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	<title>Núcleo UNISex &#187; adolescente</title>
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	<description>Universalidade e Diversidade Sexual</description>
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		<title>VIII Parada Gay de Feira de Santana</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Aug 2009 23:15:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Núcleo UNISex</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Próximo domingo, dia 30 de Agosto de 2009 acontece a VIII Parada Gay de Feira de Santana. A concentração será a parti das 14Hs Praça de Alimentação O percurso seguirá pela Avenida Getulio Vargas O Tema deste ano é : &#8220;Adolescente ou ancião somos todos cidadãos&#8221; A organização da parada é feita pelo GLICH]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-566" title="Notícias" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2009/08/noticias.png" alt="Notícias" width="583" height="270" /></p>
<p>Próximo domingo, dia 30 de Agosto de 2009 acontece a VIII Parada Gay de Feira de Santana.</p>
<p>A concentração será a parti das 14Hs Praça de Alimentação<br />
O percurso seguirá pela Avenida Getulio Vargas<br />
O Tema deste ano é : &#8220;Adolescente ou ancião somos todos cidadãos&#8221;<br />
A organização da parada é feita pelo GLICH</p>
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		<title>A primeira vez de um gay</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Feb 2009 00:20:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Calaça</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;A primeira vez ninguém esquece!&#8221; – diz o dito popular. Quando e como ela será é difícil predizer. Quando será o primeiro beijo, a primeira transa. Se o paquerinha da festa vai ser também o primeiro namorado&#8230; A primeira paixão. O primeiro olhar&#8230; A adolescência é, em geral, a fase da vida onde se dá [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-563" title="Colunas e Artigos" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/01/glbt.png" alt="Colunas e Artigos" width="583" height="270" /></p>
<p>&#8220;A  primeira vez ninguém esquece!&#8221; – diz o dito popular. Quando e como ela  será é difícil predizer. Quando será o primeiro beijo, a primeira  transa. Se o paquerinha da festa vai ser também o primeiro namorado&#8230; A  primeira paixão. O primeiro olhar&#8230; A adolescência é, em geral, a fase  da vida onde se dá esses encontros e primeiras descobertas. O mundo se  mostra como uma grande aventura, excitante e, ao mesmo tempo, cheio de  medos e perigos.</p>
<p>O começo da  sexualidade de um jovem gay de classe média pode ser tardio, em relação a  outros jovens. Refiro-me ao &#8220;jovem gay de classe média&#8221; pois essa é uma  realidade mais próxima da que vivencio e tive pouco contato com  histórias de jovens gays de outras classes sociais. Os gays e lésbicas  que eu conheço, em geral, começaram a vida sexual – homossexual – após  os 18 anos, podendo ter ou não relações heterossexuais antes de  vivenciarem a homossexualidade. Muito disso se dá em função das dúvidas e  conflitos consigo mesmos, pela formação familiar heteronormativa, pelas  expectativas sociais em torno dos papéis sociais e sexuais esperados  para o homem e a mulher, que podem ser vivenciados de forma muito mais  rígida na classe média.</p>
<p>A classe  média, em geral, prima pela tradição e pelo respeito de certos valores  morais convencionais e cristalizados. Estão sempre &#8220;na média&#8221;, no &#8220;meio  termo&#8221;, seguindo os ensinamentos clássicos da &#8220;temperança&#8221; e &#8220;justa  medida&#8221;, evitando os &#8220;excessos&#8221; ou o que é &#8220;desviante&#8221; da norma, do  padrão. A classe média é, muitas vezes, a vivência do pensamento binário  sim-não, bem-mal, certo-errado, homem-mulher, céu-inferno, que ignora  ou evita admitir as outras possibilidades de existência que fogem a essa  visão dicotômica de mundo.</p>
