em busca de aceitação e apoio. Aceitação e apoio é o que espera, para que possa continuar caminhando e vivendo, enfrentando desafios e dilemas no mundo, nos outros contextos sociais. A “família ideal” é aquela onde encontramos apoio e confirmação, onde somos aceitos como somos, onde encontramos forças para continuar vivendo e crescendo. A “família real”, no entanto, nem sempre condiz com essa expectativa, constituindo-se também como um contexto de desafios e embates que, nem por isso, deixam de ter uma função de crescimento e aprendizado.

Em minha experiência clínica, no atendimento tanto de homossexuais como heterossexuais, me deparo pessoas que vivenciam cotidianamente conflitos familiares, que sentem o peso da falta ou do excesso de carinho, proteção, cobrança, etc, etc… Me dou conta de que não existe família perfeita. Todas as famílias são imperfeitas, assim como todos nós somos imperfeitos, frutos dessas famílias. Somos imperfeitos pois estamos sempre diante de impasses e dilemas e conflitos que nos requerem capacidade de adaptação e ajustamento, que nos obrigam a viver de forma dialética, negociando, fazendo escolhas e concessões, respeitando diferenças e tentando exercer a auteridade. A família é o outro que nos constitui e é constituída por nós. Ela nos cria através de seus ensinamentos, expectativas e vivencias, e se constitui por nós, por nossas ações e presença, e em nós, nos sentidos e significações que criamos dela.

Na família descobrimos os papéis de menino e menina, homem e mulher, pai, mãe, irmão, irmã, filho, filha… todos com seus respectivos repertórios correspondentes. Na família se configura as primeiras classificações e divisões de ocupação, os lugares de ser no mundo.  Entretanto, na vida, descobrimos que esses lugares não são fixos, e podemos transitar em diversos papéis, senão inteiramente, parcialmente. Os rótulos identitários não são mais tão rígidos, embora permaneçam como referenciais, como um modelo, um esquema básico, que nos ajuda a compreender um ordenamento do que seria uma “família”.

Assumir-se homossexual significa colocar em cheque algumas crenças em relação ao que “é” do homem e da mulher, o que é do esperado no ciclo “natural” da reprodução da vida – nascer, crescer, (casar), procriar, envelhecer, morrer -, ao que se espera sexualmente desses dois pares de papéis sociais sexuais. Assumir-se homossexual é romper, pelo menos provisoriamente, com o ideal de perpetuação de uma família constituída por pai, mãe, filhos. É romper com a concepção de casal constituído por homem e mulher, e com seus complementares passivo-ativo, caçador-coletor, matrizes arcaicas da socialidade. Essa compreensão de família que tem como fim a reprodução da espécie é posta em cheque, apontando-se para a “desnaturalização” do humano, para sua condição como ser de cultura e vontade, capaz de transgredir e reformular os modos de vida.

Afirmar-se gay ou lésbica é dizer, a princípio, que não viverá segundo o natural e o convencional, que irá experimentar uma forma nova de casamento e família, que não a esperada. Sim, experimentar uma nova forma de casamento e família.  Pois casar e constituir família não significa que os pares sejam de sexos diferentes. A matriz dessas duas instituições são – ou deveriam ser – o amor, o companheirismo, a aceitação e o apoio mútuo. Para se constituir um casal é necessário esses elementos. Para ajudar no cuidado, na criação e educação de uma outra vida – um filho – é necessário isso. A medida desses elementos pode variar, mas a presença desses elementos são essenciais.

Para um jovem homossexual se assumir, ele precisa desses elementos, precisam se sentir amados, aceitos, apoiados, acompanhados, para que não percam suas referências identitárias, para que não se sintam completamente desenraizados e sós, para que não entrem em desespero por ausência de referenciais. Entretanto, isso é um ideal, pois nem toda família é perfeita… Há famílias que não proporcionam a segurança, a aceitação e a confirmação para que se cresça e se saiba quem se é, de onde vem e para onde vai. Nem toda família serve como guia para a vida, e às vezes se precisa construir esses referenciais ao longo do caminho tortuoso da vida, abrindo caminhos no meio da floresta. Esse trabalho solitário pode ser vitorioso, mas deixa marcar profundas nas formas de viver, de amar, de apoiar, de cuidar de si e do outro, nas nossas formas de se construir em casal e família.

