Confira programação do Universidade fora do Armário

De 13 a 16 de Outubro estará ocorrendo na UFBa o evento Universidade fora do Armário, com debates, oficina, seções de cinema comentadas e encerramento com a Festa Colorida, no DCE-UFBA.

Confira os detalhes da programação clicando no folder abaixo para ampliar.
Organização: Grupo Kiu!

Programacao UFBA

Coluna do Cesar

Colunas e Artigos

Olá, meu nome é Cesar, tenho 26 anos (difícil carma saber lidar com a idade, e eu não sei!!!), gosto de escrever, mas não sei e nem tenho a pretensão de ser um imortal da ABL, portanto escrevo usando o internetês com direitos a erros, sem pontuação e td mais……… enfim!!!!

Vamos lá………..

Paulo veio com a sugestão de postar artigos e tal e sei q tem gente q faz isso d forma ‘correta’, dentro das normas e tal……… eu gosto de escrever sobre comportamentos q observo no dia a dia……. pessoas……. tenho alguns personagens reais, pessoas q observo por ai e q estão em vários lugares q eu tb estou e em diferentes situações e isso é divertido!!!! Ai, chego em kza e escrevo, ou não….. às vezes isso fica só na kbça e uma hora tende a sair!!!

Eu ia começar com um dos personagens q me é comum desde que mudei pra k…… mas, minha impaciência dessa semana não permite……. Acordo eu, hj, 10/10, venho trabalhar e vejo um site de um pseudo-amigo, vou ver e o q tem lá??? *momento suspense*………… fotos………. *momento suspense 2* q tipo de fotos? *momento suspense 3* fotos normais…….

Bom, fatos……….

Nosso gayômetro apita e qdo isso acontece, é bem provável que ele esteja certo. Concordam? Pelo menos o meu eu sei q funciona bem….. e pra essa pessoa ele nunca falhou…… rsrsrsrs….. Ele tem namorada há um bom tempo e td mais e é hetero, ok?? ………… Claro q ta ok, se até ele pensa q isso é verdade, quem sou eu pra dizer o contrário………

Uns pensamentos no kbção!!!!

Gente, pra q ficar escondendo-se e reprimindo-se?? O q é q vc ganha com isso? Sabe, é uma coisa doida, é uma autopunição, um trancamento dentro do armário realmente desnecessário!!! Meu, na boa, o q é q a gente ganha sendo o q não se é?? Alguém me diz?? Eu ganhei um ano de terapia sendo o q eu não era qdo adolescente…..

Ah, tem outra……. Ontem eu estava na pizzaria e mais três amigos, qdo entra um casal quase lésbico se ele não fosse homem……… (iiiiiiiiii, dúvida agora, será q ele não era operado?? E na verdade ele não era ele e era ela, então depois da operação virou ele??………. relendo nem eu acompanho!!! Rsrsrsrsrsr…) enfim, supondo que ele é originalmente e naturalmente do sexo masculino e ela originalmente e naturalmente do sexo feminino, eles não poderiam ser um casal………… é nessa hora q dá vontade de chegar até lá e dizer “amor, vc é gay”, “linda, sua coca é fanta!! E mais, essa fanta é uva!!!” rsrsrsrsr, mas segundo as convenções sociais temos q respeitar não???? ………….. óbvio q todos nós da mesa observamos as roupas dele, as tatoos e não me lembro se tinha os anéis q são quase um crachá dizendo “Oi, sou gay!”, rsrsrsrs

Mas então, esses são os fatos q num sábado d manhã, ás 8:16 me levam a pensar, pq as pessoas se escondem e do q? ou de quem? E pq?………… tenho vontade de andar com akelas plaquinhas q andamos as vezes na parada gay, do tipo, “sou gay e sou feliz!”, 24 horas por dia, 7 dias por semana e 365 ou 366 dias no ano a depender!!! Rsrsrsrs

Pra terminar!!! C é q alguém chegou até aki!! Rsrsrs……….. não tenho mto saco pra militância, pq não me dá dinheiro, mas é algo q tá dentro de mim, pelo menos ao ponto de kerer fazer as pessoas c aceitarem e q isso não dói, pode doer o processo de transformação, da lagarta virar borboleta (é isso mesmo??), mas o depois não dói, só vivifica e fortalece o seu ser!!! Seja o q vc é, custe o q custar, e se custar caro, vale a pena, pois é por e para vc!!!!

Bjs bjs

Fui…….

Imagem: Jaunis on Flickr / CC BY-NC-ND 2.0

Você não está sozinho

du-er-ikke-alene

O filme filme dinamarquês “Você não está sozinho” (Du Er Ikke Alene), de 1978, se passa numa escola dinamarquesa, onde funciona um internato de meninos. Ambientada na década de 70, o filme traz as primeiras descobertas da adolescência de um grupo de meninos, que começam a ter contato com bebidas, drogas, com o corpo e a sexualidade.

