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	<title>Núcleo UNISex &#187; filme</title>
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	<description>Universalidade e Diversidade Sexual</description>
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		<title>Cine Psiqueer: MILK</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Aug 2011 00:24:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Núcleo UNISex</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nesta sexta, dia 12 de Agosto, ocorre o Cine Psiqueer que discute o filme &#8220;MILK &#8211; A Voz da Igualdade&#8220;. Após a exibição do filme, será realizado um debate sobre: A política revolucionária do cotidiano com Murilo Arruda &#8211; Doutorando em Ciências Sociais pela UFBA e Paulo Duarte &#8211; Coord. Grupo Unisex. Esta atividade faz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="cartaz-PSIQUEER-revolução" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2011/08/cartaz-PSIQUEER-revolução.jpg" alt="" width="617" height="826" /></p>
<p>Nesta sexta, dia 12 de Agosto, ocorre o Cine Psiqueer que discute o filme &#8220;<a href="http://nucleounisex.org/filmes/milk-a-voz-da-igualdade.html">MILK &#8211; A Voz da Igualdade</a>&#8220;.</p>
<p>Após a exibição do filme, será realizado um debate sobre: <strong>A política revolucionária do cotidiano</strong> com Murilo Arruda &#8211; Doutorando em Ciências Sociais pela UFBA e Paulo Duarte &#8211; Coord. Grupo Unisex. Esta atividade faz parte de um ciclo de 06 encontros. As pessoas que se inscreverem e tiverem mais de 80% de frequência nos 6 encontros, serão certificadas pelo IHAC/UFBA.</p>
<p>Evento: Gratuito</p>
<p><a href="http://www.psiqueer.org/in​dex.php?option=com_seminar​&amp;Itemid=195">Inscrições </a>pode ser feita no <a href="http://www.psiqueer.org/in​dex.php?option=com_seminar​&amp;Itemid=195">site PsiQueer</a>.</p>
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		<title>Do Começo ao Fim</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 17:24:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Núcleo UNISex</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O que caracteriza um tabu é o veto, implícito ou explícito, de sua manifestação. Do Começo ao Fim apresentou-se como um filme que tocaria na polêmica questão do incesto. Esqueceu, no entanto, de trazer a questão do veto para cena e criou um filme esvaziado de seu próprio tema. O longa ganhou bastante repercursão com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-546" title="Do Começo ao Fim" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/03/do-comeco-ao-fim1.jpg" alt="" width="269" height="400" /><br />
O que caracteriza um tabu é o veto, implícito ou explícito, de sua manifestação. Do Começo ao Fim apresentou-se como um filme que tocaria na polêmica questão do incesto. Esqueceu, no entanto, de trazer a questão do veto para cena e criou um filme esvaziado de seu próprio tema.</p>
<p>O longa ganhou bastante repercursão com o público gay pelo destaque da relação homossexual dos meio-irmãos, sendo esta expectativa confirmada na fase adulta do filme, onde o parentesco de ambos é irrelevante à trama e são esbanjadas as cenas de sexo entre os atores. Belas, as cenas satisfazem os que queriam ver alguma ação entre homens no cinema brasileiro e só choca os desavisados sobre a natureza do filme.</p>
<p>Aluisio Abranches não examina a homossexualidade, nem como tabu, nem como vivência dos personagens, abstendo-se também do que seria a polêmica secundária do filme. O que torna-se razoável, já que no universo em que se passa o filme a relação incestuosa é plenamente incomporada, tornando  sem sentido encontrar alguma oposição à experiência homossexual. Outra boa razão é que, de fato, os personagens não precisariam se identificar como gays para que se configurasse aquela relação entre os irmãos.</p>
<p>Restaria então dizer que esta seria uma história de amor, mas esta é talvez a verdadeira questão do filme. Ao alienar os personagens de qualquer questionamento pessoal ou do mundo a sua volta sobre suas escolhas, Abranches criou um ambiente estéril típico de uma obsessão e não de amor.  O único episódio de distânciamento físico (e possível impasse para a relação) é traduzido na incapacidade de existir sem o outro, num desmoronamento subjetivo. Intencional ou não, o possível mérito do filme estaria em apresentar esse desequilibro afetivo sem pautar na homossexualidade ou no incesto como causalidade.</p>
