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	<title>Núcleo UNISex &#187; psicólogo</title>
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	<description>Universalidade e Diversidade Sexual</description>
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		<title>Grupos de Encontro de Auto-conhecimento e Sexualidade</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Sep 2009 19:48:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Núcleo UNISex</dc:creator>
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		<category><![CDATA[psicólogo]]></category>
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		<description><![CDATA[Em 15 e 23 de Setembro iniciam os grupos de Encontro de Auto-conhecimento e Sexualidade em Salvador, organizados pelo psicólogo Luiz Fernando Calaça. Os grupos, formados por até 6 pessoas, irão trabalhar questões da sexualidade, como identidade e relacionamentos, etc. Luiz Fernando é gestalt terapeuta e os grupos serão encontros vivenciais, com experimentos terapeuticos e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 15 e 23 de Setembro iniciam os grupos de Encontro de Auto-conhecimento e Sexualidade em Salvador, organizados pelo psicólogo <a href="http://lfcalaca.com">Luiz Fernando Calaça</a>. Os grupos, formados por até 6 pessoas, irão trabalhar questões da sexualidade, como identidade e relacionamentos, etc.</p>
<p>Luiz Fernando é gestalt terapeuta e os grupos serão encontros vivenciais, com experimentos terapeuticos e de reflexão. Clique no cartaz para ver mais detalhes.<br />
<a href="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2009/09/IRIS1.JPG"><img class="size-large wp-image-509" title="IRIS" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2009/09/IRIS1-500x710.jpg" alt="IRIS" width="500" height="710" /></a></p>
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		<title>Homossexualidade e cura</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Aug 2009 00:03:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Calaça</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
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		<description><![CDATA[Recentemente tem havido um movimento no meio GLBT pela punição da psicóloga Rozângela Alves Justino, que afirmava ter realizado curas de homossexuais, associando a homossexualidade a doença, posição que vai de encontro ao código de ética do Psicólogo e a Resolução do Conselho Federal de Psicologia, de 1999. Esse acontecimento me faz pensar sobre alguns [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-566" title="Notícias" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2009/08/noticias.png" alt="Notícias" width="583" height="270" /><br />
Recentemente  tem havido um movimento no meio GLBT pela punição da psicóloga  Rozângela Alves Justino, que afirmava ter realizado curas de  homossexuais, associando a homossexualidade a doença, posição que vai de  encontro ao código de ética do Psicólogo e a Resolução do Conselho  Federal de Psicologia, de 1999. Esse acontecimento me faz pensar sobre  alguns aspectos que me parecem relevantes para discussão:</p>
<p>1) A vinculação da homossexualidade ainda  como doença;</p>
<p>2) A definição de cura;</p>
<p>3) A crença na onipotência do psicólogo.</p>
<p>Sobre o  primeiro ponto, considero que já é mais do que sabida a posição da  Psicologia atual sobre o fenômeno. Numa perspectiva  fenomenológico-existencial, a homossexualidade não se configura nem como  “doença”, nem de “escolha” ou “opção”, mas como condição existencial. A  pessoal não é nem homossexual nem heterossexual, pois ser algo  implicaria em conceber que isso faz parte da essência da pessoa, e por  isso, inato e imutável.</p>
<p>Particularmente  não acredito em nada que seja tão sólido e cristalizado que não possa  ser flexibilizado ou transformado. A homossexualidade é um estado de  existência, uma das muitas formas de ser no mundo, uma dimensão do todo  da existência de uma pessoa. Não é doença pois não pode ser contraída,  não é uma anomalia genética, nem social, nem cultural. É algo que  existe, está aí, sempre existiu e sempre existirá, pois é do humano, faz  parte de sua condição existência.</p>
