Beijos, Carícias, Guetos e Lugares Públicos

Aqui em Salvador ainda é raro ver casais gays beijando em público e fazendo carícias, segurando as mãos, caminhando com os braços em volta da cintura do/as companheiro/as, mexendo nos cabelos do outro, olhando nos olhos… Quando vejo algo parecido sinto uma felicidade enorme, sinto que as coisas estão mudando, que essa nova geração está se criando com mais autonomia e espontaneidade, com menos medos.
Há sempre o risco de agressões e manifestações de homofobia. Muitas vezes é isso o que nos paralisa. Penso nos manejos do controle sutil da nossa sociedade. Deixamos de fazer as coisas, de expressar nosso amor e nosso carinho por medo de um fantasma sutil e implícito que não necessariamente existe de forma tão imediata. Embora agressões existam, elas não me parecem sistemáticas. Segurar a mão do/a namorado/a não necessariamente terá como conseqüência um xingamento ou uma agressão física.
Algumas vezes já presenciei coisas curiosas. Um dia dois amigos estavam caminhando pela Barra de mãos dadas, próximo aos bares que ficam no entorno do farol. As pessoas que estavam nos bares olharam com curiosidade, certo estranhamento, e riam. O rir pode parecer para alguns como uma resposta homofóbica, mas pode também ser uma reação diante do estranho, do novo, do que foge ao convencional. Sabe aquela risada nervosa de quando não sabemos ao certo como nos comportarmos numa situação nova? Pois é isso! Ver casais gays em público é estranho, por ser pouco comum, pelo simples fato de os gays não tornarem explicitas suas carícias.
Sou jovem. Tenho 22 anos. Convivo com gays de outras faixas de idade e é evidente os diferentes comportamentos. Creio que provavelmente sou muito mais conservador e temeroso em expressar meus afetos que um jovem gay de 15, 17 anos. Ao mesmo tempo em que me vejo menos contido que outros de 30, 35 anos. Talvez seja o “choque” de gerações. As mudanças sociais vem ocorrendo de forma muito rápida. Acredito que a sociedade está mudando, tanto por uma maior consciência e aceitação da diferença como por os gays estarem se mostrando mais.
Mostrar-se, tornar-se visível, entrar em cena, ao meu ver não tem nada a ver com militância, mas com atitude cotidiana. É caminhar pelas ruas como qualquer um, fazer o que qualquer pessoa faz, sem que o ser homossexual seja, necessariamente, um elemento primordial e definidor de atitudes. Ao meu ver, temos mais estranhamento sobre nós mesmos que os outros de nós. Idealizamos nossa auto-imagem e a partir dela nos comportamos. Agimos de acordo com nossas expectativas. Se esperamos sofrer agressões, agiremos de tal forma a nos protegermos o máximo possível delas, às vezes reprimindo nossos desejos e ansiedades, às vezes nos arriscando mais do que o necessário.
Os guetos – bares e becos GLS – nos parecem os locais mais seguros para demonstrar nossos afetos e carícias. Nos sentimos protegidos o meio de outros “iguais” a nós. Alguns freqüentam saunas por ser um local aparentemente em que o anonimato é garantido. Me pergunto se isso não é uma ilusão que construímos para nós mesmos.
Posso freqüentar bares, teatros, museus, cinema, praias, ruas, shopping centers, barzinhos como qualquer pessoa. Minha sexualidade não será o meu elemento definidor. Posso ser um transeunte, um consumidor, um sujeito, em todos esses contextos sem, necessariamente, se vítima de violência. Violência existe em qualquer lugar, e podemos ser vítima dela a qualquer momento sem, necessariamente que algo específico como nossa sexualidade seja elemento definidor e mais relevante.
Não quero dizer com isso que não existe homofobia e crimes contra homossexuais. Existe! Existe cotidianamente. E, creio eu, existe muito mais em nossos locais seguros, em nossas casas, nos nossos empregos, na faculdade, entre colegas, amigos e familiares, e entre nós mesmos. Somos nós mesmos, homofóbicos e preconceituosos. Olhamos para o “estranho” que existe no outro, rimos e sentimos desconforto, criticamos os excessos, o espalhafato, o estereótipo que, nós mesmos, rejeitamos em nós. Criamos nossos limites invisíveis e nos violentamos pela não aceitação de nós mesmos, de nossa forma de ser e sentir.
Sinto um grande carinho por quem eu amo. Nem sempre expressamos isso em público. Mas caminhamos lado a lado, olhamos nos olhos, almoçamos e tomamos sorvete juntos, vamos ao cinema, caminhamos pela cidade, um do lado do outro. Caminhar lado a lado é manifestação de afeto e intimidade. Às vezes nos tocamos nesse caminhar. Às vezes fazemos carícias. E o mais importante é não pensar sobre o que estamos fazendo, se, como, onde ou quando estamos fazendo. O importante é ser nós mesmos nesse caminhar e ter cuidado para não deixar que nossas fantasias e medos se realizem por torná-las mais reais do que são.