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		<title>Canções de Amor</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 17:20:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Núcleo UNISex</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Canções de Amor (Les Chansons d’Amour &#8211; França, 2007) Drama / Musical Direção: Christophe Honoré Roteiro: Christophe Honoré Elenco: Louis Garrel, Ludivine Sagnier, Clotilde Hesme, Chiara Mastroianni, Grégoire Leprince-Ringuet, Alice Butaud, Brigitte Roüan, Jean-Marie Winling É interessante ver um musical com personagens com uma dose real de espontaneidade. O fato de terem sido delineados após [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft size-full wp-image-544" title="Canções de amor" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/03/cancoes-de-amor1.jpg" alt="" width="300" height="400" />Canções de Amor</strong> (Les Chansons d’Amour &#8211; França, 2007)</p>
<p>Drama / Musical</p>
<p><strong>Direção:</strong> Christophe Honoré</p>
<p><strong>Roteiro:</strong> Christophe Honoré</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Louis Garrel, Ludivine Sagnier, Clotilde Hesme, Chiara Mastroianni, Grégoire Leprince-Ringuet, Alice Butaud, Brigitte Roüan, Jean-Marie Winling</p>
<p>É interessante ver um musical com personagens com uma dose real de espontaneidade. O fato de terem sido delineados após a composição das músicas, que poderia ser um problema, acabou por torná-los deliciosamente humanos ao seguirem um fluxo meio inconstante e incoerente de reações emocionais. Afinal coerência, em particular no campo do amor, é uma característica rara e neste filme as coisas simplesmente acontecem, as emoções oscilam e poucos sabem o que realmente querem.</p>
<p>Uma certa melancolia é constante no filme e atravessa a todos, menos um personagem que justamente representa a esperança do amor novo (e não apenas um novo amor). Nos demais, quase o tempo todo aceita-se, lamenta-se ou inveja-se o amor. É como se dissessem: &#8220;o amor esteve aqui, mas já foi&#8221; (o que ganha representação material num episódio trágico, mas presente desde o começo do filme). Nesta ausência, cada um decide como lidar com o amor: não vou amar mais, vou ocupar o lugar do ser amado, etc.</p>
<p>O personagem de Garrel não sabe o que fazer com o amor (que estava aqui mas já foi) , não corresponde necessariamente aos lugares amorosos que lhe esperam (de filho postiço, de amante) e acaba por se aventurar em uma solução inesperada. Honoré consegue capturar um instantâneo do amor, mesmo que para isso precise congelar o tempo.</p>
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		<title>Milk: A voz da Igualdade</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 17:12:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Núcleo UNISex</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O trabalho de reconstituição da vida do ativista gay Harvey Milk feito por Gus Van Sant é minucioso e dedicado. Encontramos gravações reais da época inseridas no filme, o que o aproxima do documentário sem no entanto eliminar o espaço para criação artística. Mesmo que apresentado numa linguagem cinematográfica mais linear e palatável ao grande [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5191&amp;tipo=25&amp;nitem=2866948"><img class="alignleft size-full wp-image-539" title="Milk: A voz da Igualdade" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/03/milk-a-voz-da-igualdade1.jpg" alt="" width="270" height="400" /></a>O trabalho de reconstituição da vida do ativista gay Harvey Milk feito por Gus Van Sant é minucioso e dedicado. Encontramos gravações reais da época inseridas no filme, o que o aproxima do documentário sem no entanto eliminar o espaço para criação artística. Mesmo que apresentado numa linguagem cinematográfica mais linear e palatável ao grande público que em seus outros filmes, mais experimentais, ainda encontramos os espaços e silêncios a serem preenchidos pelo espectador. Principalmente quando o filme investiga os momentos mais íntimos da vida de Milk e dá material para especularmos sobre suas motivações, contradições e limitações: Pean e Van Sant entregam-nos um herói humano, bem longe da idealização mas, por isso mesmo, admirável e inspirador.</p>
<p>Não apenas Sean Pean, com seu merecido Oscar de ator pelo filme, mas quase todo elenco traz atuações dignas. A exceção fica por conta de Diego Luna, pouco a vontade com um personagem que oferecia várias oportunidades interpretação. James Franco,  com um papel menos expressivo, faz uma atuação bem mais consistente e significativa. Josh Brolin é outro mérito do filme, dando ao seu Dan White nuances e complexidade para que este permaneça um mistério a ser levado pelo espectador após a sessão. Emile Hirsch, está de fato adorável (como Harvey descreve Cleve Jones,  seu papel no filme) ao mostrar talento em diversas cenas, desde o diálogo em seu primeiro encontro com Harvey Milk nas ruas de San Francisco.</p>