<p>Homossexual  pode ser um comportamento, uma atitude, uma manifestação de expressão  de afeto. Pode ser um ato de amor e uma forma de se satisfazer afetiva e  sexualmente. A homossexualidade pode ser um meio pelo qual realizamos  um fim, o meio que encontramos para sermos felizes, vivenciarmos nossa  sexualidade, construir uma parceria, estabelecer laços de afeto. A  homossexualidade não é uma essência, mas uma manifestação da existência.  Não podemos precisar quando ou como se manifesta pela primeira vez, não  tem causa, nem é conseqüência. Se desenvolve ao longo da vida, pode se  configurar de diversas formas – ações, pensamentos, fantasias, emoções,  sentimentos – e pode ser vivida em diferentes graus de consciência e  aceitação.</p>
<p>Quando  trago esses dois últimos termos – consciência e aceitação – penso no ser  humano como um todo. Consciência de si e aceitação de si. Consciência  de si com o outro e aceitação do outro como outro. O adoecimento talvez  venha justamente da não consciência e da não aceitação – de si e/ou do  outro. Diante da não consciência e não aceitação, surge o sofrimento,  pela tentativa de ser diferente do que se é, ou pela tentativa de  transformar o outro em outra coisa, ou ainda, de tentar fazer o outro  aceitar aquilo que você acredita ser.</p>
<p>Havendo  sofrimento, abre-se espaço para a atuação da psicologia como “promessa  de cura”. Digo promessa por acreditar que a cura de um sofrimento emerge  do próprio sujeito, do seu processo de consciência e aceitação de si  mesmo. A psicologia, tendo a psicoterapia como recurso técnico, é apenas  um meio pelo qual se pode tentar alcançar um fim. O fim, geralmente é  aceitar quem se é, ou tomar consciência de formas de ser que, por muito  tempo deixaram de ser funcionais e passaram a causar sofrimento –  individual, social, corporal, existencial, espiritual&#8230; Nesse processo,  o terapeuta é apenas companheiro de viagem, é um Sancho Pança que  acompanha o Dom Quixote em sua jornada.</p>
<p>Nessa  jornada, pode-se fazer descobertas sobre si que muitas vezes são  dolorosas, prazerosas, pode-se rever crenças e expectativas introjetadas  a partir dos outros ou criadas por si mesmo, crendo que se trata de  algo que foi dito por outra pessoa “poderosa e opressora”. Muitas vezes  nos deparamos com nossos fantasmas e com monstros imaginários que nós  mesmos criamos. No caso da homossexualidade, essas “pessoas poderosas”,  esses “monstros” e “fantasmas” são pessoas de carne e osso – nossos pais  e amigos, nossos colegas de trabalho, dos quais tememos sofrer  preconceito e violência. E às vezes realmente sofremos, mas nem sempre.</p>
<p>Às vezes,  no entanto, esses monstros são nós mesmos, nosso medo de sermos nós  mesmos, de nos aceitarmos, por não conseguirmos dar conta das sensações e  sentimentos que emergem em nosso corpo, em nosso pensamento e que  chamamos desejo. Às vezes somos nossos próprios algozes, nos  martirizamos tentando dominar nossos “instintos”, nos punindo e  suplicando de Deus a absolvição de nossos pecados. Sofremos como nosso  próprio preconceito, com nossos julgamentos – projeções que antes  dirigidas ao outro se voltam sobre nós mesmos &#8211; , com nossa homofobia  internalizada.</p>
<p>Diante de  tamanho sofrimento buscamos a cura, criamos a ilusão de que poderemos  ser salvos por médicos, padres, pastores, e, por fim, por psicólogos.  Muitas vezes vamos ao consultório de um psicólogo desejando ser curados  de algo que nos atormenta – nós mesmos. A cura entendida como o  silenciar do corpo, do desejo, o controlar os instintos, o submeter-se à  privação, o deixar de ser o que se é. Empoderamos o psicólogo – assim  como a todos os outros “curadores” – de um falso poder que não existe  realmente e, mais cedo ou mais tarde, nos daremos conta de que realmente  não existe e que, o máximo que se pode fazer é aceitar quem se é, ou  melhor, <em>quem se está sendo.</em></p>
<p>Um homem  (ou mulher) “heterossexual” casado, com filhos, com desejos  homoeróticos, pode se tornar “homossexual”, separar-se da esposa, e  iniciar relacionamento com um outro homem. Um jovem, que teve namoradas e  até foi noivo, também pode. Uma mulher, lésbica, pode ter filhos, pelas  vias naturais ou por inseminação artificial. Um homem gay também pode  ser pai e engravidar uma mulher – é biologicamente saudável e nada,  fisiologicamente, o impede. Um homem gay, assumido, pode, um dia,  aparecer para a família e mostrar uma noiva, mulher com quem quer, a  partir de agora, compartilhar sua vida.</p>