O problema hormonal da sexualidade

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Sentado na platéia ouço um renomado médico baiano especialista em reprodução humana. Sinto-me como se estivesse acordado de um sonho. Na verdade não seria bem um sonho, mas uma espécie de despertar após um estado bestial de ingenuidade. Talvez o costume com discussões que questionam certos padrões de comportamento, combatem a discriminação, o machismo, por exemplo, tenham me feito esquecer que também e principalmente no meio acadêmico há ainda pensamentos que cultuam a manutenção dos princípios de uma sociedade hipócrita, discriminatória e preconceituosa.

Sua fama e seu alto conceito no mundo científico e na mídia principalmente é chamariz para um auditório lotado. O tema da palestra: Qualidade de vida. No início pensei que os organizadores pudessem ter se enganado com o convidado, mas depois tive certeza. O tema da palestra não era o mais adequado para o palestrante e logo nos primeiros minutos era perceptível que a sua fala não ia ser diferente do que estava acostumado a proferir, apesar do levíssimo esforço para se adequar ao propósito do evento.

E vamos as suas pérolas. O início aterrorizante sobre as doenças sexualmente transmissíveis é realmente de meter medo. E o problema é mesmo sério. Há de perceber certo olhar culpado e meio desconcertado dos ouvintes. Quem nunca num momento mais afoito ou instintivo não deu uma escorregada e não se cuidou num ato sexual? Aliás, instinto para ele é a essência do ser humano. Seu discurso é todo justificado no fato do homem ser um animal. E coitada das mulheres, não sentem desejo pelo sexo oposto. Todo aquele fogo pelo peitoral do Gianecchini, ou pelas pernas de algum jogador de futebol é apenas interesse, e interesse material.

A mulher é biologicamente incapaz de sentir desejo pelo homem. Seus níveis hormonais não lhe permitem isso. E nem adianta elevar o a testosterona, o hormônios que faz sentir desejo, o resultado seria a mulher sentir desejo por outra mulher. Sua função é procriar e aquelas que possuem ancas largas, seios fartos não precisa nem ser bonita, essas são as melhores e as mais desejadas, pois possuem melhores condições de oferecer um descendente forte e robusto para o macho, garantindo assim a perpetuidade dos seus genes. Alias é com as galinhas que elas se parecem. Segundo ele não existe comparação mais perfeita. Como as galinhas as mulheres só se preocupam em comer e ciscar no seu poleiro, o galo, o macho, é quem se interessa por copular e para a galinha só resta chocar os ovos. No momento do vamos ver a galinha nem olha para o galo, continua a comer.

A vontade que tive era de gritar bem alto: “Mulheres da platéia que se contorcem de riso, essas galinhas são vocês”. Será que elas não perceberam que isso tudo é uma nítida referencia a nossa querida e famosa Amélia? Que é um discurso científico disfarçado de piada validando tudo o que aquelas que queimaram seus sutiãs anos atrás lutaram contra e na atualidade as risonhas da platéia se enchem de orgulho vangloriando-se da independência feminina e de sua superioridade?

E não acabou o papel da Amélia. Para aquelas se sentem incomodadas com a falta de desejo o seu conselho é fingir. Revirem os olhos, gritem junto com ele na hora do clímax, acompanhe o ritmo do seu garanhão para que no final ele possa bater no peito e se sentir o máximo. Eles precisam mesmo é se satisfazer. Não conseguem resistir ao cheiro de uma fêmea. È uma imposição biológica.

Para a homossexualidade não há solução, só resta se conformar. O gay é um ser humano no corpo de homem que tem o gene gay desde o seu nascimento. Nas relações entre dois seres deste tipo não existe desejo sexual, porque eles não são machos e macho só sente desejo por fêmea. Aos casais gays com longo tempo de relacionamento não existe sexo. E se existe sexo um sempre tem o papel da mulher. No caso das mulheres se elas se sentem atraídas por outras mulheres o nível de testosterona de uma é muito alto e a outra provavelmente teve vários relacionamentos frustrados com homens, por isso aceita essa condição.

Por fim veio a grande propaganda do seu trabalho científico. Não sei quais foram os dados utilizados para isso, e tenho até medo de saber, mas o Doutor afirma que o seu trabalho com o planejamento família durante os últimos vinte anos na cidade de Salvador é o responsável pela diminuição da violência e marginalidade nesta cidade. Vem lançamento de livro por aí, aguardem. Também não tenho idéia de onde ele tirou que a cidade esta menos violenta, mas tenho idéia de onde vem o seu pensamento que o sujeito que é criado sem pai é um marginal em potencial. Diz o velho ditado que macaco não olha para o rabo, deve ser por isso, que este doutor que deve ter uma família exemplar, faz este tipo de afirmação.