<p>Não duvido,  no entanto, que para gays de outras classes sociais, e inclusive da  classe média, essa descoberta se dê mais cedo. Essa questão do tempo da  descoberta me parece pouco relevante, pois o tempo é relativo a cada  pessoa, a cada subjetividade, e cada um tem seu próprio &#8220;ritmo&#8221;, sua  própria história. O tempo certo para aprender a dançar a primeira dança,  descobrindo os passos e se envolvendo aos poucos pela música, até que  chega o momento em que já não é mais possível deixar de dançar. É o  tempo de cada um.</p>
<p>Às vezes  tem-se colegas na escola que são gays, mas é muitas vezes difícil  estabelecer uma identificação, se ver como um &#8220;igual&#8221;, mesmo porque  ninguém é igual a ninguém. Cada um tem seu próprio jeito de ser e  demonstrar sua sexualidade. E. para muitos adolescentes, a própria  sexualidade é uma  incógnita, podendo ser negada,  rejeitada, levantando-se inclusive a possibilidade de se ver como um ser  &#8220;assexuado&#8221;. Infelizmente, apesar da grande exposição do jovem à  &#8220;produtos sexuais&#8221;, muito pouco se tem praticado para se realizar uma  educação sexual, que não se restrinja a descrições anatômicas dos  aparelhos sexuais, seu funcionamento, e possíveis doenças sexualmente  transmissíveis.</p>
<p>Essa  educação sexual, em geral, se dá de forma informal, pelo contato com  outros adolescentes, que buscam por conta própria informações, ou  experimentam entre si essas múltiplas possibilidades de excitação e  descoberta. Um contato mais próximo com outros gays  mais prematuramente, pode favorecer a vivência da homossexualidade mais  cedo, porém isso não é determinante ou causa da homossexualidade. &#8220;Sair  do armário&#8221; pra si mesmo, ver-se e afirmar a si mesmo como gay, pode ser  facilitado pela inclusão e legitimação do grupo, a partir do contato  com outros gays e lésbicas, ou pela simples possibilidade de, nos  contatos interpessoais, nas interações pessoa-pessoa, ver despertar o  desejo.</p>
<p>Muitas vezes  a homossexualidade pode ser muito nítida para as outras pessoas e  obscura demais para nós mesmos, por estarmos existencialmente  mergulhados em nossas dúvidas e angústias, entorpecidos ou cegos acerca  dos nossos próprios desejos e necessidades.  É quando não temos  consciência de nossos desejos, não nomeamos, não temos uma visão clara  de nossos objetos de atração.</p>
<p>As formas  como essa &#8220;descoberta&#8221; da sexualidade pode se dar é bastante variada. Os  &#8220;jogos homossexuais&#8221; de sedução podem acontecer na adolescência, sem  que, necessariamente, a pessoa se descubra ou se torne gay  posteriormente. A adolescência tende a ser uma fase de experimentação,  de curiosidade, e não é raro que meninos e meninas se iniciem  sexualmente com amigos e amigas do mesmo sexo. Porém, quando o desejo se  torna presente, quando a brincadeira se torna algo sério, se converte  em necessidade, pode, o jogo sexual, passar a ser um divisor de águas na  definição da orientação sexual do jovem. O que, na maioria das vezes, é  vivenciado com dúvidas, medos, conflitos e sentimentos de culpa e  remorso.</p>
<p>É possível  também que essas experiências iniciais, realizadas na adolescência, só  sejam significadas <em>a posteriori</em>, em outro contexto, quando o  sujeito tem outra consciência de si mesmo, de seu corpo e de seus  desejos. Às vezes é importante respeitar seu próprio tempo, os limites  da maturação (e maturidade), de consolidação da personalidade e da  formação de visão de mundo mais estável e constante – a personalidade.  Para alguns, a descoberta se dá através de uma brincadeira gostosa, para  outros, é um processo longo e doloroso, que se dá a curtos passos, por  meio de conquistas árduas, conflitos e batalhas cotidianas, consigo  mesmo e com aqueles que estão a nossa volta.</p>
