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	<title>Núcleo UNISex &#187; passivo</title>
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	<description>Universalidade e Diversidade Sexual</description>
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		<title>O ativo sob suspeita: a norma e a anti-norma dos papéis sexuais</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Apr 2008 15:20:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Duarte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
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		<category><![CDATA[papeis sexuais]]></category>
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		<description><![CDATA[- Carlos diz que é só passivo. - Eu não acredito. - Eu também não. - Isso é conversa. Duvido que na hora ele não queira ser ativo! - Ele tem problemas, é travado. O diálogo acima lhe parece surreal? Para muitos gays depois de passar pelo processo de lidar com sua sexualidade e começar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-563" title="Colunas e Artigos" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/01/glbt.png" alt="Colunas e Artigos" width="583" height="270" /></p>
<p><em>- Carlos diz que é só passivo.<br />
- Eu não acredito.<br />
- Eu também não.<br />
- Isso é conversa. Duvido que na hora ele não queira ser ativo!<br />
- Ele tem problemas, é travado.<br />
</em></p>
<p>O diálogo acima lhe parece surreal? Para muitos gays depois de passar pelo processo de lidar com sua sexualidade e começar a conviver com outros homossexuais um diálogo como este soa, no mínimo, muito incomum. O principal motivo dele parecer tão estranho é que ele é um exercício de imaginação  a partir de uma versão <strong>oposta</strong> deste mesmo diálogo, cujo sentido é repetido a exaustão: a dúvida sobre a preferência pelo papel ativo entre homossexuais.</p>
<p>A raridade do diálogo acima e a frequência de sua versão oposta merece uma investigação mais minuciosa sobre o que isto pode dizer a respeito das expectativas dos papéis sexuais e seus significados na relação gay. Ativo e passivo são nomes comumente definidos na relação sexual, entre quem penetra e quem é penetrado, no entanto isso costuma ultrapassar os limites da cama e ganhar aderência na identidade do sujeito, muitas vezes adquirindo lugar de substantivo.</p>
<p><em>Quem é a mulher da relação? </em></p>
<p>A pergunta ainda comum entre heterossexuais desavisados encontra muito bem ecos nas crenças <a href="http://nucleounisex.org/dicionario/h/heteronormativo">heteronormativas</a> enraizadas entre homossexuais, que as vezes esperam dividir a relação entre papéis de ativo e passivo. Uma outra crença, igualmente popular, que continua cristalizada cria no entanto uma situação paradoxal: a de que <strong>todos homossexuais desejariam de fato ser sexualmente passivos</strong>. Não é difícil imaginar que isso gera problemas quando as relações homossexuais contemporâneas começaram a explorar outras possibilidades além do binômio <strong>bofe</strong> (que <strong>não</strong> <strong>é</strong> gay, porque &#8220;é&#8221; ativo) e <strong>bicha</strong> (que <strong>é</strong> gay, porque &#8220;é&#8221; passivo). Ora, mesmo que na cama a dualidade de papéis permanecessem (como fato ou como possibilidade) muitos homossexuais assumiram outras identidades menos rígidas e o &#8220;casal de gays&#8221; ficou sob suspeita.</p>
<p><em>Se os dois são &#8220;gays/bichas/veados&#8221;, afinal, quem é a mulher da relação?<br />
</em></p>
<p>Se o rapaz diz não praticar sexo com penetração, deve ser passivo inexperiente. Se o rapaz diz-se passivo, é passivo mesmo. Se diz-se versátil, transitando entre os dois papéis, é na verdade passivo. Se diz-se ativo, é passivo sob suspeita. As desconfianças encontram uma justificativa plausível por conta do preconceito de que ser passivo, tal como ser mulher, é considerado um demérito em nossa cultura.</p>
<p>É curioso, no entanto, que mesmo entre ativistas gays seja comum um discurso de reprovação generalizada daqueles que manifestam sua identificação exclusiva com o papel ativo: seriam complexados, machistas, guardando ainda um grau de enrustimento que deveria ser extirpado. O crime de ser passivo, do machismo, se converte em culpa de ser ativo, em sua forma reativa, que <strong>no entanto apenas reafirma a mesma crença: acusa-se o outro de esconder um &#8220;defeito&#8221;</strong>. Essa postura não parece comunicar a desmistificação do papel sexual passivo, nem esvaziar seu sentido de inferioridade e sim reafirma sua posição negativa.</p>
<p>Acredito que existe um erro grave ao tentar transformar a intimidade da relação em lugar de posicionamento político, mesmo que reconhecidamente influenciem-se. Não há nada de revolucionário ou positivo em prescrever posições sexuais por razões ideológicas. As relações homossexuais têm a prévia vantagem de ser um espaço com maior liberdade de negociação do papéis sexuais e de gênero. Cada relação tem a oportunidade de construir sua dinâmica menos presa aos papéis sexuais e <strong>essa prisão pode ser tanto a obrigatoriedade de imitar a relação heterossexual como ter de se opor radicalmente a ela</strong>. Nessa discussão esquece-se que a relação sexual prescinde de prenetração e que muitos casais homossexuais sequer cogitam em incluí-la em suas práticas intimas. No entanto, quando esta prática estiver presente ela deve poder ser exercida de forma livre, inclusive na possibilidade de papéis exclusivos e predefinidos. Assim talvez seja possível realmente subverter a lógica superior-inferior, pois mesmo numa relação onde a divisão dos papéis ativo e passivo aparece, antes de tudo existem duas pessoas exercendo livremente sua sexualidade.</p>
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