Na escola os meninos têm aulas sobre política, sobre os efeitos de drogas e “vivências” que exploram o contato com o corpo e os impactos psicológicos das relações grupais de aceitação ou rejeição. Os professores adotam duas posturas: uma mais liberal, que favorece a reflexão e incentivam as descobertas da adolescência e uma mais conservadora, que prima pelo respeito aos professora e pela moral, submetendo os alunos a regras rígidas e primando pela “coerência na educação”. Apesar do formato laico – gerido por civis – a escola tinha aulas de religião, denotando um modelo tradicional de educação.

Numa das aulas, sobre política, em que se discute sobre regimes democráticos, um dos alunos questiona a participação dos jovens e idosos no regime democrático – considerados marginais nos processos decisórios. O professor, como justificativa, fala da “imaturidade política dos jovens”, legitimando a representação social de jovem como um “não lugar”, um “não-ainda”, um “por vir”.

Nas cenas envolvendo os garotos, evidenciam-se vários fenômenos “típicos” da adolescência e suas descobertas: o uso de drogas (desodorante), as práticas de masturbação, a leitura de revistas e livros eróticos, brincadeiras sexuais e brigas entre os meninos. As primeiras experiências sexuais se dão entre os próprios meninos ou com meninas da turma – ou mais velhas, que cuidam do refeitório – de forma delicada, num progressivo desvelar-se que transita entre a excitação da curiosidade o medo e de serem descobertos. Apesar dos controles exercidos pelos professores – em especial pela figura do diretor – os meninos encontram formas alternativas de “burlar” as regras e experimentarem clandestinamente, as primeiras experiências da adolescência.

Em destaque, tem-se a história amorosa de dois garotos – Kim e Bo – que vivenciam essas experiências entre si. Bo vem das férias na praia, em que teve um contato amoroso com um amigo e trás as dúvidas e curiosidades sobre a sexualidade. Kim, filho do diretor da escola, mais novo que Bo e da maioria dos meninos, que tem contato com eles e, progressivamente vai entrando em contato com a sexualidade e com o amor. Aos poucos vai se delineando um jogo de sedução entre Bo e Kim, em que ambos experimentam o contato e a intimidade, de forma lúdica , por meio de brincadeiras.

Algumas cenas traz bem nítida essa ludicidade que demarca a fase de transição da infância para a adolescência, como a brincadeira de índio, e o banho dos dois, em que o Kim brinca com a espuma do xampu. A descoberta da sexualidade, entre eles, se contrapõe com a “invasão de pornografia” que se dá na escola, pelos meninos mais velhos, mostrando uma via que mantém uma aura de “inocência” da infância – considerada característica “típica” da infância.

Em paralelo à relação entre Kim e Bo – protótipo desse amor inocente – tem-se as formas dos outros jovens de vivenciar de forma mais explícita as descobertas da sexualidade, por meio de piadas, brincadeiras eróticas e da externalização espontânea dessa sexualidade. Colocada em evidência, nas ações e na linguagem dos jovens, essa sexualidade é reprimida pelo diretor, quando tenta punir um dos alunos, responsáveis por prender fotos revistas pornográficas no banheiro dos dormitórios.

Diante da postura autoritária do diretor da escola e do corpo docente, alguns alunos se unem num movimento de “greve”, se recusando a freqüentar as aulas e organizando um movimento de protesto com faixas e com um documentário – com um apoio de uma professora (a que fala sobre drogas) que adota uma visão mais liberal. Nesse movimento, evidencia-se o ideal de coesão grupal e do movimento jovem, vivido de forma marcante nos fins da década de 60 e meados de 70 (Revolta de Maio de 1968 e o movimento de contracultura nos EUA e Europa com os hippies, beats, etc).

Uma referência ao movimento hippie também é feita, quando um grupo de alunos vai para o picnic no bosque. Lá eles experimentam um contato direto com a natureza, com a sensação de liberdade dionisíaca e de reconexão com o universo. Kim e Bo trocam carícias e experimentam a sensação de embriaguez– real e simbólica – do amor e do vinho.

A coesão grupal se faz presente também no movimento de defesa de Bo, quando ele é perseguido e humilhado por uma gangue de “meninos mais velhos”. Nesse conflito, o grupo vai a seu socorro. De forma subliminar, o sexo aparece reverenciado como uma forma de poder, quando, para pagar pelo crime de ter agredido Bo, um dos meninos da gangue é obrigado a beijar as nádegas de um dos meninos da escola, como forma de humilhação.

Ao fim do filme, o movimento de greve dos estudantes garante a permanência do colega que seria expulso. Há uma encenação de uma guerra, em que um dos meninos morre baleado. Monta-se o filme, em que o encontro entre Kim e Bo ilustra o mandamento cristão da “Amai ao próximo como a si mesmo”.