Assim como as mulheres, fêmeas da platéia que riram e se divertiram ao serem chamadas de galinhas, muitos homens, machos devem ter se sentido muito confortáveis ao terem suas puladas de cerca justificadas por uma questão hormonal. Não sei em que planeta vive o palestrante, mas sei que sua palestra fere diretamente com tudo o que se tem lutado contra durante anos e vem se tentando modificar como, por exemplo, a história das mulheres que tem um longo período de submissão e anulação de sua vida, contra o direito de ser e amar, diferente dos padrões de uma sociedade que preza por valores e comportamentos para manter os interesses e privilégios de uns poucos. E tudo isso sobre o aval de algo que se tem como incontestável e mensurável: a ciência.

Além de não levar em consideração que o homem é um ser social e portanto fruto das relações construídas historicamente, ignora este processo histórico da humanidade onde essas relações se transformam e determinam por exemplo o modelo de família. Modelo de família idealizado ainda hoje e que não diz respeito a realidade de muitos, ou melhor da maioria. Sem contar na visão preconceituosa e machista sobre a mulher que sua única serventia é parir. O que prega este doutor é a manutenção de comportamentos como o de pendurar um lençol com mancha de sangue na janela dos recém casados para mostrar a todos que a jovem era virgem, sob pena de ser devolvida aos seus pais, como um objeto, se não houvesse sangramento.

Não sei se os direitos conquistados pelas mulheres tenham sido lá grande coisa, afinal ainda hoje o mundo é dominando pelos homens, ela continua sendo explorada, mão-de-obra barata, dupla jornada de trabalho, sustenta a casa e ainda tem que dar conta dos afazeres domésticos, tem seu corpo vendido como objeto sexual, é vítima dos padrões de beleza impostos pela indústria da moda, mas o que sei é que pensamentos retrógrados como estes devem ser combatidos com todas as forças não só por elas que sofrem na pele os estigmas de ser mulher, mas também pelos homens que sofrem as conseqüências da desadaptação as novas estrutura de família, e também pelos homens gays e mulheres lésbicas que tem suas vidas escondidas e camufladas para poderem serem aceitos dentro dos padrões irreais do que é ser homem, do que é ser mulher, do que é ser macho e do que é ser fêmea.

No entorno da criança intersexual

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Durante cerca de um ano e meio participei de um grupo de pesquisa da UFBA sobre o tema da maternidade. Uma das mestrandas do grupo era psicóloga de um centro de referência em intersexualidade que funciona no Hospital das Clínicas – HUPES. Nas nossas discussões, a partir das entrevistas realizadas com as mães e avós de crianças intersexuais se evidenciava as angústias e incertezas vividas por familiares e profissionais para se determinar qual o sexo da criança.

Geralmente associado a questões genéticas, a intersexualidade está ligada à má formação das genitálias masculina ou feminina da criança. O problema maior é que, logo que a criança nasce esta é registrada em cartório com nome de menino ou menina, a depender do sexo biológico evidente.

Um recurso que pode ser realizado para se determinar o sexo da criança seria a investigação do genótipo, para se detectar se a criança é XX ou XY. Entretanto, a intersexualidade muitas vezes pode estar relacionada a síndromes genéticas que transcendem a questão fenotípica, sem contar que, o acesso aos testes genéticos são restritos e não é prática difundida, principalmente no interior, onde a definição do sexo da criança se dá de forma aleatória.

Por se tratar de genitália ambígua, dizer se é menino ou menina é um impasse para todos – família e profissional de saúde. Às vezes a má formação das genitálias requer a realização de cirurgia de correção imediata, com fins anatômico-funcionais e estéticos, porém nem sempre o resultado é satisfatório.

Vem se discutindo as implicações éticas dessas cirurgias de correção de sexo, levando-se em consideração que, atualmente, a genitália não é o elemento fundamental para se determinar o sexo e, principalmente, a orientação sexual do indivíduo. As discussões sobre os/as transexuais é um do exemplos desse impasse.

Alguns são a favor de que seja realizada uma primeira cirurgia na infância e que a cirurgia definitiva se dê na adolescência, quando se pressupõe que o sexo do sujeito esteja definido. O que acontece, no entanto, é que muito dessa definição sexual se dá pela socialização, em que papéis sociais que diferenciam “menino” e “menina” são transmitidos e interiorizados.

Além da nossa constituição – e “determinação” – genética, somos principalmente seres sociais e nossa identidade se constitui nas relações estabelecidas com os diversos papéis que nos são apresentados. A família se constitui a matriz de formação desse elementos identitários, e a definição do sexo é um dos primeiros elementos que perpassam essa formação. O não saber sobre o sexo da criança implica num não saber sobre o sujeito que acaba de vir ao mundo. Este acaba ficando no limbo, podendo ser estigmatizado desde cedo.