<p>É curioso que a maior oposição à Milk no campo do ativismo político não tenha ganho uma atriz, mas apenas em imagens da verdadeira Anita Bryant através de suas declarações em vídeo. Pode-se imaginar que a razão seja  que enfrentamento dos dois aconteceu por vias  indiretas, na arena política, mas acredito que há outras razões para esta escolha acertada: a oposição com fervor religioso que vemos no filme só não ganharia a acusação de ser caricata se exposta através dos protagonistas históricos daqueles fatos.</p>
<p><strong>Comprar em</strong> <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5191&amp;tipo=25&amp;nitem=2866948">DVD</a> <strong>ou</strong> <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5191&amp;tipo=25&amp;nitem=2721584">Blu-Ray</a></p>
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		<title>Você não está sozinho</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Feb 2009 00:58:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Calaça</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O filme filme dinamarquês &#8220;Você não está sozinho&#8221; (Du Er Ikke Alene), de 1978, se passa numa escola dinamarquesa, onde funciona um internato de meninos. Ambientada na década de 70, o filme traz as primeiras descobertas da adolescência de um grupo de meninos, que começam a ter contato com bebidas, drogas, com o corpo e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5191&amp;tipo=25&amp;nitem=7027318"><img class="alignleft size-full wp-image-493" title="du-er-ikke-alene" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2009/02/du-er-ikke-alene.jpg" alt="du-er-ikke-alene" width="240" height="338" /></a></p>
<p>O filme filme dinamarquês <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5191&amp;tipo=25&amp;nitem=7027318">&#8220;Você não está sozinho&#8221; (Du Er Ikke Alene)</a>, de 1978, se passa numa escola dinamarquesa, onde funciona um internato de meninos. Ambientada na década de 70, o filme traz as primeiras descobertas da adolescência de um grupo de meninos, que começam a ter contato com bebidas, drogas, com o corpo e a sexualidade.</p>
<p>Na escola os meninos têm aulas sobre política, sobre os efeitos de drogas e &#8220;vivências&#8221; que exploram o contato com o corpo e os impactos psicológicos das relações grupais de aceitação ou rejeição. Os professores adotam duas posturas: uma mais liberal, que favorece a reflexão e incentivam as descobertas da adolescência e uma mais conservadora, que prima pelo respeito aos professora e pela moral, submetendo os alunos a regras rígidas e primando pela &#8220;coerência na educação&#8221;. Apesar do formato laico – gerido por civis – a escola tinha aulas de religião, denotando um modelo tradicional de educação.</p>
<p>Numa das aulas, sobre política, em que se discute sobre regimes democráticos, um dos alunos questiona a participação dos jovens e idosos no regime democrático – considerados marginais nos processos decisórios. O professor, como justificativa, fala da &#8220;imaturidade política dos jovens&#8221;, legitimando a representação social de jovem como um &#8220;não lugar&#8221;, um &#8220;não-ainda&#8221;, um &#8220;por vir&#8221;.</p>
<p>Nas cenas envolvendo os garotos, evidenciam-se vários fenômenos &#8220;típicos&#8221; da adolescência e suas descobertas: o uso de drogas (desodorante), as práticas de masturbação, a leitura de revistas e livros eróticos, brincadeiras sexuais e brigas entre os meninos. As primeiras experiências sexuais se dão entre os próprios meninos ou com meninas da turma – ou mais velhas, que cuidam do refeitório &#8211; de forma delicada, num progressivo desvelar-se que transita entre a excitação da curiosidade o medo e de serem descobertos. Apesar dos controles exercidos pelos professores – em especial pela figura do diretor – os meninos encontram formas alternativas de &#8220;burlar&#8221; as regras e experimentarem clandestinamente, as primeiras experiências da adolescência.</p>
<p>Em destaque, tem-se a história amorosa de dois garotos – Kim e Bo – que vivenciam essas experiências entre si. Bo vem das férias na praia, em que teve um contato amoroso com um amigo e trás as dúvidas e curiosidades sobre a sexualidade. Kim, filho do diretor da escola, mais novo que Bo e da maioria dos meninos, que tem contato com eles e, progressivamente vai entrando em contato com a sexualidade e com o amor. Aos poucos vai se delineando um jogo de sedução entre Bo e Kim, em que ambos experimentam o contato e a intimidade, de forma lúdica , por meio de brincadeiras.</p>