Nesse filme, poderíamos ensaiar alguns possíveis pontos de análise:

  1. A adolescência como fase de descobertas e experimentação;
  2. Os conflitos de gerações e as diferentes formas de lidar com a passagens adolescência (liberal x conservadora);
  3. A questão da coesão grupal e a importância da pertença x a solidão na adolescência;
  4. O que se define, nas escolas, com educação sexual;
  5. As primeiras experiências sexuais como experimentação e exploração da sexualidade ou como definidora de uma orientação sexual e futura identidade sexual (homossexual ou heterossexual);
  6. A questão das drogas e uma possível função preventiva da educação;
  7. Alienação x implicação dos pais na criação dos filhos – a questão do modelo de internato;
  8. O contexto sócio-histórico da década de 70 (Contracultura, movimento hippie, movimento de liberação sexual – feminista e gay)

Considerações sobre o filme “Delicada Atração”

Delicada Atração

Assisti recentemente ao filme “Delicada Atração”. O filme traz a história da descoberta da sexualidade de dois garotos que viviam em um bairro periférico da Inglaterra, esboçando os conflitos em relação aos papéis sociais esperados dentro de uma heteronormatividade, os tabus familiares e da comunidade.

Steve (ou Stea) é um adolescente que foge da aula de educação física, por não gostar de praticar esportes. É filho de Sally, uma garçonete, mãe solteira, de 35 anos, que tem relacionamentos pouco duradouros e, atualmente mora com um homem 8 anos mais novo que ela. Segundo Steve, os homens com quem Sally se relaciona são usados por ela.

Steve tem dois visinhos: Leah, uma garota negra fã de Mama Cass, que mora com a avó e Jamie, colega de escola de Steve, que mora com um pai bêbado e com o irmão mais velho que batem nele frequentemente. Entre Steve e Jamie inicia-se um movimento de aproximação, a partir do convívio na escola e do acolhimento de Jamie por Sally, após ele sofrer violência do pai e irmão. Ao contrário de Steve, Jamie é integrado ao grupo de colegas que participa da aula de educação física.

Uma noite, após sofrer violência do pai, Jamie vai para a casa de Steve e eles dormem juntos, dividindo a mesma cama. Steve vê as marcas deixadas pelas surras do pai de Jamie em seu corpo, e cuida dele, passando-lhe um creme nas costas. Nesse momento de toque, Jamie fica excitado com as carícias. Steve, que aparentemente já tinha consciência de sua atração por meninos – e pelo Jamie – pergunta-lhe se já beijou alguma vez na boca. Jamie responde que não, por “ter se tornado feio”, devido às violências sofridas dentro de casa. Nesta noite eles dormem juntos, e iniciam um movimento de maior envolvimento e apaixonamento.

Jamie entre num movimento inicial de recusa e evitação da relação amorosa com Steve, por não compreender seus sentimentos e sensações e por isso ir de encontro às expectativas sociais de masculinidade e da heterossexualidade. Não consegue se ver como um gay, uma bicha. Steve, por sua vez, se aproxima mais facilmente dessa construção de identidade, buscando informações em revistas gays, buscando adentrar nesse mundo, e, mostrando para Jamie essa possibilidade de existência.

Vão a um bar gay, onde são aceitos e acolhidos, encontrando um espaço de legitimação de sua orientação sexual.

Ao longo desse processo, Sally, a mãe de Steve, é informada por Leah da relação entre ele e Jamie e de que o filho sofre preconceito na escola, sendo vítima de xingamentos e violência física. Num primeiro momento, Sally não sabe como lidar com a situação. Segue o filho e o vê entrando no bar gay, e quando ele chega em casa, confronta-o.

A relação entre Sally e Steve se mostra ambivalente. Sally não manifesta carinho pelo filho, embrutecida pela vida, não tendo referenciais de maternidade, por ter sido abandonada desde cedo pela mãe. Ao mesmo tempo, percebe forte identificação com o filho, “esquisito”, diferente dos outros garotos. Na conversa que é travada entre eles, Steve antecipa os possíveis medos e fantasias da mãe, sobre o risco de contrair AIDS, a crença de que aquele momento é só uma “fase”. Sally admite que o filho a conhece muito bem.

A partir desse ponto o filme se desenrola em direção ao desfecho. Sally encontra um novo emprego, e têm expectativas de sair do bairro em que vivem, em direção a uma nova vida. Steve e Jamie assumem publicamente seu relacionamento e dançam na rua, com símbolo do “sair do armário”. Sally acolhe – após um choque inicial – e entra na dança, despindo-se da dura couraça da mulher lutadora, e entregando-se a um momento de leveza, na dança com Leah. Nesta última cena, toda a comunidade em volta observa e reage de formas diversas, com choque, espanto ou cumplicidade.

