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	<title>Núcleo UNISex &#187; homossexual</title>
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	<description>Universalidade e Diversidade Sexual</description>
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		<title>A primeira vez de um gay</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Feb 2009 00:20:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Calaça</dc:creator>
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		<category><![CDATA[homossexual]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-563" title="Colunas e Artigos" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/01/glbt.png" alt="Colunas e Artigos" width="583" height="270" /></p>
<p>&#8220;A  primeira vez ninguém esquece!&#8221; – diz o dito popular. Quando e como ela  será é difícil predizer. Quando será o primeiro beijo, a primeira  transa. Se o paquerinha da festa vai ser também o primeiro namorado&#8230; A  primeira paixão. O primeiro olhar&#8230; A adolescência é, em geral, a fase  da vida onde se dá esses encontros e primeiras descobertas. O mundo se  mostra como uma grande aventura, excitante e, ao mesmo tempo, cheio de  medos e perigos.</p>
<p>O começo da  sexualidade de um jovem gay de classe média pode ser tardio, em relação a  outros jovens. Refiro-me ao &#8220;jovem gay de classe média&#8221; pois essa é uma  realidade mais próxima da que vivencio e tive pouco contato com  histórias de jovens gays de outras classes sociais. Os gays e lésbicas  que eu conheço, em geral, começaram a vida sexual – homossexual – após  os 18 anos, podendo ter ou não relações heterossexuais antes de  vivenciarem a homossexualidade. Muito disso se dá em função das dúvidas e  conflitos consigo mesmos, pela formação familiar heteronormativa, pelas  expectativas sociais em torno dos papéis sociais e sexuais esperados  para o homem e a mulher, que podem ser vivenciados de forma muito mais  rígida na classe média.</p>
<p>A classe  média, em geral, prima pela tradição e pelo respeito de certos valores  morais convencionais e cristalizados. Estão sempre &#8220;na média&#8221;, no &#8220;meio  termo&#8221;, seguindo os ensinamentos clássicos da &#8220;temperança&#8221; e &#8220;justa  medida&#8221;, evitando os &#8220;excessos&#8221; ou o que é &#8220;desviante&#8221; da norma, do  padrão. A classe média é, muitas vezes, a vivência do pensamento binário  sim-não, bem-mal, certo-errado, homem-mulher, céu-inferno, que ignora  ou evita admitir as outras possibilidades de existência que fogem a essa  visão dicotômica de mundo.</p>
<p>Não duvido,  no entanto, que para gays de outras classes sociais, e inclusive da  classe média, essa descoberta se dê mais cedo. Essa questão do tempo da  descoberta me parece pouco relevante, pois o tempo é relativo a cada  pessoa, a cada subjetividade, e cada um tem seu próprio &#8220;ritmo&#8221;, sua  própria história. O tempo certo para aprender a dançar a primeira dança,  descobrindo os passos e se envolvendo aos poucos pela música, até que  chega o momento em que já não é mais possível deixar de dançar. É o  tempo de cada um.</p>
<p>Às vezes  tem-se colegas na escola que são gays, mas é muitas vezes difícil  estabelecer uma identificação, se ver como um &#8220;igual&#8221;, mesmo porque  ninguém é igual a ninguém. Cada um tem seu próprio jeito de ser e  demonstrar sua sexualidade. E. para muitos adolescentes, a própria  sexualidade é uma  incógnita, podendo ser negada,  rejeitada, levantando-se inclusive a possibilidade de se ver como um ser  &#8220;assexuado&#8221;. Infelizmente, apesar da grande exposição do jovem à  &#8220;produtos sexuais&#8221;, muito pouco se tem praticado para se realizar uma  educação sexual, que não se restrinja a descrições anatômicas dos  aparelhos sexuais, seu funcionamento, e possíveis doenças sexualmente  transmissíveis.</p>
<p>Essa  educação sexual, em geral, se dá de forma informal, pelo contato com  outros adolescentes, que buscam por conta própria informações, ou  experimentam entre si essas múltiplas possibilidades de excitação e  descoberta. Um contato mais próximo com outros gays  mais prematuramente, pode favorecer a vivência da homossexualidade mais  cedo, porém isso não é determinante ou causa da homossexualidade. &#8220;Sair  do armário&#8221; pra si mesmo, ver-se e afirmar a si mesmo como gay, pode ser  facilitado pela inclusão e legitimação do grupo, a partir do contato  com outros gays e lésbicas, ou pela simples possibilidade de, nos  contatos interpessoais, nas interações pessoa-pessoa, ver despertar o  desejo.</p>