<p>Talvez essas  batalhas a serem vencidas, esses encontros e desencontros necessários,  essa &#8220;abertura e fechamento de questões inacabadas&#8221;, nem sejam tão  &#8220;bélicos&#8221;, quanto se imagina. Mas, na fantasia do jovem homossexual,  ainda são passos imensos a serem dados, precisando de tempo e  amadurecimento, de maior independência, da aquisição de &#8220;forças  internas&#8221; ou de um &#8220;contexto&#8221; favoráveis e necessários para o  enfrentamento. O &#8220;necessário&#8221; é variável e é preciso estar atento a cada  circunstância, a cada oportunidade e a cada sensação que sentimos em  nós mesmos – sinais que podem orientar nossas escolhas e ações.</p>
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		<title>Considerações sobre o filme &#8220;Delicada Atração&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jan 2009 13:01:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Calaça</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
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		<description><![CDATA[Assisti recentemente ao filme “Delicada Atração”. O filme traz a história da descoberta da sexualidade de dois garotos que viviam em um bairro periférico da Inglaterra, esboçando os conflitos em relação aos papéis sociais esperados dentro de uma heteronormatividade, os tabus familiares e da comunidade. Steve (ou Stea) é um adolescente que foge da aula [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> </strong></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-586" title="Delicada Atração" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2009/01/delicada-atracao.jpg" alt="Delicada Atração" width="583" height="270" /></p>
<p><em>Assisti recentemente ao filme “Delicada Atração”. O  filme traz a história da descoberta da sexualidade de dois garotos que  viviam em um bairro periférico da Inglaterra, esboçando os conflitos em  relação aos papéis sociais esperados dentro de uma heteronormatividade,  os tabus familiares e da comunidade.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em>Steve  (ou Stea) é um adolescente que foge da aula de educação física, por não  gostar de praticar esportes. É filho de Sally, uma garçonete, mãe  solteira, de 35 anos, que tem relacionamentos pouco duradouros e,  atualmente mora com um homem 8 anos mais novo que ela. Segundo Steve, os  homens com quem Sally se relaciona são usados por ela.</p>
<p>Steve tem  dois visinhos: Leah, uma garota negra fã de Mama Cass, que mora com a  avó e Jamie, colega de escola de Steve, que mora com um pai bêbado e com  o irmão mais velho que batem nele frequentemente. Entre Steve e Jamie  inicia-se um movimento de aproximação, a partir do convívio na escola e  do acolhimento de Jamie por Sally, após ele sofrer violência do pai e  irmão. Ao contrário de Steve, Jamie é integrado ao grupo de colegas que  participa da aula de educação física.</p>
<p>Uma noite,  após sofrer violência do pai, Jamie vai para a casa de Steve e eles  dormem juntos, dividindo a mesma cama. Steve vê as marcas deixadas pelas  surras do pai de Jamie em seu corpo, e cuida dele, passando-lhe um  creme nas costas. Nesse momento de toque, Jamie fica excitado com as  carícias. Steve, que aparentemente já tinha consciência de sua atração  por meninos – e pelo Jamie – pergunta-lhe se já beijou alguma vez na  boca. Jamie responde que não, por &#8220;ter se tornado feio&#8221;, devido às  violências sofridas dentro de casa. Nesta noite eles dormem juntos, e  iniciam um movimento de maior envolvimento e apaixonamento.</p>
<p>Jamie entre  num movimento inicial de recusa e evitação da relação amorosa com  Steve, por não compreender seus sentimentos e sensações e por isso ir de  encontro às expectativas sociais de masculinidade e da  heterossexualidade. Não consegue se ver como um gay, uma bicha. Steve,  por sua vez, se aproxima mais facilmente dessa construção de identidade,  buscando informações em revistas gays, buscando adentrar nesse mundo,  e, mostrando para Jamie essa possibilidade de existência.</p>