Tanto a família como a criança sofrem pressões sociais e são submetidos a julgamentos. A mãe se culpa por ter gerado uma criança “defeituosa”, quando a questão não envereda pelo campo da crença, quando associada a punições divinas, a possessões demoníacas, ao mal olhado, e outras tantas possíveis explicações mágicas sobre o fenômeno.

É neste momento que a ciência é chamada a dar seu parecer. Médicos, psicólogos, educadores acabam sendo interlocutores importantes da família, co-responsáveis pelos caminhos de formação dessa criança. É importante acompanhar o desenvolvimento dessas crianças não como meros objetos de estudo científico, mas como sujeitos plenos de direitos que precisam ser integralmente respeitados na sua condição de humano e cidadão. Definições identitárias, por mais que convencionalmente sejam ainda necessárias, também precisam ser (re)pensadas, para que possamos construir, no futuro, uma sociedade capaz de integrar as diversas manifestações da natureza, no humano.

Amor e (homo) sexualidade: casamento, parcerias, relacionamentos e homoparentalidade

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O relacionamento homossexual foi por muito tempo estigmatizado, tanto por hetero como por homossexuais.

Para muitos heterossexuais, a vivência da sexualidade homossexual é/era vista como promíscua, marcada pela grande rotatividade de parceiros, por práticas livres e descomprometidas de sexo com múltiplos parceiros.

Essa imagem, creio eu, está provavelmente associada ao movimento de liberação sexual vivido intensamente na década de 60, tendo suas repercussões negativas acentuadas pelo surgimento da AIDS, e pela associação do grupo gay no chamado “grupo de risco”, sendo a AIDS a “Praga Gay”.

Nos últimos 20 anos, com a propagação da AIDS a outros grupos sociais, incluído as “mulheres casadas e monogâmicas”, deixou-se de falar em grupo de risco, passando a enfocar os comportamentos de risco, como transar sem camisinha e o uso de drogas injetáveis. Durante esse período, os grupos GLBTT vem militado do sentido da conscientização da sociedade, atuando em campanhas pelo uso da camisinha e orientação sexual.

No entanto, a representação social da sexualidade homossexual continua, ainda sendo associada à promiscuidade, irresponsabilidade, grande rotatividade de parceiros, por práticas livres e descomprometidas de sexo, inclusive dentre os homossexuais.

Muitas lésbicas criticam os gays pela falta de estabilidade nas relações, pelo comportamento de “caça” masculino e machista, pela irresponsabilidade e pela fugacidade com que lidam com o sexo e os relacionamentos a dois.

Muitos gays vêem as lésbicas como ciumentas, possessivas e soltam piadas de que, no segundo encontro, duas lésbicas já pegam as malas e vão morar juntas.

Além disso, associa-se as travestis a imagens de submissão, sempre mantendo relacionamentos desiguais, em que elas sustentam gigolôs e sofrem violência deles, menosprezando a possibilidade de vivência de um relacionamento constituído a partir do amor.

Todas essas perspectivas e representações podem, de fato, ocorrer com certa freqüencia, não sendo de todo inverdades. No entanto, não creio que devem ser as únicas representações e vivências possíveis de relação amorosa.

Nos anos, e principalmente, nos últimos meses, com a realização das conferências GLBTT no Brasil, vem sendo discutido de forma mais efetiva questões como o casamento gay e a homoparentalidade. Tais temas demonstram uma preocupação tanto no sentido da igualdade de direitos, como na mudança de postura, e de representação social sobre o que os homossexuais compreendem, vivenciam e desejam, como relacionamento a dois e como constituição de família.

Desde sempre já existem casais que moram e convivem de forma estável e duradoura, que criam filhos e constituem famílias. As organizações às vezes variam, não seguindo necessariamente o modelo heterossexual, com divisão de papéis sexuais bem estabelecidos, em que um dos pares adota o papel masculino e ativo, e outro adota o papel feminino, materno e submisso, voltado para o cuidado do lar e dos filhos.

Vivemos numa sociedade cada vez mais complexa, em que o casal tem, igualmente, que trabalhar fora de casa, e, as posições sexuais passivo-ativo não necessariamente condizem com uma prática real, configurando-se muito mais como um mito ou como mais uma representação social culturalmente construída.

A própria instituição da família, que foi por muito tempo criticada, questionada e descaracterizada como uma importante matriz de constituição social, vem, neste movimento, sendo resgatada, a partir de uma outra configuração, mais flexível, baseada no desejo de uma estabilidade não aprisionante, construída a partir do desejo de viver um relacionamento baseado na aposta no amor e no companheirismo e sustentado pelo desejo de desfrutar igualmente dos direitos usufruídos pelos heterossexuais.