Vivemos hoje um mundo cada vez mais marcado pela solidão e pelo individualismo. Esse modo de vida é um sintoma de uma época cada vez mais presente, de uma conjuntura que nos aponta para a falta de raízes, de referências, de vínculos. Isso vale para todos que experimentam um desligar-se da vida em família. Retorna-se a uma vivencia errante anterior à tribo, em que cada um se vê solto nas florestas – de asfalto – lutando pela própria sobrevivência individualmente. A família, idealmente, é o lugar do abrigo e da segurança, da constância, da acolhida. Longe da família, se é estrangeiro.

Assumir-se homossexual é correr o risco de se tornar estrangeiro, de desabrigar-se, de ir para a vida lutar pela própria sobrevivência. Esse risco pode ser extremamente importante para o crescimento e amadurecimento da pessoa, da aquisição de autonomia e exercício da liberdade… e deixa marcas.

Somos marcados na vida pela dialética entre ser individual e coletivo. A família é matriz da sociedade, é a escola onde aprendemos a ser humanos sociabilizados, educados para a convivência. Após um certo momento, somos jogados na vida coletiva para sermos indivíduos, livres e autônomos, em busca de nossa própria realização pessoal, e em busca de um encontro para vir a constituir uma nova família, nova matriz de sociabilidade, retomando o ciclo. Assumir-se homossexual é romper esse ciclo ou estar nele de outra forma, experimentando outros caminhos, criando novas matrizes, reconfigurando a sociedade.

Isso tudo é um ideal, e uma realidade. Assumir-se homossexual é correr o risco de viver outros caminhos e o mesmo caminho. Assume-se não apenas para si, mas para toda a sociedade, começando pela família. Assume-se uma nova forma de ser família, uma nova forma de ser homem e mulher, menino e menina, filho, filha, irmão, irmã… Tudo muda e continua sendo o que se é, numa transformação que nos dirige para o ser nós mesmos. Não podemos ser outra coisa senão nós mesmos e tentar ser outra coisa não é possível, a não ser encenando-se um papel que não nos assenta bem, que nos aperta e nos causa muito sofrimento.

Quem se assume homossexual espera apoio, amor, aceitação e respeito. A família é o primeiro lugar onde se espera isso, pois sempre será o primeiro lugar onde aprendemos a ser nós mesmos. Família que não é a nuclear e biológica, mas que é local de crescimento. Ao longo da vida podemos viver e construir famílias, vivenciar esse sentimento de vinculação e identidade. É o nosso movimento humano de ser e viver em grupo, em comunidade, em coletividade. Não esperamos nada além disso. Viver com o outro, conviver na multiplicidade de quem somos e escolhemos ser em nossos encontros no mundo.

Universalidade e Diversidade Sexual “entre” Militância, Ciência e Vida

Às vezes fico pensando sobre o meu lugar enquanto pessoa e profissional, no que diz respeito a minhas reflexões relativas às questões relacionadas à homossexualidade e à comunidade GLBT como um todo. Tendo a manter uma perspectiva que, para quem lê os artigos, está entre a vivência pessoal e o olhar do profissional, tentando me manter no campo da observação da vida cotidiana, vivida e relatada pelas pessoas com quem convivo nos meus diversos contextos. Ao adotar essa perspectiva, me coloco um pouco a margem do que se dá no campo da militância política e das discussões – e polêmicas – da comunidade GLBT, entretanto estou atento, recebendo e-mails de grupos de militância da Bahia, que discutem as questões que se dão no âmbito político na esfera nacional.