Após esse breve resumo da história, é possível destacar alguns aspectos dignos de análise:

1) O contexto familiar do jovem homossexual

Um dos pontos muito discutidos após o filme foi o contexto que favoreceria a emergência do jovem homossexual. Famílias desestruturadas, com a ausência de uma das figuras parentais, a violência doméstica e a carência afetiva. Às vezes existe de fato essa “desestruturação”, por as famílias não se organizarem mais segundo um ideal de família nuclear burguesa, por os casais se dissolverem, e haver rotatividade de parceiros, pelos pais, porém isso não determina a homossexualidade, embora faça parte do campo em que o sujeito está inserido e constitui sua personalidade.

Não é possível desprezar o contexto familiar do qual o sujeito fez ou faz parte. A homossexualidade é um fenômeno de origem multifatorial, multideterminada, e todos os fatores constituintes da história de vida do sujeito, quando temos acesso a eles, precisam ser levados em consideração para a compreensão do sujeito atual, em sua totalidade. Olhar para o contexto é indispensável para a compreensão do sujeito enquanto interação organismo-meio, contextualizado no tempo-espaço. O sujeito, a pessoa, não é uma abstração, mas uma relação de contato constante, integrando, assimilando e selecionando a cada momento os elementos que irão constituir sua personalidade, seu self.

2) O estereótipo dos papéis sociais (e sexuais) esperados do homem

Representado pelo jogo de futebol e pelas expectativas da mãe quando a filho participar de “atividades de meninos”, as representações sociais sobre os papéis sociais, sexuais e de gênero, se mostram como elementos importantes na constituição da pessoa, desde o momento em que nasce e é incorporado à cultura.

Tais representações, introjetadas pelo sujeito na constituição de sua personalidade, posteriormente se torna fatores de conflito interno da pessoa, ao descobrir-se homossexual, ao descobrir-se atraído por uma pessoa do mesmo sexo, não sendo possível responder às expectativas sociais do que se tem como “normal”. O confronto com essas representações, põe em choque o “ser gay”, “ser bicha” e outras expressões marcadas por forte preconceito e difíceis de serem integradas sem conflito. O sujeito entre em crise, no embate consigo mesmo e com a sociedade.

3) As estratégias adotadas por uma mãe solteira para cuidar sozinha de um filho

Não é incomum que mães solteiras, como a Sally, tenham múltiplos parceiros. Por vezes isso se constitui uma estratégia de sobrevivência, diante de dificuldades reais de manutenção de si mesmo e dos filhos. Uma mãe solteira ainda hoje sofre estigmas por não ter um marido, uma figura masculina que lhe sirva de proteção e de referência para os filhos. Principalmente em meios sociais de baixa renda, ter um companheiro – por pior que ele seja – representa segurança e respeito diante da comunidade. Às vezes as relações – que espera-se idealmente seja regida pelo amor e por sentimentos elevados e “transcendentes” – se dão por questões utilitárias, por questões econômicas ou pela esperança de se ter um pouco mais de segurança, ao ter uma figura masculina presente. Não é incomum que mulheres fortes e independentes se submetam a relações conflituosas com companheiros, pela necessidade de se ter um companheiro, alguém a quem se possa dizer “é meu marido, meu homem”.

Por outro lado, o cuidar sozinha de um filho, repercute de diversas formas sobre a subjetividade da mãe solteira, que se vê tendo que adotar os dois papéis parentais – de mãe e pai – às vezes se embrutecendo, deixando em segundo plano a dimensão feminina, da sexualidade e da busca pelo amor e a felicidade. Ser mãe passa a ser o elemento identitário mais pregnante, a “figura” principal constituinte de sua personadidade.

4) O preconceito e a violência (homofobia) vivenciada na escola

Desde muito cedo o jovem homossexual é vítima de preconceito, ao não se adequar a todos os papéis esperados pela heteronormatividade. Não é incomum que um jovem mais quieto, que não gosta de esportes, que não se aventura na conquista de meninas, seja desde cedo discriminado e vitimado por violências verbais e até físicas.

A presença de uma educação sexual mais abrangente nas escolas, que levasse em consideração a homossexualidade com uma outra possibilidade de vivência da sexualidade, descaracterizada de estereótipos negativos, seria uma alternativa necessária para reconfigurar as relações estabelecidas no contexto escolar – um dos principais contextos de socialização, de consolidação de valores, de formação de opinião e de identidade.

5) A vivencia em comunidade, o público e o privado interferindo nas relações interpessoais e no processo de vivência e afirmação da homossexualidade

Ao olhar novamente para o contexto em que o sujeito se insere, numa perspectiva mais ampla, englobando a comunidade – o prédio, a rua, o bairro, a cidade… – podemos intuir as diversas micro-relações de poder que se estabelecem. Um contexto mais amplo, que interfere na constituição do sujeito de forma subliminar, ao mesmo tempo em que defronta-o cotidianamente em situações de conflito com o outro, de choque ou de confirmação.