O casamento gay aparece então, tanto como um símbolo de legitimação do relacionamento homossexual, na tentativa de desconstruir estigmas e preconceitos, como para garantir direitos civis, como o benefício social da aposentadoria-pensão, da propriedade, de seguros de vida, além do direito da adoção homoparental.

Durante muito tempo os casais homossexuais vêm sendo denominados como “parceiros” ou “companheiros”, e não vistos como um “casal”. Essa idéia de parceria às vezes é sentida com certo incomodo, como se fosse inferior ao “casal” que se constituiria com o casamento, como se fossem menos válidos, pouco dignos de respeito e credibilidade. No entanto, pensar um relacionamento sem parceria, sem companheirismo e sem cumplicidade pode ser, isso sim, a descaracterização dos valores que, efetivamente, deveria significar a união a dois, seja homo, seja heterossexual.

Caímos, então, no ponto crítico e polêmico dos valores. Valores que atravessam todo esse meu texto. Num mundo em que a idéia de valor e ética são postos em dúvida, nos vemos num movimento, creio eu, de transfiguração, de transvaloração, e, principalmente de resgate. Resgate do humano, transcendendo estigmas, dirigidos à utopia de uma sociedade e um mundo de igualdade a partir da integração da diversidade.

Sobre a (in)visibilidade gay na sociedade do consumo e do espetáculo

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Ontem houve a parada do orgulho gay em Salvador. Não compareci a ela. Não sei ao certo o motivo de não tê-lo feito. Poderia rascunhar algumas razões, tentar racionalizar sobre o tema, ou simplesmente levar para terapia. Por que precisamos ir para as paradas? Deixo essa questão em aberto.

Ao mesmo tempo, deitado a poucos minutos em minha cama, pronto para dormir, me vieram lapsos de idéias que considero importantes de serem discutidas. O primeiro se trata da visibilidade gay. Participar de paradas significa, em parte, dar visibilidade, dentro da sociedade, da existência da homossexualidade, transexualidade, das travestis, e de toda essa diversidade de manifestações e expressões do humano.

As paradas tem um objetivo político, de ocupação do espaço público e da afirmação de identidades múltiplas, de luta pela conquista de direitos, da crítica à homofobia e à indiferença à singularidade humana. Essa é, a meu ver, o sentido radical da existência das paradas.

Por outro lado, vejo uma certa confusão e banalização do evento, muitas vezes desvirtuado e associado ao carnaval. Já obtive relatos de pessoas que participaram da parada de São Paulo, por exemplo, este ano, que presenciaram situações de assédio sexual e violência, com forte teor de homofobia, por pessoas que compreendiam – miseravelmente – que a parada era uma grande festa em que ninguém era de ninguém.

Assim, não me parece de todo inverdade minha percepção de que a parada, que antes se configurava como um momento de ruptura, de estranhamento – queer – de transgressão, passa a se tornar produto, objeto de venda, impregnando-se de interesses comerciais. Curiosamente, dias antes da parada, vi duas pessoas no ponto de ônibus em frente ao Hotel Othon, vindos de um congresso sobre turismo GLS, em que havia estampado numa pasta em preto a frase “Eu amo viajar”, tendo o “amo” a forma de um coração com as cores do arco-íris.

Por um lado, essa iniciativa pode ser vista com bons olhos, como um avanço sobre os direitos GLBTT, ao ser incluído um serviço diferenciado voltado este público. Por outro lado me causa certo estranhamento, pois o bom atendimento nos serviços de hotelaria e turismo que deveria ser natural para todos, independente de cor, gênero e orientação sexual, passa a se dar a partir de uma discriminação de um público “consumidor”. Qual é o foco: o bom atendimento do cidadão ou o gay que tem dinheiro e pode consumir?

(Sem contar que nem sempre aquele que serve, necessariamente, deixa de ter seus preconceitos revistos e passa a respeitar autenticamente o gay em sua diferença).

Incomoda-me ser visto como um consumidor em potencial, e não como um humano como qualquer outro. Seria ingenuidade, no entanto, pensar que é possível que as coisas se dêem de forma diferente numa sociedade capitalista, em que tudo se converte em produto e consumo.

Outro aspecto que me incomoda e me põe a refletir é a inserção de personagens gays em novelas da TV. Lembra-me muito o caminho percorrido pelo movimento negro, em que passou a existir cotas, x% de representantes negros entre os personagens das novelas, nas propagandas de televisão. Agora vemos cotas para gays nas novelas, oras expressando a diversidade do fenômeno, oras reproduzindo estereótipos, mas nem sempre aprofundando temas verdadeiramente relevantes, tangenciados apenas, ensaiados e não exibidos.

