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	<title>Núcleo UNISex &#187; bissexualidade</title>
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	<description>Universalidade e Diversidade Sexual</description>
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		<title>Bissexualidade ou a terceira margem do rio?</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Aug 2008 10:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Janaína Calaça</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[bissexuais]]></category>
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<p><img class="alignnone size-full wp-image-563" title="Colunas e Artigos" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/01/glbt.png" alt="Colunas e Artigos" width="583" height="270" /></p>
<p>Para  mim é inevitável pensar a bissexualidade sem recordar de um conto  de João Guimarães Rosa, chamado “A terceira margem do rio”, que  traz a história de dois personagens, pai e filho, que lançam-se em  uma canoa no rio, habitando até o fim a margem terceira, o entre-lugar,  a superfície líquida das águas, a passagem. Tomo de empréstimo esta  metáfora porque penso que ela cabe como representação e, longe de  comportar uma definição, uma resolução ou o que seja acerca da bissexualidade,  penso que talvez a terceira margem seja a forma menos cartesiana de  se relacionar com a bissexualidade e que esteja em maior sincronia com  a própria existência, que abarca inclusive a vivência da sexualidade  em suas diversas possibilidades.</p>
<p>Pensar  a vivência da sexualidade já é um processo complexo e pensar a bissexualidade  não deixa de ser menos ou talvez até mais complexo, posto que aos  poucos entre dois espaços que se destacavam, ou seja, entre homossexuais  e heterossexuais, um espaço que não digo novo, mas silenciado, se  abre e com ele as discussões. Os posicionamentos em relação à bissexualidade  são múltiplos e englobam desde a rejeição à aceitação como uma  possibilidade de vivência, que se caracteriza primordialmente pela  não ocupação de um lugar definido. Apesar de todas as discussões  que circulam acerca da pluralidade de identidades que um indivíduo  carrega, sempre parece cair na mesma questão de que para ser algo,  para partilhar de uma identidade, necessariamente tenha que excluir  a outra, que porventura também faça parte da construção do mesmo  indivíduo. Talvez uma das maiores problemáticas acerca da bissexualidade  seja justamente a de que a sociedade o tempo todo necessita de uma organização  didática para as questões que circulam dentro da mesma, inclusive  em relação à sexualidade. Para fins didáticos, a orientação sexual  de um indivíduo deveria então encontrar-se posicionada ou na homossexualidade  ou na heterossexualidade. O que fazer então diante da bissexualidade?  O que seria esta vivência?</p>
<p>A  reação diante da bissexualidade, como citei anteriormente, não parte  somente dos heterossexuais como também dos homossexuais, que muitas  vezes encaram a mesma como uma aparente ausência de posicionamento  em relação à homossexualidade. Em um contexto, em que a luta por  espaço, voz e principalmente por direitos se revela cada vez mais presente,  a bissexualidade acaba sendo interpretada como uma posição de conforto  por muitos, como a saída em viver a homossexualidade e manter-se inserido  naquilo que é considerado como “socialmente aceitável”. Termos  como “vida dupla” frequentemente aparecem nas discussões que rodeiam  o cotidiano dos bissexuais. Ser bissexual carrega, dentre muitas rotulagens,  o estigma de uma vida “em cima do muro”, “às escuras” ou até  mesmo um certo oportunismo.</p>
<p>Diante  das inúmeras reações à bissexualidade, questiono-me se a sexualidade  é apenas algo a ser tratado como uma simples questão de posicionamento.  A sexualidade é atravessada pela cultura e aquilo que entendemos como  sexualidade não é vivenciada sem a interferência da mesma. O que  entendemos como sexualidade nos chega através da linguagem, da relação  com o outro, da arte, do corpo. A sexualidade é um conjunto de pontos  que se tocam, se cruzam, se atravessam, se misturam. Como então questionar  os limites de algo que é totalmente atravessado por questões que estão  constantemente em movimento? Se a própria sexualidade é vivenciada  em sua dinâmica de fatores que se misturam, sendo ela distinta para  cada indivíduo e sendo ela mais abrangente, como reduzir à bissexualidade  à ausência de uma posição, teoricamente a ser tomada? A sexualidade  é dinâmica, mutável e acredito que tudo que a ela esteja relacionado  também siga este fluxo.</p>
<p>Ao  iniciar o presente artigo, falei brevemente sobre o conto de Guimarães  Rosa, “A terceira margem do rio”. Viver a terceira margem do rio  é viver a consciência da transitoriedade de uma forma positiva, pois  este é o princípio básico da vida. A margem fixa nega o princípio  da vida, pois é fixa, não muda, não movimenta-se. A terceira margem  é justamente a vivência, a consciência de que nada é imutável,  pois somos atravessados pelo tempo. Acredito que a bissexualidade seja  a terceira margem do rio, como a homossexualidade e a heterossexualidade.  Tudo está relacionado à sexualidade, faz parte dela, atravessa, modifica.  Entender que não se trata de uma questão de posicionamento, mas sim  da própria condição da vida humaniza a questão e a afasta da mira  de um radicalismo pueril. Acredito que toda e qualquer expressão da  sexualidade é possível porque a sexualidade é múltipla e o ser humano,  palco desta vivência, está constantemente em mudança, exposto a experiências  distintas, a contatos distintos. Engessar a sexualidade em categorias  didáticas é negar, reiterando, à própria dinamicidade da vida, que  nunca se apresenta de uma forma só, em um ângulo somente, em um momento  apenas. E, como foi dito anteriormente, já que a bissexualidade, homossexualidade,  heterossexualidade compõem o mesmo todo e se atravessam, deveriam também  ser entendidas e vivenciadas como uma margem não fixa, que atende ao  movimento do tempo, das mudanças, das experiências e que nem por isso  deixa de ser possível para aqueles que transitam por ela.</p>
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		<title>Os Sonhadores</title>
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		<pubDate>Mon, 19 May 2008 11:37:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Núcleo UNISex</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
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		<category><![CDATA[cinema]]></category>
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		<description><![CDATA[Este filme de 2003, dirigido por Bernardo Bertolucci, conta a história de um jovem estudante americano em Paris que se envolve com dois irmãos Isabelle e Theo, com quem passa a morar junto na ausência dos pais dos doi. A construção deste triângulo amoroso envolve, além  da experimentação da sexualidade, o gosto pelo cinema e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://nucleounisex.org/content/uploads/2008/05/sonhadores.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-46" title="Sonhadore" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2008/05/sonhadores.jpg" alt="" width="240" height="151" /></a>Este filme de 2003, dirigido por Bernardo Bertolucci, conta a história de um jovem estudante americano em Paris que se envolve com dois irmãos Isabelle e Theo, com quem passa a morar junto na ausência dos pais dos doi.</p>
<p>A construção deste triângulo amoroso envolve, além  da experimentação da sexualidade, o gosto pelo cinema e o cenário político da 1968. Alias o momento político que se anuncia é a indicação de que o breve período que eles desfrutam de uma liberdade sem censuras não será definitivo apesar de marcar  suas vidas.</p>
<p>Assista ao trailer <a href="http://www.apple.com/trailers/fox_searchlight/the_dreamers/">aqui</a>. ( <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5191&amp;tipo=25&amp;nitem=7007723">Disponível em DVD</a>)</p>
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