<p>Algumas cenas traz bem nítida essa ludicidade que demarca a fase de transição da infância para a adolescência, como a brincadeira de índio, e o banho dos dois, em que o Kim brinca com a espuma do xampu. A descoberta da sexualidade, entre eles, se contrapõe com a &#8220;invasão de pornografia&#8221; que se dá na escola, pelos meninos mais velhos, mostrando uma via que mantém uma aura de &#8220;inocência&#8221; da infância – considerada característica &#8220;típica&#8221; da infância.</p>
<p>Em paralelo à relação entre Kim e Bo – protótipo desse amor inocente – tem-se as formas dos outros jovens de vivenciar de forma mais explícita as descobertas da sexualidade, por meio de piadas, brincadeiras eróticas e da externalização espontânea dessa sexualidade. Colocada em evidência, nas ações e na linguagem dos jovens, essa sexualidade é reprimida pelo diretor, quando tenta punir um dos alunos, responsáveis por prender fotos revistas pornográficas no banheiro dos dormitórios.</p>
<p>Diante da postura autoritária do diretor da escola e do corpo docente, alguns alunos se unem num movimento de &#8220;greve&#8221;, se recusando a freqüentar as aulas e organizando um movimento de protesto com faixas e com um documentário – com um apoio de uma professora (a que fala sobre drogas) que adota uma visão mais liberal. Nesse movimento, evidencia-se o ideal de coesão grupal e do movimento jovem, vivido de forma marcante nos fins da década de 60 e meados de 70 (Revolta de Maio de 1968 e o movimento de contracultura nos EUA e Europa com os hippies, beats, etc).</p>
<p>Uma referência ao movimento hippie também é feita, quando um grupo de alunos vai para o picnic no bosque. Lá eles experimentam um contato direto com a natureza, com a sensação de liberdade dionisíaca e de reconexão com o universo. Kim e Bo trocam carícias e experimentam a sensação de embriaguez– real e simbólica – do amor e do vinho.</p>
<p>A coesão grupal se faz presente também no movimento de defesa de Bo, quando ele é perseguido e humilhado por uma gangue de &#8220;meninos mais velhos&#8221;. Nesse conflito, o grupo vai a seu socorro. De forma subliminar, o sexo aparece reverenciado como uma forma de poder, quando, para pagar pelo crime de ter agredido Bo, um dos meninos da gangue é obrigado a beijar as nádegas de um dos meninos da escola, como forma de humilhação.</p>
<p>Ao fim do filme, o movimento de greve dos estudantes garante a permanência do colega que seria expulso. Há uma encenação de uma guerra, em que um dos meninos morre baleado. Monta-se o filme, em que o encontro entre Kim e Bo ilustra o mandamento cristão da &#8220;Amai ao próximo como a si mesmo&#8221;.</p>
<p>Nesse filme, poderíamos ensaiar alguns possíveis pontos de análise:</p>
<ol>
<li>A adolescência como fase de descobertas e experimentação;</li>
<li>Os conflitos de gerações e as diferentes formas de lidar com a passagens adolescência (liberal x conservadora);</li>
<li>A questão da coesão grupal e a importância da pertença x a solidão na adolescência;</li>
<li>O que se define, nas escolas, com educação sexual;</li>
<li>As primeiras experiências sexuais como experimentação e exploração da sexualidade ou como definidora de uma orientação sexual e futura identidade sexual (homossexual ou heterossexual);</li>
<li>A questão das drogas e uma possível função preventiva da educação;</li>
<li>Alienação x implicação dos pais na criação dos filhos – a questão do modelo de internato;</li>
<li>O contexto sócio-histórico da década de 70 (Contracultura, movimento hippie, movimento de liberação sexual – feminista e gay)</li>
</ol>
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		<title>Considerações sobre o filme &#8220;Delicada Atração&#8221;</title>
		<link>http://nucleounisex.org/colunas/consideracoes-sobre-o-filme-delicada-atracao.html</link>
		<comments>http://nucleounisex.org/colunas/consideracoes-sobre-o-filme-delicada-atracao.html#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 26 Jan 2009 13:01:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Calaça</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
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		<description><![CDATA[Assisti recentemente ao filme “Delicada Atração”. O filme traz a história da descoberta da sexualidade de dois garotos que viviam em um bairro periférico da Inglaterra, esboçando os conflitos em relação aos papéis sociais esperados dentro de uma heteronormatividade, os tabus familiares e da comunidade. Steve (ou Stea) é um adolescente que foge da aula [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> </strong></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-586" title="Delicada Atração" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2009/01/delicada-atracao.jpg" alt="Delicada Atração" width="583" height="270" /></p>