<p>Vão a um  bar gay, onde são aceitos e acolhidos, encontrando um espaço de  legitimação de sua orientação sexual.</p>
<p>Ao longo  desse processo, Sally, a mãe de Steve, é informada por Leah da relação  entre ele e Jamie e de que o filho sofre preconceito na escola, sendo  vítima de xingamentos e violência física. Num primeiro momento, Sally  não sabe como lidar com a situação. Segue o filho e o vê entrando no bar  gay, e quando ele chega em casa, confronta-o.</p>
<p>A relação  entre Sally e Steve se mostra ambivalente. Sally não manifesta carinho  pelo filho, embrutecida pela vida, não tendo referenciais de  maternidade, por ter sido abandonada desde cedo pela mãe. Ao mesmo  tempo, percebe forte identificação com o filho, &#8220;esquisito&#8221;, diferente  dos outros garotos. Na conversa que é travada entre eles, Steve antecipa  os possíveis medos e fantasias da mãe, sobre o risco de contrair AIDS, a  crença de que aquele momento é só uma &#8220;fase&#8221;. Sally admite que o filho a  conhece muito bem.</p>
<p>A partir  desse ponto o filme se desenrola em direção ao desfecho. Sally encontra  um novo emprego, e têm expectativas de sair do bairro em que vivem, em  direção a uma nova vida. Steve e Jamie assumem publicamente seu  relacionamento e dançam na rua, com símbolo do &#8220;sair do armário&#8221;. Sally  acolhe – após um choque inicial – e entra na dança, despindo-se da dura  couraça da mulher lutadora, e entregando-se a um momento de leveza, na  dança com Leah. Nesta última cena, toda a comunidade em volta observa e  reage de formas diversas, com choque, espanto ou cumplicidade.</p>
<p>Após esse  breve resumo da história, é possível destacar alguns aspectos dignos de  análise:</p>
<p><strong>1) </strong><strong>O contexto  familiar do jovem homossexual</strong></p>
<p>Um dos  pontos muito discutidos após o filme foi o contexto que favoreceria a  emergência do jovem homossexual. Famílias desestruturadas, com a  ausência de uma das figuras parentais, a violência doméstica e a  carência afetiva. Às vezes existe de fato essa &#8220;desestruturação&#8221;, por as  famílias não se organizarem mais segundo um ideal de família nuclear  burguesa, por os casais se dissolverem, e haver rotatividade de  parceiros, pelos pais, porém isso não <span style="text-decoration: underline;">determina</span> a  homossexualidade, embora faça parte do campo em que o sujeito está  inserido e constitui sua personalidade.</p>
<p>Não é  possível desprezar o contexto familiar do qual o sujeito fez ou faz  parte. A homossexualidade é um fenômeno de origem multifatorial,  multideterminada, e todos os fatores constituintes da história de vida  do sujeito, quando temos acesso a eles, precisam ser levados em  consideração para a compreensão do sujeito atual, em sua totalidade.  Olhar para o contexto é indispensável para a compreensão do sujeito  enquanto interação organismo-meio, contextualizado no tempo-espaço. O  sujeito, a pessoa, não é uma abstração, mas uma relação de contato  constante, integrando, assimilando e selecionando a cada momento os  elementos que irão constituir sua personalidade, seu self.</p>
<p><strong>2) </strong><strong>O  estereótipo dos papéis sociais (e sexuais) esperados do homem</strong></p>
<p>Representado  pelo jogo de futebol e pelas expectativas da mãe quando a filho  participar de &#8220;atividades de meninos&#8221;, as representações sociais sobre  os papéis sociais, sexuais e de gênero, se mostram como elementos  importantes na constituição da pessoa, desde o momento em que nasce e é  incorporado à cultura.</p>