O bairro em que o Steve morava era um bairro periférico, de população negra, suburbana, com imigrantes indianos (a professora de educação física) e de outras nacionalidades, etnias e religiões. Um contexto complexo, heterogêneo, propiciador de situações de conflito e, ao mesmo tempo, relativizadora de “verdades”. No contexto mais próximo, do prédio, percebemos intrigas, conflitos entre visinhos, em que a vida privada é partilhada por todos, pelas “paredes finas” que dividem os apartamentos e pelos corredores, onde cada um atua como atores na trama cotidiana.

Conflitos entre Sally e Leah, por exemplo, em torno do papel e do valor da mulher, mostra perspectivas distintas sobre a sexualidade feminina, trazendo representações sociais do que seria uma “mulher decente” e uma “mulherzinha”. Questões como a rotatividade de parceiros, os amores entre visinhos, a descoberta da sexualidade, o aborto, tudo é discutino nas tramas sutis que se dão nas fofocas, nas ofensas, nos chistes. Esse é o palco da vida cotidiana e do senso comum, em que a vida é vivida de forma real, sem mascaramentos.

Neste contexto, também a homossexualidade é posta em cena, encenada, dramatizada, interpretada, submetida a avaliações do público, submetida a críticas, atravessadas por valores morais, por estereótipos, pelo senso comum – comunitário.

6) A iniciação sexual na adolescência

Representada tanto pelo casal Steve e Jamie, quanto por Leah e pelas meninas da festa em que participam, o filme traz de forma clara a “ebulição” que se dão na adolescência em torno da descoberta e experimentação da sexualidade. Podendo ser vivida com euforia, no movimento de busca insaciável pela experimentação, pela procura por parceiros, por beijos e transas, ou de forma mais retraída, cheia de dúvidas, com passos inseguros, temerosos, cheios de prudência. Nesse ponto, a sexualidade é vivenciada de forma paradoxal, variando as vivência de acordo com cada pessoa, com os contextos e oportunidades que surgem, em ritmos e tempos diferentes.

Steve traz um elemento a mais: a busca por informação através de veículos de comunicação (filmes, revistas), que podem funcionar como meios de orientação para a sexualidade, dando pistas e discas sobre os caminhos. Um contexto mais amplo, da cultura, que interfere na construção da identidade e da orientação sexual, através da construção e disseminação de discursos – canônicos ou de desconstrução da norma.

7) Os guetos como ambiente de socialização e de legitimação da homossexualidade

O bar gay em que Steve e Jamie foram pode ser visto como um gueto – um espaço social em que a homossexualidade é permitida e legitimada, diferentemente do contexto mais amplo da sociedade, que segue modelos e valores heteronormativos. No bar gay se experimenta a diversidade, a multiplicidade de manifestações e performances – gays, lésbicas, travestis, bissexuais, etc, todos tem seu espaço, sendo vistos e apreciados em suas diferenças. Os guetos aparecem como território aliado, espaço de vivência autêntica e espontânea, em que é possível viver papéis e fantasia, onde se pode ser a si mesmo ou travestir-se para o outro, nas conquistas, nas brincadeiras e nos encontros entre pessoas.

8) O confrontamento com a família – contar para os pais que se é gay. O movimento de choque e assimilação pela família do filho gay

Nos conflitos entre Steve e Sally e entre Jamie e o pai, se dá várias facetas que estão por trás do assumir-se gay diante da família. A família em geral é vista como a matriz primeira de socialização e construção de identidade. Assumir-se gay é confrontar-se com as expectativas dos pais sobre os filhos, as crenças sobre o que é certo e errado, o mitos e estereótipos que perpassam a fantasia dos pais sobre o que é homossexualidade. Ao mesmo tempo, essa questão transcende apenas a esfera da homossexualidade. Falar sobre sexo é um tabu familiar. Em geral, pouco se fala sobre o tema, e quando se fala, se reproduz representações e estereótipos, ou se restringe a orientações de como se deve prevenir contra gravidez, doenças sexualmente transmissíveis, etc.

No caso de Sally, esta já sofrido com preconceitos e dificuldades, por ser mãe solteira, por ter de cuidar sozinha do filho, por ter vários parceiros. Defrontar-se com a homossexualidade do filho era mais um estigma a ser enfrentado, mais uma batalha a ser travada, consigo e diante da sociedade. Ao mesmo tempo em que entra em crise, em conflito e desorientação, ela também abre um espaço para o acolhimento, o diálogo, a troca. Ela se transforma nesse contato com o filho, se desarma, ressignifica a si mesmo, encarna outro papel e pode experimentar a dança.