Considero importante refletir sobre a multiplicidade do fenômeno das “homossexualidades” em suas múltiplas dimensões: sociais, políticas, econômicas, ideológicas, culturais. Acho também de fundamental importância, considerar outros tantos fatores e contextos: as relações estabelecidas no âmbito da família, da escola, da comunidade, dos ambientes religiosos, dos espaços públicos. Acho importante considerarmos que as questões GLBT dizem respeito à vida cotidiana em suas mais diversas formas de manifestação e atualização. Em termos científicos, tentar abordar qualquer fenômeno seria praticamente uma tarefa impossível, mas se não for assim, estaremos sempre caindo em reducionismos arbitrários. Qualquer abordagem sobre a questão da(s) homossexualidade(s) deve levar em consideração a multiplicidade e diversidade do fenômeno, considerando-o múltiplo e multifacetado, dinâmico e, principalmente, existencial.

Os espaços da militância e da ciência talvez sejam os principais espaços de articulação de um discurso político e cultural que, esperamos, tenha repercussões sobre as práticas cotidianas, sobre a vida. O campo da vida, no entanto, é mais múltiplo e dinâmico que qualquer discurso, é a realidade se dando a cada momento, se ajustando, se fazendo, transgredindo e construindo formas de ser e existir. A militância e a ciência andam um passo atrás, são sempre menores que a vida, fazem parte dela, como uma das suas formas de acontecer. Às vezes os discursos que são construídos não condizem com nossa real forma de ser no mundo, são idéias e abstrações, que muitas vezes estão longe da nossa experiência. Porém a NOSSA experiência é a minha e a dos muitos outros. E esses outros caminham juntos a vida, cada um de sua forma, cada um experienciando de forma distinta a sua própria sexualidade, sofrendo e gozando dores e prazeres diversos.

Na vida, os homossexuais são mulheres, homens, transgêneros, ativos, passivos, ecléticos, travestis, brancos, índios, negros, asiáticos, estrangeiros, urbanos, interioramos, pobres, ricos, classe média, católicos, evangélicos, praticantes do candomblé, ubanda, espíritas, mulçumanos, ateus, operários, comerciantes, estudantes, cientistas, roqueiros, eruditos, pagodeiros, ecléticos, bichas, gays, lésbicas, bissexuais, HsH, queers, sapatões, sapatilhas, ursos, barbies, atléticos, sarados, magros, altos, baixos, bonitos, feios, “normais”, mães, pais, filhos, primos, tios, jovens, adultos, idosos, loiros, morenos, ruivos, asiáticos, etc… etc… Tamanha diversidade fala da diversidade do humano, e não diz respeito apenas à homossexualidade. A combinação desses múltiplos fatores compõe um campo de identidades múltiplas, um campo de experiências possíveis que se dão nas vivências do individuo comum.

Ao olhar para esse indivíduo comum, precisamos estar atentos à sua multiplicidade e sua totalidade, à sua universalidade e à sua localidade no espaço, num tempo, numa cultura e nas aberturas possíveis de troca e intercâmbio, de trânsitos que sempre se coagulam no singular universal.  Pensar assim é talvez estar dentro-fora dos espaços da política e da ciência. Ambos, a meu ver, são espaços que visam respostas pragmáticas – embora nem sempre sejam úteis e efetivas – constroem ideais e saberes que visam a transformação de um mundo que está, já, sempre, em transformação constante. Lutar por leis, direitos, por novos significados e ressignificados da vida e da realidade, se dá um passo atrás da vida e da realidade. Vida e realidade se processam no agora de cada instante.

Certamente que dizer isso é procurar briga com cientistas e militantes, que reivindicarão seus devidos lugares e valores, como agentes de mudança e transformação dessa realidade e vida no aqui e agora. Eu mesmo, em parte, sou cientista e militante, e escrever esse texto é um exercício de reflexão política e científica, ao mesmo tempo que é uma ação. Pensar e refletir são ações sobre o mundo, ações na vida presente construindo realidade e atualidade. Assim retomo o começo deste texto, em que questiono meu lugar como pessoa e profissional. Esse é meu lugar, dentre tantos outros. Apenas mais um. Refletir sobre nosso lugar no mundo e na vida é o que nos cabe para vivermos e criarmos vida e lutar.