<p><em>Assisti recentemente ao filme “Delicada Atração”. O  filme traz a história da descoberta da sexualidade de dois garotos que  viviam em um bairro periférico da Inglaterra, esboçando os conflitos em  relação aos papéis sociais esperados dentro de uma heteronormatividade,  os tabus familiares e da comunidade.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em>Steve  (ou Stea) é um adolescente que foge da aula de educação física, por não  gostar de praticar esportes. É filho de Sally, uma garçonete, mãe  solteira, de 35 anos, que tem relacionamentos pouco duradouros e,  atualmente mora com um homem 8 anos mais novo que ela. Segundo Steve, os  homens com quem Sally se relaciona são usados por ela.</p>
<p>Steve tem  dois visinhos: Leah, uma garota negra fã de Mama Cass, que mora com a  avó e Jamie, colega de escola de Steve, que mora com um pai bêbado e com  o irmão mais velho que batem nele frequentemente. Entre Steve e Jamie  inicia-se um movimento de aproximação, a partir do convívio na escola e  do acolhimento de Jamie por Sally, após ele sofrer violência do pai e  irmão. Ao contrário de Steve, Jamie é integrado ao grupo de colegas que  participa da aula de educação física.</p>
<p>Uma noite,  após sofrer violência do pai, Jamie vai para a casa de Steve e eles  dormem juntos, dividindo a mesma cama. Steve vê as marcas deixadas pelas  surras do pai de Jamie em seu corpo, e cuida dele, passando-lhe um  creme nas costas. Nesse momento de toque, Jamie fica excitado com as  carícias. Steve, que aparentemente já tinha consciência de sua atração  por meninos – e pelo Jamie – pergunta-lhe se já beijou alguma vez na  boca. Jamie responde que não, por &#8220;ter se tornado feio&#8221;, devido às  violências sofridas dentro de casa. Nesta noite eles dormem juntos, e  iniciam um movimento de maior envolvimento e apaixonamento.</p>
<p>Jamie entre  num movimento inicial de recusa e evitação da relação amorosa com  Steve, por não compreender seus sentimentos e sensações e por isso ir de  encontro às expectativas sociais de masculinidade e da  heterossexualidade. Não consegue se ver como um gay, uma bicha. Steve,  por sua vez, se aproxima mais facilmente dessa construção de identidade,  buscando informações em revistas gays, buscando adentrar nesse mundo,  e, mostrando para Jamie essa possibilidade de existência.</p>
<p>Vão a um  bar gay, onde são aceitos e acolhidos, encontrando um espaço de  legitimação de sua orientação sexual.</p>
<p>Ao longo  desse processo, Sally, a mãe de Steve, é informada por Leah da relação  entre ele e Jamie e de que o filho sofre preconceito na escola, sendo  vítima de xingamentos e violência física. Num primeiro momento, Sally  não sabe como lidar com a situação. Segue o filho e o vê entrando no bar  gay, e quando ele chega em casa, confronta-o.</p>
<p>A relação  entre Sally e Steve se mostra ambivalente. Sally não manifesta carinho  pelo filho, embrutecida pela vida, não tendo referenciais de  maternidade, por ter sido abandonada desde cedo pela mãe. Ao mesmo  tempo, percebe forte identificação com o filho, &#8220;esquisito&#8221;, diferente  dos outros garotos. Na conversa que é travada entre eles, Steve antecipa  os possíveis medos e fantasias da mãe, sobre o risco de contrair AIDS, a  crença de que aquele momento é só uma &#8220;fase&#8221;. Sally admite que o filho a  conhece muito bem.</p>
<p>A partir  desse ponto o filme se desenrola em direção ao desfecho. Sally encontra  um novo emprego, e têm expectativas de sair do bairro em que vivem, em  direção a uma nova vida. Steve e Jamie assumem publicamente seu  relacionamento e dançam na rua, com símbolo do &#8220;sair do armário&#8221;. Sally  acolhe – após um choque inicial – e entra na dança, despindo-se da dura  couraça da mulher lutadora, e entregando-se a um momento de leveza, na  dança com Leah. Nesta última cena, toda a comunidade em volta observa e  reage de formas diversas, com choque, espanto ou cumplicidade.</p>
<p>Após esse  breve resumo da história, é possível destacar alguns aspectos dignos de  análise:</p>
<p><strong>1) </strong><strong>O contexto  familiar do jovem homossexual</strong></p>
<p>Um dos  pontos muito discutidos após o filme foi o contexto que favoreceria a  emergência do jovem homossexual. Famílias desestruturadas, com a  ausência de uma das figuras parentais, a violência doméstica e a  carência afetiva. Às vezes existe de fato essa &#8220;desestruturação&#8221;, por as  famílias não se organizarem mais segundo um ideal de família nuclear  burguesa, por os casais se dissolverem, e haver rotatividade de  parceiros, pelos pais, porém isso não <span style="text-decoration: underline;">determina</span> a  homossexualidade, embora faça parte do campo em que o sujeito está  inserido e constitui sua personalidade.</p>