No caso de Jamie com o pai e o irmão, “ser gay” passa a ser uma questão muito mais difícil de ser encarada a admitida. Ser gay, num primeiro momento, pode significar ser fraco, não se homem, ser mais suceptível à violência e ao despreso. Suas experiências de sofrimento tornaram-no rígido – o que se traduz na sua forma de vestir, em sua postura, em sua expressão facial. Experimentar contato com o outro, com Steve, é vivenciar um outro lado, que não o da dor. E ele só consegue se entregar à essa experiência quando ressignifica a figura do pai, ao vê-lo não mais como uma figura de força, temida e respeitada, mas como um estorvo, um bêbado, jogado na sargeta.

É inegável, a meu ver, os diferentes papeis exercidos pelos pais no processo de afirmação da homossexualidade.

9) O “sair do armário”, a afirmação social do “ser gay”

O “sair do armário” num contexto mais amplo, como assumir e encarnar o papel num contexto mais amplo se dá, no filme, com o caminhar de mãos dadas e dançar no meio da rua. Metaforicamente, a cena final do filme, traz a questão da “visibilidade” gay, do mostrar-se, do assumir publicamente, o que para muitos é algo absolutamente necessário, para se reivindicar direitos, ser reconhecido e respeitado, confirmado.

Esse movimento de sair do armário, no entanto, me parece como um dos últimos passos no processo de aceitação de si mesmo e de integração da identidade homossexual. É o desfecho do filme, o ponto ápice, a partir do qual irá se desdobrar outro enredo imprevisível. Mostrar-se é um exercício de liberdade, é sustentar uma escolha e responsabilizar-se por ela, é ter consciência de si e de que, na visibilidade, é visto, apreciado e avaliado pelo olhar do outro, porém de um outro ponto, do ponto de quem afirma a si mesmo com EU, podendo confrontar-se e negociar diretamente com o outro.

Essas foram as minhas impressões sobre o filme. Acredito que haja muitos outros pontos ainda que podem ser vistos e trabalhados. Cada personagem é construído de forma complexa e densa, cheios de faces, tensões e paradoxos.

Creio que o que se torna elemento fundamental dessa análise é a tentativa de se compreender a história a partir de vários pontos, levando em consideração os diversos elementos que constituem o todo o filme. Os múltiplos contextos (casa, escola, prédio, bairro, bar gay), o diversos níveis (individual, familiar, comunitário e cultural), que fazem parte do campo psicológico, do espaço vital de cada personagem. A construção das subjetividades se dá nas trocas, nas relações intersubjetivas, no trânsito de signos e representações, na emergência e descoberta de necessidades, nas múltiplas determinações da sexualidade vivida cotidianamente, a cada momento.

Você já saiu do armário hoje?

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Normalmente tomamos a idéia de sair do armário como um evento pontual. De fato é possível, em retrospectiva, localizar algum momento particularmente significativo na vida da pessoa em que ela precisa se posicionar acerca de sua sexualidade, seja diante da família, de amigos, etc. Esse episódio, marcante e especialmente importante na vida de qualquer homossexual ou bissexual, é inicio da construção de uma auto-imagem mais integrada, onde elementos de sua sexualidade não precisam ser ocultados de tudo e de todos. Ir a parada gay pela primeira vez, por exemplo, para muitos significou uma marcante saída do armário.

No entanto, muitas vezes somos colocados em novas situações em que é preciso sair do armário novamente. Pois o fato é que, por padrão, somos todos considerados heterossexuais e, sempre que entramos em contato com alguém ou uma situação nova, a expectativa inicial é de que não somos gays, lésbicas ou bissexuais. Uma mudança de emprego, por exemplo, pode significar um retorno ao armário. Não é raro acontecer de, ao sair de uma empresa onde sua homossexualidade é vivida de forma natural (com, por exemplo o companheiro participando de eventos abertos às famílias dos empregados) e mudar-se para outra firma, um rapaz gay decida voltar para o armário. Os motivos são muitos: um ambiente pouco acolhedor, as inseguranças de estar num emprego novo e o peso de ter que enfrentar tudo de novo pode fazer com que a saída do armário seja adiada indefinidamente.

Mas o mais curioso é que, não apenas em situações novas temos que enfrentar o armário. O fato é que, como para muitas pessoas a homossexualidade é um assunto tabu, que causa desconforto e com as quais não possuem nenhuma experiência com que lidar, preferem ignorar as informações recebidas.  Eu mesmo me recordo de ter de “lembrar” à um amigo que eu era gay por três vezes, fato que ele insistia em “esquecer”. São histórias comuns, como aquela tia que mesmo sabendo que você e sua namorada dividem um apartamento insiste em apresentar rapazes que são ótimos partidos. Ou o parente que insiste em chamar seu namorado de seu “amigo”. Muitas vezes sem se dar conta, sob a desculpa de que não querem nos constranger, negam nossos parceiros e laços afetivos, empurrando para debaixo do tapete familiar.