<p>Tais  representações, introjetadas pelo sujeito na constituição de sua  personalidade, posteriormente se torna fatores de conflito interno da  pessoa, ao descobrir-se homossexual, ao descobrir-se atraído por uma  pessoa do mesmo sexo, não sendo possível responder às expectativas  sociais do que se tem como &#8220;normal&#8221;. O confronto com essas  representações, põe em choque o &#8220;ser gay&#8221;, &#8220;ser bicha&#8221; e outras  expressões marcadas por forte preconceito e difíceis de serem integradas  sem conflito. O sujeito entre em crise, no embate consigo mesmo e com a  sociedade.</p>
<p><strong>3) </strong><strong>As  estratégias adotadas por uma mãe solteira para cuidar sozinha de um  filho</strong></p>
<p>Não é  incomum que mães solteiras, como a Sally, tenham múltiplos parceiros.  Por vezes isso se constitui uma estratégia de sobrevivência, diante de  dificuldades reais de manutenção de si mesmo e dos filhos. Uma mãe  solteira ainda hoje sofre estigmas por não ter um marido, uma figura  masculina que lhe sirva de proteção e de referência para os filhos.  Principalmente em meios sociais de baixa renda, ter um companheiro – por  pior que ele seja – representa segurança e respeito diante da  comunidade. Às vezes as relações – que espera-se idealmente seja regida  pelo amor e por sentimentos elevados e &#8220;transcendentes&#8221; – se dão por  questões utilitárias, por questões econômicas ou pela esperança de se  ter um pouco mais de segurança, ao ter uma figura masculina presente.  Não é incomum que mulheres fortes e independentes se submetam a relações  conflituosas com companheiros, pela necessidade de se ter um  companheiro, alguém a quem se possa dizer &#8220;é meu marido, meu homem&#8221;.</p>
<p>Por outro  lado, o cuidar sozinha de um filho, repercute de diversas formas sobre a  subjetividade da mãe solteira, que se vê tendo que adotar os dois  papéis parentais – de mãe e pai – às vezes se embrutecendo, deixando em  segundo plano a dimensão feminina, da sexualidade e da busca pelo amor e  a felicidade. Ser mãe passa a ser o elemento identitário mais  pregnante, a &#8220;figura&#8221; principal constituinte de sua personadidade.</p>
<p><strong>4) </strong><strong>O  preconceito e a violência (homofobia) vivenciada na escola</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Desde muito  cedo o jovem homossexual é vítima de preconceito, ao não se adequar a  todos os papéis esperados pela heteronormatividade. Não é incomum que um  jovem mais quieto, que não gosta de esportes, que não se aventura na  conquista de meninas, seja desde cedo discriminado e vitimado por  violências verbais e até físicas.</p>
<p>A presença  de uma educação sexual mais abrangente nas escolas, que levasse em  consideração a homossexualidade com uma outra possibilidade de vivência  da sexualidade, descaracterizada de estereótipos negativos, seria uma  alternativa necessária para reconfigurar as relações estabelecidas no  contexto escolar – um dos principais contextos de socialização, de  consolidação de valores, de formação de opinião e de identidade.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>5) </strong><strong>A vivencia  em comunidade, o público e o privado interferindo nas relações  interpessoais e no processo de vivência e afirmação da homossexualidade</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Ao olhar  novamente para o contexto em que o sujeito se insere, numa perspectiva  mais ampla, englobando a comunidade – o prédio, a rua, o bairro, a  cidade&#8230; – podemos intuir as diversas micro-relações de poder que se  estabelecem. Um contexto mais amplo, que interfere na constituição do  sujeito de forma subliminar, ao mesmo tempo em que defronta-o  cotidianamente em situações de conflito com o outro, de choque ou de  confirmação.</p>
<p>O bairro em  que o Steve morava era um bairro periférico, de população negra,  suburbana, com imigrantes indianos (a professora de educação física) e  de outras nacionalidades, etnias e religiões. Um contexto complexo,  heterogêneo, propiciador de situações de conflito e, ao mesmo tempo,  relativizadora de &#8220;verdades&#8221;. No contexto mais próximo, do prédio,  percebemos intrigas, conflitos entre visinhos, em que a vida privada é  partilhada por todos, pelas &#8220;paredes finas&#8221; que dividem os apartamentos e  pelos corredores, onde cada um atua como atores na trama cotidiana.</p>