<p>Muitas vezes  a homossexualidade pode ser muito nítida para as outras pessoas e  obscura demais para nós mesmos, por estarmos existencialmente  mergulhados em nossas dúvidas e angústias, entorpecidos ou cegos acerca  dos nossos próprios desejos e necessidades.  É quando não temos  consciência de nossos desejos, não nomeamos, não temos uma visão clara  de nossos objetos de atração.</p>
<p>As formas  como essa &#8220;descoberta&#8221; da sexualidade pode se dar é bastante variada. Os  &#8220;jogos homossexuais&#8221; de sedução podem acontecer na adolescência, sem  que, necessariamente, a pessoa se descubra ou se torne gay  posteriormente. A adolescência tende a ser uma fase de experimentação,  de curiosidade, e não é raro que meninos e meninas se iniciem  sexualmente com amigos e amigas do mesmo sexo. Porém, quando o desejo se  torna presente, quando a brincadeira se torna algo sério, se converte  em necessidade, pode, o jogo sexual, passar a ser um divisor de águas na  definição da orientação sexual do jovem. O que, na maioria das vezes, é  vivenciado com dúvidas, medos, conflitos e sentimentos de culpa e  remorso.</p>
<p>É possível  também que essas experiências iniciais, realizadas na adolescência, só  sejam significadas <em>a posteriori</em>, em outro contexto, quando o  sujeito tem outra consciência de si mesmo, de seu corpo e de seus  desejos. Às vezes é importante respeitar seu próprio tempo, os limites  da maturação (e maturidade), de consolidação da personalidade e da  formação de visão de mundo mais estável e constante – a personalidade.  Para alguns, a descoberta se dá através de uma brincadeira gostosa, para  outros, é um processo longo e doloroso, que se dá a curtos passos, por  meio de conquistas árduas, conflitos e batalhas cotidianas, consigo  mesmo e com aqueles que estão a nossa volta.</p>
<p>Talvez essas  batalhas a serem vencidas, esses encontros e desencontros necessários,  essa &#8220;abertura e fechamento de questões inacabadas&#8221;, nem sejam tão  &#8220;bélicos&#8221;, quanto se imagina. Mas, na fantasia do jovem homossexual,  ainda são passos imensos a serem dados, precisando de tempo e  amadurecimento, de maior independência, da aquisição de &#8220;forças  internas&#8221; ou de um &#8220;contexto&#8221; favoráveis e necessários para o  enfrentamento. O &#8220;necessário&#8221; é variável e é preciso estar atento a cada  circunstância, a cada oportunidade e a cada sensação que sentimos em  nós mesmos – sinais que podem orientar nossas escolhas e ações.</p>
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		<title>O Armário: como e quando sair dele</title>
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		<pubDate>Wed, 21 May 2008 10:00:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Calaça</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
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		<description><![CDATA[A metáfora do armário já é mais do que conhecida no meio GLBT, mas seus significados, a meu ver, podem ser os mais diversos. Em geral, significar se assumir como homossexual, mas isso muitas é por demais complexo. O que é se assumir? Como se assumir? Que comportamentos podem servir como medida para que se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-563" title="Colunas e Artigos" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/01/glbt.png" alt="Colunas e Artigos" width="583" height="270" /></p>
<p style="text-align: justify;">A metáfora do armário já é mais do que conhecida no meio GLBT, mas seus significados, a meu ver, podem ser os mais diversos. Em geral, significar se assumir como homossexual, mas isso muitas é por demais complexo. O que é se assumir? Como se assumir? Que comportamentos podem servir como medida para que se possa afirmar que um gay é assumido.</p>