<p>Não é  possível desprezar o contexto familiar do qual o sujeito fez ou faz  parte. A homossexualidade é um fenômeno de origem multifatorial,  multideterminada, e todos os fatores constituintes da história de vida  do sujeito, quando temos acesso a eles, precisam ser levados em  consideração para a compreensão do sujeito atual, em sua totalidade.  Olhar para o contexto é indispensável para a compreensão do sujeito  enquanto interação organismo-meio, contextualizado no tempo-espaço. O  sujeito, a pessoa, não é uma abstração, mas uma relação de contato  constante, integrando, assimilando e selecionando a cada momento os  elementos que irão constituir sua personalidade, seu self.</p>
<p><strong>2) </strong><strong>O  estereótipo dos papéis sociais (e sexuais) esperados do homem</strong></p>
<p>Representado  pelo jogo de futebol e pelas expectativas da mãe quando a filho  participar de &#8220;atividades de meninos&#8221;, as representações sociais sobre  os papéis sociais, sexuais e de gênero, se mostram como elementos  importantes na constituição da pessoa, desde o momento em que nasce e é  incorporado à cultura.</p>
<p>Tais  representações, introjetadas pelo sujeito na constituição de sua  personalidade, posteriormente se torna fatores de conflito interno da  pessoa, ao descobrir-se homossexual, ao descobrir-se atraído por uma  pessoa do mesmo sexo, não sendo possível responder às expectativas  sociais do que se tem como &#8220;normal&#8221;. O confronto com essas  representações, põe em choque o &#8220;ser gay&#8221;, &#8220;ser bicha&#8221; e outras  expressões marcadas por forte preconceito e difíceis de serem integradas  sem conflito. O sujeito entre em crise, no embate consigo mesmo e com a  sociedade.</p>
<p><strong>3) </strong><strong>As  estratégias adotadas por uma mãe solteira para cuidar sozinha de um  filho</strong></p>
<p>Não é  incomum que mães solteiras, como a Sally, tenham múltiplos parceiros.  Por vezes isso se constitui uma estratégia de sobrevivência, diante de  dificuldades reais de manutenção de si mesmo e dos filhos. Uma mãe  solteira ainda hoje sofre estigmas por não ter um marido, uma figura  masculina que lhe sirva de proteção e de referência para os filhos.  Principalmente em meios sociais de baixa renda, ter um companheiro – por  pior que ele seja – representa segurança e respeito diante da  comunidade. Às vezes as relações – que espera-se idealmente seja regida  pelo amor e por sentimentos elevados e &#8220;transcendentes&#8221; – se dão por  questões utilitárias, por questões econômicas ou pela esperança de se  ter um pouco mais de segurança, ao ter uma figura masculina presente.  Não é incomum que mulheres fortes e independentes se submetam a relações  conflituosas com companheiros, pela necessidade de se ter um  companheiro, alguém a quem se possa dizer &#8220;é meu marido, meu homem&#8221;.</p>
<p>Por outro  lado, o cuidar sozinha de um filho, repercute de diversas formas sobre a  subjetividade da mãe solteira, que se vê tendo que adotar os dois  papéis parentais – de mãe e pai – às vezes se embrutecendo, deixando em  segundo plano a dimensão feminina, da sexualidade e da busca pelo amor e  a felicidade. Ser mãe passa a ser o elemento identitário mais  pregnante, a &#8220;figura&#8221; principal constituinte de sua personadidade.</p>
<p><strong>4) </strong><strong>O  preconceito e a violência (homofobia) vivenciada na escola</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Desde muito  cedo o jovem homossexual é vítima de preconceito, ao não se adequar a  todos os papéis esperados pela heteronormatividade. Não é incomum que um  jovem mais quieto, que não gosta de esportes, que não se aventura na  conquista de meninas, seja desde cedo discriminado e vitimado por  violências verbais e até físicas.</p>
<p>A presença  de uma educação sexual mais abrangente nas escolas, que levasse em  consideração a homossexualidade com uma outra possibilidade de vivência  da sexualidade, descaracterizada de estereótipos negativos, seria uma  alternativa necessária para reconfigurar as relações estabelecidas no  contexto escolar – um dos principais contextos de socialização, de  consolidação de valores, de formação de opinião e de identidade.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>5) </strong><strong>A vivencia  em comunidade, o público e o privado interferindo nas relações  interpessoais e no processo de vivência e afirmação da homossexualidade</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Ao olhar  novamente para o contexto em que o sujeito se insere, numa perspectiva  mais ampla, englobando a comunidade – o prédio, a rua, o bairro, a  cidade&#8230; – podemos intuir as diversas micro-relações de poder que se  estabelecem. Um contexto mais amplo, que interfere na constituição do  sujeito de forma subliminar, ao mesmo tempo em que defronta-o  cotidianamente em situações de conflito com o outro, de choque ou de  confirmação.</p>