Quando um relacionamento chega ao fim

Luiz Fernando Calaça

O fim de um relacionamento, em geral, não é uma coisa fácil.  Creio que é importante compreender o processo enquanto processo, considerando os fatores diversos que levaram a esse desfecho. Quando vemos um casal se separar, ficamos constrangidos, surpresos, desorientados, não nos dando conta de que este talvez seja a melhor maneira de se recomeçar uma nova história e seguir em frente aberto a novas possibilidades de ser feliz.

Ao longo de minha não muito longa experiência clínica, me deparo com a predominância de pessoas que vêm para a psicoterapia em função de conflitos no relacionamento. A postura adotada por elas, em geral, é de queixa em relação ao outro e pouca percepção de si, como co-responsável pelo bem estar da relação. O outro está sempre errado e eu sou sempre a vítima. Eu deixei de fazer coisas por ele ou ela, e não sou reconhecido. Eu me anulei por ele/ela.

Há conflitos ainda na fase de namoro, quando se percebe uma “incompatibilidade” de gostos, e uma dificuldade de aceitar que o outro é diferente e não corresponde a nossas expectativas, de que, na verdade, ele ou ela não me completa. Esperar que o outro me complete é a pior miséria que pode acontecer numa relação. Eu sou eu e o outro é o outro. Somos diferentes, e que bom que somos diferentes, pois assim descobrimos o novo.

Pessoas perfeccionistas se irritam com a bagunça do outro. Pessoas comunicativas se incomodam com o silencio e a pouca comunicação do outro. Pessoas monogâmicas se incomodam com a poligamia do outro. Sempre nos incomodamos com o que o outro nos trás de diferente daquilo que consideramos como nossas qualidades, não nos dando conta de que, aquilo que no outro apontamos como defeito, é justamente o que nos falta, a polaridade que não percebemos como constituinte de nós mesmos, nossa sombra, nosso eu alienado.

O outro nos mostra o que não queremos ver em nós mesmos, nossos pontos cegos. E, por não ver, nós nos batemos, entramos em conflito, nos desgastamos no atrito da tentativa de concertar o outro e transforma-lo em um alguém mais parecido com nós mesmos. Puro narcisismo!

Creio que, em geral, esse é o principal fator que leva a separação: a tentativa de transformar o outro em algo que ele não é, ou a tentativa de nos transformarmos em algo que acreditamos que o outro queira que sejamos. A existência autentica de nós mesmos e do outro, e as expectativas frustradas, por na podermos ser quem somos nem deixar o outro ser quem é.

Quanto ao próprio processo de separação, já acompanhei diversas fases desse processo, desde 1) as brigas preliminares, que envolvem a tentativa de adequação um do outro, às vezes perdendo a medida e indo para ofensas mutuas, cada um apontando o defeito do outro, uma coisa horrorosa que envolve muita mágoa e agressão; 2) as separações de corpos, em que o casal se separa e deixa de manter vínculos sexuais, podendo permanecer coabitando, tentando não se envolver diretamente um na vida do outro – o que quase nunca acontece, e sempre há algum tipo de desconforto, principalmente quando há a possibilidade de estabelecimento de novos relacionamentos; 3) a separação legal, quando há os conflitos com a partilha de bens, guarda de filhos, etc.  Essas três fases – creio que talvez hajam mais – se enquadram principalmente no caso de relacionamentos no formato de casamento, em que se constrói um patrimônio, em que se divide uma vida a dois.

Tanto nos namoros como nos casamentos, há uma esperança última de se manter a relação até às ultimas conseqüências. Às vezes pelo simples desejo que permanecer numa relação, mesmo que insatisfatória, às vezes por ciúme e possessão, por não querer ver o outro livre e preferir viver um inferno a dois.