E há, claro, o caso clássico, que já pude ouvir de vários jovens: depois de sair do armário para os pais, esperando uma catástrofe, acorda no dia seguinte como se nada tivesse acontecido. O que parece um alento no primeiro momento vira um episódio surreal, onde todo o drama e choro do dia anterior sumiram mas também parece que toda a conversa também desapareceu da mente de seus pais. Em muitos casos os adolescentes acabam aceitando a encenação dos pais e nunca mais tocam no assunto, deixando de compartilhar com eles suas vidas afetivas diante do fato de que sua homossexualidade é tão insuportável que os pais preferem fingir que não sabem de nada.

A grande vantagem é que, mesmo nos casos mais extremos, sair do armário pela segunda (e terceira, quarta…) vez costuma ser mais fácil que da primeira. Mesmo no caso de parentes que preferem adotar o comportamento de avestruz, é saudável lembrá-los de vez em quando de que a verdade já foi exposta e que a encenação, além de um certo ridículo, pode ser um tanto dolorosa para todos. Principalmente porque se armário já não é agradável na primeira vez que estamos lá, sermos convidados a ter que voltar para ele é causa de angústia e sofrimento.

O fato é que sair do armário é um ato constante e cotidiano. Nem de longe significa sair apresentando-se como gay a cada pessoa que se conhece, pois o verdadeiro sair do armário não está numa declaração bombástica. Muito pelo contrario, na verdade sair do armário é permitir-se as mesmas liberdades e os mesmos direitos que todos possuem, agindo com naturalidade e de acordo com a sua forma de ser. Da próxima vez, basta você sorrir e dizer: Amigo(a)? Ah, não, é meu(minha) namorado(a)…

Sou gay, mas…

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Quem nunca ouviu alguém começar uma afirmação deste modo? Essa afirmação pode ter diversos complementos: sou gay, mas não sou afeminado. Sou gay, mas não sou promíscuo. Sou gay, mas não gosto de Madonna.

É compreensível que essa afirmação apareça ocasionalmente, principalmente quando é o caso de exemplificar uma contra-afirmação (alguém lhe diz que todos os gays gostam de Madonna e você retruca: sou gay, mas não gosto de Madonna). Mas o fato é que para algumas pessoas, o uso da conjunção “mas” parece vir sempre que lhes é necessário falar de sua sexualidade. Praticamente não lhes é possível afirmar-se gay/homossexual sem acrescentar um “porém”, uma incompletude de identificação. O que pode haver por trás disso?

Ora, a construção da frase propõem uma oposição. Gay versus afeminado ou promíscuo, por exemplo. Na verdade não é uma oposição de todos os gays, mas sim de um gay, apenas aquele que fala em oposição a todos os outros. -Eu, (apesar de ser gay), não sou afeminado (como imagino que todos os outros gays são). É impossível não pensar num conceito da psicanálise, a denegação, que seria de modo simplificado, a situação onde o sujeito se antecipa e nega algo que não foi afirmado objetivamente pelo seu interlocutor. Afinal, quem imaginou ser necessário fazer essa explicação?

A identidade gay é uma construção complexa, onde é necessário o enfrentamento de diversos preconceitos internos absorvidos durantes anos de nossa educação formal e informal. Aceitar-se gay envolve uma revisão de conceitos não apenas acerca da homossexualidade mas de si mesmo. O que é ser gay? Como são os outros gay? Sou igual a eles? Sou diferente? Sou gay porque gosto de música eletrônica ou porque me envolvo afetivamente com alguém do mesmo sexo? Sou menos gay por gostar de futebol?

Se me entendo como gay (ou homossexual, ou outra denominação) de uma forma integrada com os outros aspectos de minha personalidade não preciso, a todo momento, delimitar em que aspecto eu não sou gay.  Nem tampouco me achar “menos gay” ou “mais gay” por fazer (ou não fazer) algo. Uma vez que as pré-concepções são quebradas, é possível construir uma identidade rica, onde elementos não são mais conflitantes, pois o “mas” pode virar um “e”: sou um homem gay e sou monógamo. Sou um homem hétero e gosto filmes românticos.

Deste modo é possível afirmar-se como você mesmo, sem “mas” ou “poréns”.

O Armário: como e quando sair dele

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A metáfora do armário já é mais do que conhecida no meio GLBT, mas seus significados, a meu ver, podem ser os mais diversos. Em geral, significar se assumir como homossexual, mas isso muitas é por demais complexo. O que é se assumir? Como se assumir? Que comportamentos podem servir como medida para que se possa afirmar que um gay é assumido.

Já travei debates acalourados sobre o assunto. Minha própria experiência e contatos com outras pessoas me mostram que a questão não é simples. O primeiro passo, geralmente, é o de contar para os pais e familiares mais próximos. O que é, desde o começo, um investimento muito grande devido ao medo de ser rejeitado, de ser expulso de casa, de ser renegado à condição de “ovelha negra” na família. Para muitos, assumir tais “riscos” é insuportável, devido aos vínculos de dependência emocional e financeiro em relação aos pais.