<p>Conflitos  entre Sally e Leah, por exemplo, em torno do papel e do valor da mulher,  mostra perspectivas distintas sobre a sexualidade feminina, trazendo  representações sociais do que seria uma &#8220;mulher decente&#8221; e uma  &#8220;mulherzinha&#8221;. Questões como a rotatividade de parceiros, os amores  entre visinhos, a descoberta da sexualidade, o aborto, tudo é discutino  nas tramas sutis que se dão nas fofocas, nas ofensas, nos chistes. Esse é  o palco da vida cotidiana e do senso comum, em que a vida é vivida de  forma real, sem mascaramentos.</p>
<p>Neste  contexto, também a homossexualidade é posta em cena, encenada,  dramatizada, interpretada, submetida a avaliações do público, submetida a  críticas, atravessadas por valores morais, por estereótipos, pelo senso  comum – comunitário.</p>
<p><strong>6) </strong><strong>A iniciação  sexual na adolescência</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Representada  tanto pelo casal Steve e Jamie, quanto por Leah e pelas meninas da  festa em que participam, o filme traz de forma clara a &#8220;ebulição&#8221; que se  dão na adolescência em torno da descoberta e experimentação da  sexualidade. Podendo ser vivida com euforia, no movimento de busca  insaciável pela experimentação, pela procura por parceiros, por beijos e  transas, ou de forma mais retraída, cheia de dúvidas, com passos  inseguros, temerosos, cheios de prudência. Nesse ponto, a sexualidade é  vivenciada de forma paradoxal, variando as vivência de acordo com cada  pessoa, com os contextos e oportunidades que surgem, em ritmos e tempos  diferentes.</p>
<p>Steve traz  um elemento a mais: a busca por informação através de veículos de  comunicação (filmes, revistas), que podem funcionar como meios de  orientação para a sexualidade, dando pistas e discas sobre os caminhos.  Um contexto mais amplo, da cultura, que interfere na construção da  identidade e da orientação sexual, através da construção e disseminação  de discursos – canônicos ou de desconstrução da norma.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>7) </strong><strong>Os guetos  como ambiente de socialização e de legitimação da homossexualidade</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>O bar gay em  que Steve e Jamie foram pode ser visto como um gueto – um espaço social  em que a homossexualidade é permitida e legitimada, diferentemente do  contexto mais amplo da sociedade, que segue modelos e valores  heteronormativos. No bar gay se experimenta a diversidade, a  multiplicidade de manifestações e performances – gays, lésbicas,  travestis, bissexuais, etc, todos tem seu espaço, sendo vistos e  apreciados em suas diferenças. Os guetos aparecem como território  aliado, espaço de vivência autêntica e espontânea, em que é possível  viver papéis e fantasia, onde se pode ser a si mesmo ou travestir-se  para o outro, nas conquistas, nas brincadeiras e nos encontros entre  pessoas.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>8) </strong><strong>O  confrontamento com a família – contar para os pais que se é gay. O  movimento de choque e assimilação pela família do filho gay</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Nos  conflitos entre Steve e Sally e entre Jamie e o pai, se dá várias  facetas que estão por trás do assumir-se gay diante da família. A  família em geral é vista como a matriz primeira de socialização e  construção de identidade. Assumir-se gay é confrontar-se com as  expectativas dos pais sobre os filhos, as crenças sobre o que é certo e  errado, o mitos e estereótipos que perpassam a fantasia dos pais sobre o  que é homossexualidade.  Ao mesmo tempo, essa questão transcende apenas  a esfera da homossexualidade. Falar sobre sexo é um tabu familiar. Em  geral, pouco se fala sobre o tema, e quando se fala, se reproduz  representações e estereótipos, ou se restringe a orientações de como se  deve prevenir contra gravidez, doenças sexualmente transmissíveis, etc.</p>