E, novamente, há por traz os interesses e a lógica do mercado, da importância, nos meios de comunicação de massa, de se criar uma marca, um rótulo que atraia um público consumidor “G”.

Fico me perguntando com meus botões: de que vale essa visibilidade? Ela realmente traz consigo um movimento de desvelamento ou é encobridora? O lado que se revela, encobre o, que em sua aparição? E, principalmente, o que tudo isso me espelha, me reflete e me projeta, me faz pensar sobre minha própria condição?

Em que o meu revelar, o meu tornar-me visível, faz de mim diferente, muda verdadeiramente minha condição perante a sociedade? Sou, em meu revelar, verdadeiramente aceito e respeitado, ou sou concebido como aquele que, apesar de tudo, sou apenas consumidor, consumido na engrenagem da máquina do capital. E, neste revelar, me singularizo ou mergulho na massa? Sou humano, converto-me em humano, ou me (des)humanizo? O que tudo isso significa afinal, o que me significa?

Penso se posso ser estranho em minha singularidade, não sendo nada e sendo eu mesmo. Não me parece absurdo pensar isso! Creio mesmo que seja bastante queer. Não ser nada e ser tudo. Mostrar-me e/ou esconder-me, revelar e ocultar, transitar pelos espaços no espaço invisível da singularidade, no anonimato daquele que simplesmente é, em si, único. Não sei se isso é possível, nem impossível.

Posso caminhar na multidão? Posso ser, sozinho, multidão?

Palavras homofóbicas e pequenos gestos simpatizantes

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Algumas vezes vemos políticos e celebridades envolvidas com polêmicas e processos com grupos ativistas por declarações homofóbicas. Embora em algumas delas os alvos principais da declaração sejam os próprios homossexuais (dizer, por exemplo, que um gay deve apanhar por ter-lhe paquerado), na maioria dos casos a homofobia se manifesta como depreciação da homossexualidade através do xingamento a uma terceira pessoa (fulano é “viado”). Curiosamente, muitos não enxergam homofobia nisso.

Quando um político chama seu oponente de “viado” ou uma celebridade compara fãs à “boiolas”, ele está fazendo um juízo de valor. A mensagem é bem clara: ser homossexual é algum muito ruim, algo que ninguém quer ser e, por tanto, serve de xingamento. Não há muito como fugir ao consenso que, fora situações inusitadadas, ninguém é “xingado” de heterossexual, milionário ou lindo. Então, por que tanto homossexuais parecem relutantes em enxergar a natureza homofóbica destas declarações? Consigo perceber duas correntes nesse discurso: a naturalização da homofobia e a auto-depreciação.

O primeiro aspecto está posto diante de nossos olhos: a população ainda usa a homossexualidade de forma depreciativa diariamente. A comunicação, em particular a masculina, muitas vezes inclui a afirmação de masculinidade através da negação da homossexualidade e brincadeiras de natureza homofóbica são moeda de troca comum nas sociabilizações, festinhas ou na mesa de bar. É um assunto fácil, uma piada pronta para se enturmar com novas pessoas. Bem, nem sempre. Hoje algumas pessoas já demonstram seu desconforto quando alguém novo faz uma piadinha homofóbica e o sujeito fica sabendo que fulano, que pertence ao grupo, é gay. Descoberta a gafe, as piadas podem até não desaparecer completamente, mas certamente distanciam-se daquele circulo. Mas essa situação é a exceção, via de regra, gays acostumaram-se com as piadas e xingamentos referente as homossexualidade que aprendem a ser surdos, de tão naturais, ignoram as declarações como se não lhes dissessem respeito e não fossem mais capazes de causar indignação. É um mecanismo de defesa compreensível em ambientes hostis, talvez a única forma de sobrevivência (psicológica ou mesmo física) de muitas pessoas. Mas perder a capacidade de indignar-se também tem seu preço alto, e aqui entra o segundo fator: a auto-depreciação.

Me pergunto se há tantos homossexuais que não vêem problema nenhum em seu ídolo usar a homossexualidade como xingamento e forma de depreciação justamente porque, em certa medida, eles de fato acreditam nesta valoração e que a homossexualidade teria algo de inferior? Ora, minha suspeita encontra eco na incrível quantidade de homossexuais que se utiliza de xingamentos homofóbicos entre si. Claro, não me refiro as brincadeiras e as resignificações que são feitas com certas palavras: viado, por exemplo, é muito usado com intenção de familiaridade e intimidade (aliás, heteros também o fazem entre si). O que está em questão aqui é a possibilidade de não perdemos a sensibilidade diante do uso depreciativo dessas palavras no contexto de ofensas.