<p>O bairro em  que o Steve morava era um bairro periférico, de população negra,  suburbana, com imigrantes indianos (a professora de educação física) e  de outras nacionalidades, etnias e religiões. Um contexto complexo,  heterogêneo, propiciador de situações de conflito e, ao mesmo tempo,  relativizadora de &#8220;verdades&#8221;. No contexto mais próximo, do prédio,  percebemos intrigas, conflitos entre visinhos, em que a vida privada é  partilhada por todos, pelas &#8220;paredes finas&#8221; que dividem os apartamentos e  pelos corredores, onde cada um atua como atores na trama cotidiana.</p>
<p>Conflitos  entre Sally e Leah, por exemplo, em torno do papel e do valor da mulher,  mostra perspectivas distintas sobre a sexualidade feminina, trazendo  representações sociais do que seria uma &#8220;mulher decente&#8221; e uma  &#8220;mulherzinha&#8221;. Questões como a rotatividade de parceiros, os amores  entre visinhos, a descoberta da sexualidade, o aborto, tudo é discutino  nas tramas sutis que se dão nas fofocas, nas ofensas, nos chistes. Esse é  o palco da vida cotidiana e do senso comum, em que a vida é vivida de  forma real, sem mascaramentos.</p>
<p>Neste  contexto, também a homossexualidade é posta em cena, encenada,  dramatizada, interpretada, submetida a avaliações do público, submetida a  críticas, atravessadas por valores morais, por estereótipos, pelo senso  comum – comunitário.</p>
<p><strong>6) </strong><strong>A iniciação  sexual na adolescência</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Representada  tanto pelo casal Steve e Jamie, quanto por Leah e pelas meninas da  festa em que participam, o filme traz de forma clara a &#8220;ebulição&#8221; que se  dão na adolescência em torno da descoberta e experimentação da  sexualidade. Podendo ser vivida com euforia, no movimento de busca  insaciável pela experimentação, pela procura por parceiros, por beijos e  transas, ou de forma mais retraída, cheia de dúvidas, com passos  inseguros, temerosos, cheios de prudência. Nesse ponto, a sexualidade é  vivenciada de forma paradoxal, variando as vivência de acordo com cada  pessoa, com os contextos e oportunidades que surgem, em ritmos e tempos  diferentes.</p>
<p>Steve traz  um elemento a mais: a busca por informação através de veículos de  comunicação (filmes, revistas), que podem funcionar como meios de  orientação para a sexualidade, dando pistas e discas sobre os caminhos.  Um contexto mais amplo, da cultura, que interfere na construção da  identidade e da orientação sexual, através da construção e disseminação  de discursos – canônicos ou de desconstrução da norma.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>7) </strong><strong>Os guetos  como ambiente de socialização e de legitimação da homossexualidade</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>O bar gay em  que Steve e Jamie foram pode ser visto como um gueto – um espaço social  em que a homossexualidade é permitida e legitimada, diferentemente do  contexto mais amplo da sociedade, que segue modelos e valores  heteronormativos. No bar gay se experimenta a diversidade, a  multiplicidade de manifestações e performances – gays, lésbicas,  travestis, bissexuais, etc, todos tem seu espaço, sendo vistos e  apreciados em suas diferenças. Os guetos aparecem como território  aliado, espaço de vivência autêntica e espontânea, em que é possível  viver papéis e fantasia, onde se pode ser a si mesmo ou travestir-se  para o outro, nas conquistas, nas brincadeiras e nos encontros entre  pessoas.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>8) </strong><strong>O  confrontamento com a família – contar para os pais que se é gay. O  movimento de choque e assimilação pela família do filho gay</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Nos  conflitos entre Steve e Sally e entre Jamie e o pai, se dá várias  facetas que estão por trás do assumir-se gay diante da família. A  família em geral é vista como a matriz primeira de socialização e  construção de identidade. Assumir-se gay é confrontar-se com as  expectativas dos pais sobre os filhos, as crenças sobre o que é certo e  errado, o mitos e estereótipos que perpassam a fantasia dos pais sobre o  que é homossexualidade.  Ao mesmo tempo, essa questão transcende apenas  a esfera da homossexualidade. Falar sobre sexo é um tabu familiar. Em  geral, pouco se fala sobre o tema, e quando se fala, se reproduz  representações e estereótipos, ou se restringe a orientações de como se  deve prevenir contra gravidez, doenças sexualmente transmissíveis, etc.</p>