<p>No caso de  Sally, esta já sofrido com preconceitos e dificuldades, por ser mãe  solteira, por ter de cuidar sozinha do filho, por ter vários parceiros.  Defrontar-se com a homossexualidade do filho era mais um estigma a ser  enfrentado, mais uma batalha a ser travada, consigo e diante da  sociedade. Ao mesmo tempo em que entra em crise, em conflito e  desorientação, ela também abre um espaço para o acolhimento, o diálogo, a  troca. Ela se transforma nesse contato com o filho, se desarma,  ressignifica a si mesmo, encarna outro papel e pode experimentar a  dança.</p>
<p>No caso de  Jamie com o pai e o irmão, &#8220;ser gay&#8221; passa a ser uma questão muito mais  difícil de ser encarada a admitida. Ser gay, num primeiro momento, pode  significar ser fraco, não se homem, ser mais suceptível à violência e ao  despreso. Suas experiências de sofrimento tornaram-no rígido – o que se  traduz na sua forma de vestir, em sua postura, em sua expressão facial.  Experimentar contato com o outro, com Steve, é vivenciar um outro lado,  que não o da dor. E ele só consegue se entregar à essa experiência  quando ressignifica a figura do pai, ao vê-lo não mais como uma figura  de força, temida e respeitada, mas como um estorvo, um bêbado, jogado na  sargeta.</p>
<p>É inegável, a  meu ver, os diferentes papeis exercidos pelos pais no processo de  afirmação da homossexualidade.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>9) </strong><strong> O &#8220;sair do  armário&#8221;, a afirmação social do &#8220;ser gay&#8221;</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>O &#8220;sair do  armário&#8221; num contexto mais amplo, como assumir e encarnar o papel num  contexto mais amplo se dá, no filme, com o caminhar de mãos dadas e  dançar no meio da rua. Metaforicamente, a cena final do filme, traz a  questão da &#8220;visibilidade&#8221; gay, do mostrar-se, do assumir publicamente, o  que para muitos é algo absolutamente necessário, para se reivindicar  direitos, ser reconhecido e respeitado, confirmado.</p>
<p>Esse  movimento de sair do armário, no entanto, me parece como um dos últimos  passos no processo de aceitação de si mesmo e de integração da  identidade homossexual. É o desfecho do filme, o ponto ápice, a partir  do qual irá se desdobrar outro enredo imprevisível. Mostrar-se é um  exercício de liberdade, é sustentar uma escolha e responsabilizar-se por  ela, é ter consciência de si e de que, na visibilidade, é visto,  apreciado e avaliado pelo olhar do outro, porém de um outro ponto, do  ponto de quem afirma a si mesmo com EU, podendo confrontar-se e negociar  diretamente com o outro.</p>
<p>Essas foram  as minhas impressões sobre o filme. Acredito que haja muitos outros  pontos ainda que podem ser vistos e trabalhados. Cada personagem é  construído de forma complexa e densa, cheios de faces, tensões e  paradoxos.</p>
<p>Creio que o  que se torna elemento fundamental dessa análise é a tentativa de se  compreender a história a partir de vários pontos, levando em  consideração os diversos elementos que constituem o todo o filme. Os  múltiplos contextos (casa, escola, prédio, bairro, bar gay), o diversos  níveis (individual, familiar, comunitário e cultural), que fazem parte  do campo psicológico, do espaço vital de cada personagem. A construção  das subjetividades se dá nas trocas, nas relações intersubjetivas, no  trânsito de signos e representações, na emergência e descoberta de  necessidades, nas múltiplas determinações da sexualidade vivida  cotidianamente, a cada momento.</p>
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