Às vezes, quando há filhos envolvidos, ou quando um dos parceiros depende financeiramente do outro, há uma tendência a se conformar com a relação insatisfatória, tendo em vista certos ganhos secundários, como a manutenção do padrão de vida, a presença dos pais na vida dos filhos e medo de os filhos ficarem “traumatizados”, etc. Assim a relação fica estagnada, numa dinâmica de prazer-desprazer, conforto-desconforto, em que algumas necessidades são satisfeitas e outras negligenciadas. O crescimento de um ou dois dos membros do casal é prejudicado, levando a um estado de infelicidade que pode durar décadas.

Qual a solução para essa situação? Às vezes é a separação. Toda separação envolve perdas e ganhos, compreende uma fase de ruptura e crise, mas se abre como uma oportunidade de abertura para novas possibilidades de auto-realização, de recomeço e de busca por ser feliz. Nem sempre – pra não dizer nunca – se sai ileso do processo, mas é importante ter a clareza do aprendizado que advém da experiência.

Se pode aprender sobre o viver e conviver com a diferença, com as expectativas que criamos acerca de uma relação e do outro, que nem sempre serão satisfeitas, das possibilidades de se aprender a negociar espaços de partilha e individualidade, de construção e co-construção de projetos. O importante, em todo o caso se separação. A meu ver, é tentar aprender a olhar os dois lados da moeda, as perspectivas das duas pessoas envolvidas na relação, a responsabilidade compartilhada por ambos nos rumos da relação e, principalmente, o respeito.

Quando trazemos essa questão para o campo da homossexualidade, em minha experiência pessoal e clínica, vejo que as coisas não são diferentes. Os mesmos conflitos e expectativas que perpassam a relação heterossexual se faz presente nas relação homossexuais. Às vezes o que pode diferir são as expectativas culturalmente criadas em relação às performances de casais gays e lésbicas, quando a fidelidade, dependência financeira e papéis sexuais, a serem desempenhados, que, no final das contas, não difere muito das expectativas de papéis sociais e sexuais do homem e da mulher como um todo. Assim como nos casais heterossexuais com filhos, o número cada vez mais crescente de casos de homoparentalidade – em suas diversas configurações – traz as mesmas questões no que diz respeito aos impactos da separação sobre os filhos. Há, em geral, mais semelhanças que diferenças.

Olhando em perspectiva, não vejo o processo de separação nem como positivo, nem negativo, mas como necessário. Quando já não há mais possibilidades de se encontrar um estado de harmonia mínima na relação, que permita o crescimento dos pares e da família, em suas individualidades e inter-subjetividades, creio que a separação é o caminho do recomeço, do voltar a respirar e do apropriar-se de suas responsabilidades para com a própria vida.

Separar é, muitas vezes, o desfecho necessário, de formas simbióticas, confluentes e, às vezes, psicóticas, de relacionamento, que embotam o potencial individual, em favor de uma ilusão de felicidade que aliena o desejo, os projetos e a humanidade do outro.

Namorar, casar e conviver ainda são, no entanto, formas saudáveis de conhecer a si e ao outro, de construir e criar, de realizar-se com um outro como parceiro de viagem na vida. Aprender a fazer isso só é possível fazendo no viver. Aprendendo com os erros, errando e buscando soluções criativas para questões cotidianas. Experimentar amar é sempre uma aventura.

Imagen: Old Book Illustrations

Coluna do Cesar

 

Colunas e Artigos

Oie……….. voltei………

Antes de mais nd, preciso dizer q hj tô carente e um pouco indignado e mais, a minha proposta de escrever sobre os personagens vai ficar um pouco pra depois d novo…….. não to com saco!!! ………. não estou inspirado *espero q tenha melhorado* rsrsrsrs