Indignar-se é bom, faz bem não aceitar indiferente todas as manifestações de desvalorização que se apresentam. Não afirmo com isto que todos podem e devem se levantar e reclamar a cada declaração homofóbica pois há contextos em que isso implica em ameaça a própria sobrevivência. Mas isso não significa, por outro lado, que é preciso aceitar pacificamente. Da próxima vez que alguém, achando que vai lhe divertir, fizer uma declaração ou piadinha homofóbica que tal, ao invés de devolver aquele sorriso amarelo e constrangido, não rir e, quem sabe, franzir as sobrancelhas? Um gesto simples, um silêncio de não concordância, uma expressão de desaprovação, pode iniciar uma micro-revolução ao seu redor e lhe garanto, vai fazer você se sentir bem melhor quando olhar no espelho.

Bissexualidade ou a terceira margem do rio?

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Para mim é inevitável pensar a bissexualidade sem recordar de um conto de João Guimarães Rosa, chamado “A terceira margem do rio”, que traz a história de dois personagens, pai e filho, que lançam-se em uma canoa no rio, habitando até o fim a margem terceira, o entre-lugar, a superfície líquida das águas, a passagem. Tomo de empréstimo esta metáfora porque penso que ela cabe como representação e, longe de comportar uma definição, uma resolução ou o que seja acerca da bissexualidade, penso que talvez a terceira margem seja a forma menos cartesiana de se relacionar com a bissexualidade e que esteja em maior sincronia com a própria existência, que abarca inclusive a vivência da sexualidade em suas diversas possibilidades.

Pensar a vivência da sexualidade já é um processo complexo e pensar a bissexualidade não deixa de ser menos ou talvez até mais complexo, posto que aos poucos entre dois espaços que se destacavam, ou seja, entre homossexuais e heterossexuais, um espaço que não digo novo, mas silenciado, se abre e com ele as discussões. Os posicionamentos em relação à bissexualidade são múltiplos e englobam desde a rejeição à aceitação como uma possibilidade de vivência, que se caracteriza primordialmente pela não ocupação de um lugar definido. Apesar de todas as discussões que circulam acerca da pluralidade de identidades que um indivíduo carrega, sempre parece cair na mesma questão de que para ser algo, para partilhar de uma identidade, necessariamente tenha que excluir a outra, que porventura também faça parte da construção do mesmo indivíduo. Talvez uma das maiores problemáticas acerca da bissexualidade seja justamente a de que a sociedade o tempo todo necessita de uma organização didática para as questões que circulam dentro da mesma, inclusive em relação à sexualidade. Para fins didáticos, a orientação sexual de um indivíduo deveria então encontrar-se posicionada ou na homossexualidade ou na heterossexualidade. O que fazer então diante da bissexualidade? O que seria esta vivência?

A reação diante da bissexualidade, como citei anteriormente, não parte somente dos heterossexuais como também dos homossexuais, que muitas vezes encaram a mesma como uma aparente ausência de posicionamento em relação à homossexualidade. Em um contexto, em que a luta por espaço, voz e principalmente por direitos se revela cada vez mais presente, a bissexualidade acaba sendo interpretada como uma posição de conforto por muitos, como a saída em viver a homossexualidade e manter-se inserido naquilo que é considerado como “socialmente aceitável”. Termos como “vida dupla” frequentemente aparecem nas discussões que rodeiam o cotidiano dos bissexuais. Ser bissexual carrega, dentre muitas rotulagens, o estigma de uma vida “em cima do muro”, “às escuras” ou até mesmo um certo oportunismo.

Diante das inúmeras reações à bissexualidade, questiono-me se a sexualidade é apenas algo a ser tratado como uma simples questão de posicionamento. A sexualidade é atravessada pela cultura e aquilo que entendemos como sexualidade não é vivenciada sem a interferência da mesma. O que entendemos como sexualidade nos chega através da linguagem, da relação com o outro, da arte, do corpo. A sexualidade é um conjunto de pontos que se tocam, se cruzam, se atravessam, se misturam. Como então questionar os limites de algo que é totalmente atravessado por questões que estão constantemente em movimento? Se a própria sexualidade é vivenciada em sua dinâmica de fatores que se misturam, sendo ela distinta para cada indivíduo e sendo ela mais abrangente, como reduzir à bissexualidade à ausência de uma posição, teoricamente a ser tomada? A sexualidade é dinâmica, mutável e acredito que tudo que a ela esteja relacionado também siga este fluxo.