<p>Em nenhum  desses casos houve doença ou cura. Qualquer um desses casos pode ter  envolvido algum nível de sofrimento individual ou social. Não  necessariamente o movimento heterossexual à  homossexual é, em si, saudável ou patológico, se pensarmos não em termos  de essências, mas em formas de ser no mundo.</p>
<p>Desejar uma  pessoa do mesmo sexo, vivendo socialmente – e afetivamente &#8211; uma  posição ou papel heterossexual, pode ser extremamente ansiogênico e  causar sofrimento, se não puder aceitar seu desejo e vivenciá-lo. Se a  pessoa “escolher” transitar nesses dois lugares – por exemplo, exercendo  a bissexualidade -, tendo relacionamentos tanto homossexuais como  heterossexuais, pode encontrar uma posição de saúde por conseguir  satisfazer suas necessidades sexuais e afetivas. Em algum momento, no  entanto, talvez precise se “definir” socialmente. Essa definição, por  pressão social ou pessoal, para atender a expectativas “externas” ou  “internas”, pode, então, gerar um novo impasse, retomando o sofrimento.  Ele pode se definir por uma coisa ou outra – ser heterossexual ou  homossexual – mas, qualquer definição que der, é sempre provisória.  Mesmo após um longo processo de consciência e aceitação de si mesmo,  nunca poderemos ter certeza de que somos algo e não outra coisa. A outra  coisa é sempre uma possibilidade que deixamos de escolher experienciar.</p>
<p>Socialmente  buscamos nos orientar de acordo com expectativas e papéis definidos a  priori – homem-mulher, heterossexual-homossexual, ativo-passivo,  dominador-dominado, vítima-algoz, etc. No momento atual de evolução ou  transformação histórica e cultural de nossa sociedade, estamos cada vez  mais vivendo processos de questionamento, relativização e flexibilização  desses pares dicotômicos. Hoje podemos ser homem e mulher,  heterossexual e homossexual, ativo e passivo, dominador e dominado,  vítima e algoz, e muito mais!</p>
<p>Um homem,  dito “homossexual”, pode ir a um consultório psicológico e, ao longo do  processo, “descobrir” que quer ser pai e ter uma esposa, que quer fazer  sexo com mulheres e/ou com homens, ter um relacionamento aberto,  experimentar outras formas de amar num lugar de fronteira – nem lá, nem  cá. Um lugar que é um AQUI, num momento AGORA, que pode se estender por  um DEPOIS.</p>
<p>Um dia, um  homem “heterossexual” pode ir a um consultório psicológico e, ao longo  do processo, “descobrir” que sente desejo por homens, que não suporta  mais viver uma “farsa”, sustentar uma “ficção”, e passar a se dizer  “homossexual convicto”.  Se ele renegar completamente sua  vivência anterior, opor-se à heterossexualidade que existia nele, adotar  uma postura reativa contra os heterossexuais, pode ainda estar em  sofrimento, não estar “curado”, viver em desequilíbrio com sigo e com o  mundo, por não ter consciência e não aceitar a si mesmo, o que foi, e o  que escolheu ser antes de ser e <em>estar sendo</em> algo diferente.</p>
<p>O  psicólogo, no final das contas, é uma testemunha desse processo de  tomada de consciência e de aceitação, do que foi, do que é, e do que  pode vir-a-ser. As “identidades” são rótulos e expectativas sociais e  pessoais sob os quais nos agarramos para ter uma sensação mínima de  segurança. São também uma ficção, uma farsa, uma verdade provisória. Há  pessoas que experimentam as várias dimensões do existir, da sexualidade,  sem se apegar a nada em definitivo, sem que isso, necessariamente  significa saúde ou doença, sofrimento ou cura. Há pessoas que vivem  muito bem suas identidades, não manifestam desejo nem necessidade de  experimentar estar sendo algo diferente. No final do caminho não há uma  forma única, nem melhor, nem mais bem adaptada, nem mais saudável.  Existe sim, a forma melhor, mais adaptada e saudável para cada pessoa,  em cada ponto – momento &#8211; da linha de sua vida.  A estrada  da vida, e da sexualidade, nem sempre é em via de mão única.</p>
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