<p style="text-align: justify;">Já travei debates acalourados sobre o assunto. Minha própria experiência e contatos com outras pessoas me mostram que a questão não é simples. O primeiro passo, geralmente, é o de contar para os pais e familiares mais próximos. O que é, desde o começo, um investimento muito grande devido ao medo de ser rejeitado, de ser expulso de casa, de ser renegado à condição de &#8220;ovelha negra&#8221; na família. Para muitos, assumir tais &#8220;riscos&#8221; é insuportável, devido aos vínculos de dependência emocional e financeiro em relação aos pais.</p>
<p style="text-align: justify;">Para um adolescente gay, por exemplo, assumir-se para a família – a depender do tipo de formação moral, valores e postura adotada por ela – pode ser por demais difícil, pois implica muitas vezes em sofrer o preconceito dos pais e irmãos, sendo vítima de violência moral ou física, podendo até mesmo ser expulso de casa e passar por maus bocados. Situações como essas não são raras, sendo, infelizmente, mas comum do que imaginamos e um dos principais medos do jovem gay, afinal não podemos deixar de considerar que a família se constitui no primeiro e principal contexto de socialização do indivíduo, onde introjetamos nossos valores e adquirimos os nossos primeiros papéis sociais e repertórios identitários.</p>
<p style="text-align: justify;">Se opor à família pode significar, muitas vezes, separar-se de uma parte de si mesmo, enlutar-se, morrer e renascer das cinzas. O que para alguns pode ser uma vitória, uma carta de alforria, assumir o rumo de suas próprias vidas, para outros pode causar uma dor muito grande, insuportável, que leva a depressão e a atos de auto-destruição, como o suicídio. Negar-se a si mesmo, no entanto, pode ter os mesmo efeitos negativos sobre si.</p>
<p style="text-align: justify;">Na escola, também, desde cedo os jovens gays são submetidos a modelos de gênero. Meninos e meninas são separados e cada um aprende a assumir certos papéis sexuais. O que é ensinado em casa, na escola é sedimentado. Na aula de educação física, meninas jogam vôlei e baleado e meninos jogam futebol. Principalmente na adolescência, há a pressão de assumir certos comportamentos sexuais. As paqueras começam a rolar, o desejo, o interesse pelo amiguinho ou amiguinha. Na adolescência se experimenta. Mas &#8220;assumir&#8221; o próprio desejo, ainda tão incerto, indefinido, é difícil, pois o tempo inteiro os colegas soltam piadas, há a fofoca do banheiro e do corredor: &#8220;Fulano pegou cicrana&#8221;, &#8220;Mariazinha te de olho em Joãozinho&#8221;, &#8220;Acho que Pedrinho é gay, pois não joga futebol!&#8221;, &#8220;Joaninha é sapata, tava de pegação no banheiro!&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse primeiro momento enfoco a família e a escola, pois são nossas matrizes e os primeiros contextos de socialização. As experiências que travamos nesses contextos deixam marcas permanentes em nossa história de vida, marcas essas que podem causar impactos enormes no amadurecimento emocional, nas estratégias futuras de enfrentamento em outros contextos interacionais.</p>
<p style="text-align: justify;">Já conheci gays que aos 30 anos ainda não tinham contado para os pais que são gays. Outros, tiveram a coragem de contar para os pais na adolescência e foram expulsos de casa ainda cursando o segundo grau, tendo de abandonar ou postergar os sonhos de fazer medicina. Outro, na mesma situação, saiu de casa e entrou para a prostituição como alternativa que lhe permitiu o sustento e a vivência da sexualidade. Tive amigos que, mesmo com o canudo universitário, sofrem preconceito em congressos e eventos científicos e temem pelo preconceito dos clientes e de colegas. Alguns são militantes e lutam pelo direito de casar, ter filhos, partilhar bens com o companheiro.<span> </span>Para alguns, o medo de se assumir implica na impossibilidade de viver uma vida a dois, na descrença na possibilidade de um relacionamento duradouro, com amor e respeito, mesmo mantendo ainda o sonho de um dia encontrar o par ideal partilhar a vida e a velhice.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando escrevo isso, penso em mim mesmo, em meus caminhos escolhidos até agora, nos medos que alimento, nos passos corajosos que dei, mesmo temeroso, na cautela de me assumir para alguns amigos e me esconder para outros, de manter minha aparente heterossexualidade, mesmo vivendo a amando outro homem. Escrever esse artigo, em si, já é um passo para fora do armário. Assinar essas palavras com meu nome é me assumir gay, ao mesmo tempo em que digo que sou homem, sou estudante, amo, sinto, desejo, trabalho, sonho e vivo. E estar com outros &#8220;iguais&#8221;, tão diferentes de mim, tão únicos, é ver que somos humanos, independente de qualquer rótulo.</p>