Para um adolescente gay, por exemplo, assumir-se para a família – a depender do tipo de formação moral, valores e postura adotada por ela – pode ser por demais difícil, pois implica muitas vezes em sofrer o preconceito dos pais e irmãos, sendo vítima de violência moral ou física, podendo até mesmo ser expulso de casa e passar por maus bocados. Situações como essas não são raras, sendo, infelizmente, mas comum do que imaginamos e um dos principais medos do jovem gay, afinal não podemos deixar de considerar que a família se constitui no primeiro e principal contexto de socialização do indivíduo, onde introjetamos nossos valores e adquirimos os nossos primeiros papéis sociais e repertórios identitários.

Se opor à família pode significar, muitas vezes, separar-se de uma parte de si mesmo, enlutar-se, morrer e renascer das cinzas. O que para alguns pode ser uma vitória, uma carta de alforria, assumir o rumo de suas próprias vidas, para outros pode causar uma dor muito grande, insuportável, que leva a depressão e a atos de auto-destruição, como o suicídio. Negar-se a si mesmo, no entanto, pode ter os mesmo efeitos negativos sobre si.

Na escola, também, desde cedo os jovens gays são submetidos a modelos de gênero. Meninos e meninas são separados e cada um aprende a assumir certos papéis sexuais. O que é ensinado em casa, na escola é sedimentado. Na aula de educação física, meninas jogam vôlei e baleado e meninos jogam futebol. Principalmente na adolescência, há a pressão de assumir certos comportamentos sexuais. As paqueras começam a rolar, o desejo, o interesse pelo amiguinho ou amiguinha. Na adolescência se experimenta. Mas “assumir” o próprio desejo, ainda tão incerto, indefinido, é difícil, pois o tempo inteiro os colegas soltam piadas, há a fofoca do banheiro e do corredor: “Fulano pegou cicrana”, “Mariazinha te de olho em Joãozinho”, “Acho que Pedrinho é gay, pois não joga futebol!”, “Joaninha é sapata, tava de pegação no banheiro!”.

Nesse primeiro momento enfoco a família e a escola, pois são nossas matrizes e os primeiros contextos de socialização. As experiências que travamos nesses contextos deixam marcas permanentes em nossa história de vida, marcas essas que podem causar impactos enormes no amadurecimento emocional, nas estratégias futuras de enfrentamento em outros contextos interacionais.

Já conheci gays que aos 30 anos ainda não tinham contado para os pais que são gays. Outros, tiveram a coragem de contar para os pais na adolescência e foram expulsos de casa ainda cursando o segundo grau, tendo de abandonar ou postergar os sonhos de fazer medicina. Outro, na mesma situação, saiu de casa e entrou para a prostituição como alternativa que lhe permitiu o sustento e a vivência da sexualidade. Tive amigos que, mesmo com o canudo universitário, sofrem preconceito em congressos e eventos científicos e temem pelo preconceito dos clientes e de colegas. Alguns são militantes e lutam pelo direito de casar, ter filhos, partilhar bens com o companheiro. Para alguns, o medo de se assumir implica na impossibilidade de viver uma vida a dois, na descrença na possibilidade de um relacionamento duradouro, com amor e respeito, mesmo mantendo ainda o sonho de um dia encontrar o par ideal partilhar a vida e a velhice.

Quando escrevo isso, penso em mim mesmo, em meus caminhos escolhidos até agora, nos medos que alimento, nos passos corajosos que dei, mesmo temeroso, na cautela de me assumir para alguns amigos e me esconder para outros, de manter minha aparente heterossexualidade, mesmo vivendo a amando outro homem. Escrever esse artigo, em si, já é um passo para fora do armário. Assinar essas palavras com meu nome é me assumir gay, ao mesmo tempo em que digo que sou homem, sou estudante, amo, sinto, desejo, trabalho, sonho e vivo. E estar com outros “iguais”, tão diferentes de mim, tão únicos, é ver que somos humanos, independente de qualquer rótulo.

O armário, como a casca de um ovo, pode nos proteger e nos assegurar a preservação de nossa própria essência humana. Às vezes precisamos nos esconder dentro dele, ficar quietinho, pensando, dormindo, sonhando. Outras vezes precisamos fazer uma faxina, jogar tudo em cima da cama, pegar as coisas velhas e sem utilidade e jogar fora. Sair e ver de fora o que somos, quem somos e como somos, com a consciência de que não somos sozinhos no mundo, e que outra pessoa também pode vir, abrir a porta do armário e adentrar nossa intimidade. Não nos tranquemos em nossos armários com cadeados. Mantenhamos eles, pois somos nós mesmos, com as portas sempre entreabertas!