Ao iniciar o presente artigo, falei brevemente sobre o conto de Guimarães Rosa, “A terceira margem do rio”. Viver a terceira margem do rio é viver a consciência da transitoriedade de uma forma positiva, pois este é o princípio básico da vida. A margem fixa nega o princípio da vida, pois é fixa, não muda, não movimenta-se. A terceira margem é justamente a vivência, a consciência de que nada é imutável, pois somos atravessados pelo tempo. Acredito que a bissexualidade seja a terceira margem do rio, como a homossexualidade e a heterossexualidade. Tudo está relacionado à sexualidade, faz parte dela, atravessa, modifica. Entender que não se trata de uma questão de posicionamento, mas sim da própria condição da vida humaniza a questão e a afasta da mira de um radicalismo pueril. Acredito que toda e qualquer expressão da sexualidade é possível porque a sexualidade é múltipla e o ser humano, palco desta vivência, está constantemente em mudança, exposto a experiências distintas, a contatos distintos. Engessar a sexualidade em categorias didáticas é negar, reiterando, à própria dinamicidade da vida, que nunca se apresenta de uma forma só, em um ângulo somente, em um momento apenas. E, como foi dito anteriormente, já que a bissexualidade, homossexualidade, heterossexualidade compõem o mesmo todo e se atravessam, deveriam também ser entendidas e vivenciadas como uma margem não fixa, que atende ao movimento do tempo, das mudanças, das experiências e que nem por isso deixa de ser possível para aqueles que transitam por ela.

Onde está a homofobia?

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Além da homofobia violenta e explicita, aquela que é ameaça imediata a vida e a direitos básicos, existe a homofobia cordial, que estamos pouco acostumados a perceber mas que nos fins das contas, é a responsável por manter as coisas como estão.

Graças a conquista de leis antiracismo e anos de trabalho, as manifestações explícitas de racismo no Brasil de hoje estão à margem social. Embora nosso racismo esteja infiltrado em diversos aspectos de nossa sociedade, é difícil encontramos uma pessoa que encarne, para si e para os outros, o estereótipo do racista. Por isso mesmo, estamos cada vez mais atentos aos mecanismos que sutilmente mantém e reafirmam o racismo num pais em que “ninguém é racista”. O mesmo não acontece com a homofobia. Por mais que o quadro geral possa ter melhorado, ainda é socialmente comum encontrar pessoas proclamando em alto em bom som seu ódio aos homossexuais ou até mesmo dizendo “sou homofóbico mesmo”. Ora isso não é surpresa num pais onde 39,7% dos pais e mãe, segundo a pesquisa de UNESCO, adimitem que não gostariam que seus filhos tivessem colegas homossexuais nas escolas, ou que 45% dos brasileiros acha justo negar o direito à união civil a parte da população homossexual. Enfim, com esses números, não é difícil imaginar que todos devemos conhecer uma ou mais figuras que se aproximam da personificação do “homofóbico” ou “homofobo”.

O fato de direitos básicos se encontrarem ameaçados por inimigos tão explícitos e ferrenhos faz com que muitas vezes não tenhamos tempo para refletir sobre os mecanismos mais sutis da nossa cultura que no fim das contas, tal como funciona para o racismo, alimentam a lógica homofóbica. Mas basta pensar que este indivíduos raivosos não surgem do nada para começarmos a questionar onde está a homofobia na parte da sociedade que, como muito brasileiros dizem, “não tem nada contra” homossexuais. É um assunto muito amplo e vou deixar a responsabilidade com o leitor de refletir sobre toda a complexidade de atos que envolvem a reafirmação da homofobia em nosso cotidiano. Mas vou contar alguns episódios instantâneos de homofobia cordial a seguir:

Pedro “tem vários amigos gays”, simplesmente “os adora” e “não tem nada contra”. Mas quando o sangue sobe um pouco, qual o primeiro xingamento que lhe ocorre? Isso mesmo: bicha, veado.

Laura é amiga de infância de Suzanna, que é lésbica. As amigas de Laura decidem fazer um happy-hour e soltam algumas “brincadeiras sobre sapatão”, Laura dá um sorriso amarelo e decide não chamar Suzanna para a reuniãozinha, para “o próprio bem da amiga”.

Joana é amiga de Claudinho, que é gay. Diverte-se muito com ele e reclamava quando seu marido fazia referências homofóbicas ao seu amigo. Quando seu filho contou que era gay, Joana reagiu mal e pediu que ele mantivesse isso em absoluto segredo.

Quando Marcelo revelou que era gay, Augusto disse que não tinha problema algum e continuaram amigos. Um dia Marcelo não quis emprestar seu carro e Augusto ficou indignado, afirmando que Marcelo não era capaz de retribuir o “favor” que ele fez ao manter a amizade.

Leo é gay, mas acha o ambiente que trabalha machista demais para se revelar. Lá trabalha um rapaz de modos efeminados que todos costumam fazer brincadeiras pelas costas. Apesar de não ter nada contra o rapaz, Leo fica tão apavorado que também faz piadas sobre seu jeito feminino. No final do dia, sente-se culpado.

E você, reconhece ou até se reconhece em alguma dessas situações? Olhe ao redor e verá que não precisar andar com um cartaz “Morte aos Gays!” para alimentar a homofobia cotidiana.