<p>No caso de  Sally, esta já sofrido com preconceitos e dificuldades, por ser mãe  solteira, por ter de cuidar sozinha do filho, por ter vários parceiros.  Defrontar-se com a homossexualidade do filho era mais um estigma a ser  enfrentado, mais uma batalha a ser travada, consigo e diante da  sociedade. Ao mesmo tempo em que entra em crise, em conflito e  desorientação, ela também abre um espaço para o acolhimento, o diálogo, a  troca. Ela se transforma nesse contato com o filho, se desarma,  ressignifica a si mesmo, encarna outro papel e pode experimentar a  dança.</p>
<p>No caso de  Jamie com o pai e o irmão, &#8220;ser gay&#8221; passa a ser uma questão muito mais  difícil de ser encarada a admitida. Ser gay, num primeiro momento, pode  significar ser fraco, não se homem, ser mais suceptível à violência e ao  despreso. Suas experiências de sofrimento tornaram-no rígido – o que se  traduz na sua forma de vestir, em sua postura, em sua expressão facial.  Experimentar contato com o outro, com Steve, é vivenciar um outro lado,  que não o da dor. E ele só consegue se entregar à essa experiência  quando ressignifica a figura do pai, ao vê-lo não mais como uma figura  de força, temida e respeitada, mas como um estorvo, um bêbado, jogado na  sargeta.</p>
<p>É inegável, a  meu ver, os diferentes papeis exercidos pelos pais no processo de  afirmação da homossexualidade.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>9) </strong><strong> O &#8220;sair do  armário&#8221;, a afirmação social do &#8220;ser gay&#8221;</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>O &#8220;sair do  armário&#8221; num contexto mais amplo, como assumir e encarnar o papel num  contexto mais amplo se dá, no filme, com o caminhar de mãos dadas e  dançar no meio da rua. Metaforicamente, a cena final do filme, traz a  questão da &#8220;visibilidade&#8221; gay, do mostrar-se, do assumir publicamente, o  que para muitos é algo absolutamente necessário, para se reivindicar  direitos, ser reconhecido e respeitado, confirmado.</p>
<p>Esse  movimento de sair do armário, no entanto, me parece como um dos últimos  passos no processo de aceitação de si mesmo e de integração da  identidade homossexual. É o desfecho do filme, o ponto ápice, a partir  do qual irá se desdobrar outro enredo imprevisível. Mostrar-se é um  exercício de liberdade, é sustentar uma escolha e responsabilizar-se por  ela, é ter consciência de si e de que, na visibilidade, é visto,  apreciado e avaliado pelo olhar do outro, porém de um outro ponto, do  ponto de quem afirma a si mesmo com EU, podendo confrontar-se e negociar  diretamente com o outro.</p>
<p>Essas foram  as minhas impressões sobre o filme. Acredito que haja muitos outros  pontos ainda que podem ser vistos e trabalhados. Cada personagem é  construído de forma complexa e densa, cheios de faces, tensões e  paradoxos.</p>
<p>Creio que o  que se torna elemento fundamental dessa análise é a tentativa de se  compreender a história a partir de vários pontos, levando em  consideração os diversos elementos que constituem o todo o filme. Os  múltiplos contextos (casa, escola, prédio, bairro, bar gay), o diversos  níveis (individual, familiar, comunitário e cultural), que fazem parte  do campo psicológico, do espaço vital de cada personagem. A construção  das subjetividades se dá nas trocas, nas relações intersubjetivas, no  trânsito de signos e representações, na emergência e descoberta de  necessidades, nas múltiplas determinações da sexualidade vivida  cotidianamente, a cada momento.</p>
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		<title>XXY</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Apr 2008 11:05:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Lopes Neto</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2008/04/xxy-poster02.jpg"><img class="alignleft alignnone size-medium wp-image-28" style="float: left; border: 2px solid black;" title="xxy-poster02" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2008/04/xxy-poster02-105x150.jpg" alt="" width="105" height="150" /></a>XXY é um premiado filme argentino  que conta a história d@ adolescente Alex.</p>
<p>Em meio a preconceito, medo,  insegurança, e falta de conhecimento o filme mostra os conflitos de  possuir a condição física dos dois sexos, da possibilidade de escolha  entre um deles ou a permanecia dos dois e da construção da uma identidade.  É envolvente, emocionante e indispensável para aqueles que se interessam  pela boa arte e pelas questões da diversidade. O <a href="http://xxylapelicula.puenzo.com/main.html">site oficial do filme</a> além da ficha técnica, entrevistas  e tralier traz considerações sobre a intersexualidade.</p>
<p>UNI Sex recomenda XXY, <a title="XXY" href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5191&amp;tipo=25&amp;nitem=2704843">disponível em DVD</a>.</p>
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