<p style="text-align: justify;">O armário, como a casca de um ovo, pode nos proteger e nos assegurar a preservação de nossa própria essência humana. Às vezes precisamos nos esconder dentro dele, ficar quietinho, pensando, dormindo, sonhando. Outras vezes precisamos fazer uma faxina, jogar tudo em cima da cama, pegar as coisas velhas e sem utilidade e jogar fora. Sair e ver de fora o que somos, quem somos e como somos, com a consciência de que não somos sozinhos no mundo, e que outra pessoa também pode vir, abrir a porta do armário e adentrar nossa intimidade. Não nos tranquemos em nossos armários com cadeados. Mantenhamos eles, pois somos nós mesmos, com as portas sempre entreabertas!</p>
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		<title>Homossexual sim, boiola não?!</title>
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		<pubDate>Wed, 07 May 2008 01:14:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Ricardo Borges</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
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		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[termos]]></category>

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		<description><![CDATA[Há alguns anos entrei no site do Grupo Gay da Bahia (GGB) e fiquei surpreso com algumas imagens de cervos ou veados que havia na página. Eram imagens animadas (GIF&#8217;s) que mostravam esses animais saltitando de um lado a outro. Aquilo me chocou. Também me incomodou muito. As perguntas que se repetiam na minha mente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-563" title="Colunas e Artigos" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/01/glbt.png" alt="Colunas e Artigos" width="583" height="270" /></p>
<p>Há alguns anos entrei no site do Grupo Gay da Bahia (GGB) e fiquei surpreso com algumas imagens de cervos ou veados que havia na página. Eram imagens animadas (GIF&#8217;s) que mostravam esses animais saltitando de um lado a outro. Aquilo me chocou. Também me incomodou muito. As perguntas que se repetiam na minha mente eram: &#8220;Como um grupo que defende os direitos dos homossexuais pode nos expor a uma situação tão ridícula? E por que acatar essa figura que a sociedade usa para representar os gays de forma tão pejorativa?&#8221;</p>
<p>Hoje reconheço que parte do meu espanto e do meu incômodo aconteceu porque não lidava direito com a minha <a href="http://nucleounisex.org/homossexualismo">homossexualidade</a>. Até aceitava que alguém se referisse a mim como homossexual, gay, mas &#8220;viado&#8221;, &#8220;bicha&#8221;, &#8220;baitola&#8221;, ainda eram termos que incomodavam demais.</p>
<p>Com o tempo amadureci e me dei conta de que o problema não estava no termo usado, mas no modo como eu o encarava. Aprendi que não importa o nome de que me chamem, seja &#8220;frutinha&#8221;, &#8220;boiola&#8221;, todos eles representam o que eu sou. E eu me orgulho e muito do que sou, da minha condição, da minha orientação sexual e de tudo que está atrelado a ela. Quando alguém me chama de pederasta ou o que o valha, penso logo: talvez estejam querendo dizer com isso que sou sensível, que me sensibilizo com os sentimentos alheios; talvez queiram falar que não sou violento, que sou carinhoso, meigo; podem estar querendo dizer também que faço amizade fácil com as mulheres e me dou super bem com elas como muitos homens não conseguem fazer; quem sabe podem estar querendo dizer que sou apegado à minha mãe e à minha família; ou ainda podem estar querendo afirmar que sou capaz de amar um igual, que sou forte o suficiente para romper preconceitos, encarar vários obstáculos e ser feliz.</p>
<p>Quando tirei do meu coração e do meu ombro o peso negativo desses termos, o meu modo de encarar o mundo mudou. Inventem a palavra que quiser, em qualquer tom de voz, ela ressoará sempre de forma positiva, porque é assim que me sinto quanto ao que sou, quanto à minha forma legítima e genuína de amar.</p>
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