Bom, vamos lá……….. estou eu, lindo *pelo menos eu acho!!* e carente, pego uma pizza e uma coca (dessa vez é cola, rsrsrsrs) vou pra kza, entro no bate papo e começo a conversar afim de bater papo, ter pessoas q saibam conversar (e vou procurar no bate papo né!!!! Ainda, acho q vou encontrar, só eu!!!, enfim…) e vou revendo akeles anúncios do tipo ‘machão, discretão, plantadão, passivão, ativão, gostosão’ *ai penso, eles esquecem do idiotão né!!!* ——– uma dúvida!!! Pq aumentativo é pra macho e diminutivo é pra fêmea??? ——— bom……… continuando………. ok, paciência!!!! Kd um com seu objetivo na sala……… até q entra um assim “noite seria”, entonces, yo pienso (q espanhol de divisa, né!) ……. oba!!!! esse deve saber conversar………. ai vem seu primeiro anúncio “ola boa noite alguem afim de um papo serio lago serio de verdade sem enrolação”…. já deu uma brochada, mas enfim……… depois o segundo “sei que é complicado”……… oba, ta melhorando…….. o terceiro “mais estou aqui” (tem um errinho, mas ok, é net, olha como eu escrevo!!!)………. ai ele solta “sou discreto, pplantado, sério”…… *mesmo já sacando a intenção, eu disparo*………….. “eu to afim de conversar”…………. e ele responde “fala”, logo em seguida, “tc d onde”…………. (ah não, o mesmo roteiro, ng merece!!) mas fui tentando, até chegar no MSN…….. trocamos MSN e não houve mais papo. Amém jisuisu!!!!

Então vêm as questões q povoam essa mente aflita e especialmente carente hj!!!!

O discretão, plantadão (mais do q uma árvore centenáaria!!!) só ker enrolação e sexo fácil como a maioria (nd contra, mto pelo contrário, mas hj eu queria conversar!!!), sendo assim, nobres colegas, qual a dificuldade e o pq de se esconder os reais interesses……… voltando ao papo do dentro do armário……. não sei lidar com isso………

Qual a vantagem de esconder as reais intenções? Ou de camuflá-las?

Bom, não mto feliz com meus questionamentos, existe uma segunda pessoa q começo a trocar idéias no MSN…….. idéias essas, legais e interessantes por serem bem diferentes das minhas …………. eu sempre acredito no ser humano, independente de sua orientação sexual, seu rótulo, estereótipos ou coisa do gênero, aliás, hj recebi um email falando do meu signo q a primeira frase era assim “Não se deixe levar pelo preconceito”……… q é td pra mim……… então a construção social por de trás do q um homem, uma mulher, uma criança, um gay, um hetero, um bi, uma travesti, um transexual ou whatever não me importa……… é mto interessante q eu saiba q isso existe e eu sei!!!!! e mais, tenho a consciência d q é essa historicidade e rótulo construído por detrás desses papéis sociais que me fazem tentar enxergar mais do q o papel q historicamente representamos, é o indivíduo, é o ser humano!!!! E ser humano não é estar humano, entende a diferença dos verbos?? Acreditar na igualdade dos rótulos que carregamos é “estar humano” e ser um indivíduo no sentido literal da palavra é um “ser humano”………… ai, pessoas dirão (c é q alguém entende e/ou lê essa m**** aki!!) os dois se misturam, sim!!!! Eu sei!!! Mas eu, não vou acreditar no estar humano, antes de tentar desvendar o ser humano q existe por detrás de vc!!!! Entende a diferença??? (espero q sim!!! Juro!!!)

Ok, ok, ainda vou tentar lutar por pessoas mais ser humano que não tenha vergonha/medo ou qq outro sentimento q a faça estar humana quanto a sua sexualidade……. adoro gays bem resolvidos, despachados, e que não se importam com terceiros!!!! Gosto dos outros tb, mas ele são mais difíceis de lidar, tem q ter mais paciência e hj eu to completamente sem!!!!!

Bye bye for now!!!!

Lusho!!! Até revisei o texto!!!! (só o q tinha underline vermelhinho) kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Imagem: Jaunis on Flickr / CC BY-NC-ND 2.0