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	<title>Núcleo UNISex &#187; relacionamento</title>
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	<description>Universalidade e Diversidade Sexual</description>
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		<title>Quando um relacionamento chega ao fim</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 15:48:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Calaça</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[divórcio]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamento]]></category>
		<category><![CDATA[separação]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-557" title="Separacao" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2009/11/separacao.png" alt="" width="583" height="270" /></p>
<p>Luiz Fernando Calaça</p>
<p>O fim de um relacionamento, em geral, não é uma coisa fácil.  Creio que é importante compreender o processo enquanto processo, considerando os fatores diversos que levaram a esse desfecho. Quando vemos um casal se separar, ficamos constrangidos, surpresos, desorientados, não nos dando conta de que este talvez seja a melhor maneira de se recomeçar uma nova história e seguir em frente aberto a novas possibilidades de ser feliz.</p>
<p>Ao longo de minha não muito longa experiência clínica, me deparo com a predominância de pessoas que vêm para a psicoterapia em função de conflitos no relacionamento. A postura adotada por elas, em geral, é de queixa em relação ao outro e pouca percepção de si, como co-responsável pelo bem estar da relação. O outro está sempre errado e eu sou sempre a vítima. Eu deixei de fazer coisas por ele ou ela, e não sou reconhecido. Eu me anulei por ele/ela.</p>
<p>Há conflitos ainda na fase de namoro, quando se percebe uma “incompatibilidade” de gostos, e uma dificuldade de aceitar que o outro é diferente e não corresponde a nossas expectativas, de que, na verdade, ele ou ela não me completa. Esperar que o outro me complete é a pior miséria que pode acontecer numa relação. Eu sou eu e o outro é o outro. Somos diferentes, e que bom que somos diferentes, pois assim descobrimos o novo.</p>
<p>Pessoas perfeccionistas se irritam com a bagunça do outro. Pessoas comunicativas se incomodam com o silencio e a pouca comunicação do outro. Pessoas monogâmicas se incomodam com a poligamia do outro. Sempre nos incomodamos com o que o outro nos trás de diferente daquilo que consideramos como nossas qualidades, não nos dando conta de que, aquilo que no outro apontamos como defeito, é justamente o que nos falta, a polaridade que não percebemos como constituinte de nós mesmos, nossa sombra, nosso eu alienado.</p>
<p>O outro nos mostra o que não queremos ver em nós mesmos, nossos pontos cegos. E, por não ver, nós nos batemos, entramos em conflito, nos desgastamos no atrito da tentativa de concertar o outro e transforma-lo em um alguém mais parecido com nós mesmos. Puro narcisismo!</p>
<p>Creio que, em geral, esse é o principal fator que leva a separação: a tentativa de transformar o outro em algo que ele não é, ou a tentativa de nos transformarmos em algo que acreditamos que o outro queira que sejamos. A existência autentica de nós mesmos e do outro, e as expectativas frustradas, por na podermos ser quem somos nem deixar o outro ser quem é.</p>
<p>Quanto ao próprio processo de separação, já acompanhei diversas fases desse processo, desde 1) as brigas preliminares, que envolvem a tentativa de adequação um do outro, às vezes perdendo a medida e indo para ofensas mutuas, cada um apontando o defeito do outro, uma coisa horrorosa que envolve muita mágoa e agressão; 2) as separações de corpos, em que o casal se separa e deixa de manter vínculos sexuais, podendo permanecer coabitando, tentando não se envolver diretamente um na vida do outro – o que quase nunca acontece, e sempre há algum tipo de desconforto, principalmente quando há a possibilidade de estabelecimento de novos relacionamentos; 3) a separação legal, quando há os conflitos com a partilha de bens, guarda de filhos, etc.  Essas três fases – creio que talvez hajam mais – se enquadram principalmente no caso de relacionamentos no formato de casamento, em que se constrói um patrimônio, em que se divide uma vida a dois.</p>
<p>Tanto nos namoros como nos casamentos, há uma esperança última de se manter a relação até às ultimas conseqüências. Às vezes pelo simples desejo que permanecer numa relação, mesmo que insatisfatória, às vezes por ciúme e possessão, por não querer ver o outro livre e preferir viver um inferno a dois.</p>
<p>Às vezes, quando há filhos envolvidos, ou quando um dos parceiros depende financeiramente do outro, há uma tendência a se conformar com a relação insatisfatória, tendo em vista certos ganhos secundários, como a manutenção do padrão de vida, a presença dos pais na vida dos filhos e medo de os filhos ficarem “traumatizados”, etc. Assim a relação fica estagnada, numa dinâmica de prazer-desprazer, conforto-desconforto, em que algumas necessidades são satisfeitas e outras negligenciadas. O crescimento de um ou dois dos membros do casal é prejudicado, levando a um estado de infelicidade que pode durar décadas.</p>
<p>Qual a solução para essa situação? Às vezes é a separação. Toda separação envolve perdas e ganhos, compreende uma fase de ruptura e crise, mas se abre como uma oportunidade de abertura para novas possibilidades de auto-realização, de recomeço e de busca por ser feliz. Nem sempre – pra não dizer nunca – se sai ileso do processo, mas é importante ter a clareza do aprendizado que advém da experiência.</p>
<p>Se pode aprender sobre o viver e conviver com a diferença, com as expectativas que criamos acerca de uma relação e do outro, que nem sempre serão satisfeitas, das possibilidades de se aprender a negociar espaços de partilha e individualidade, de construção e co-construção de projetos. O importante, em todo o caso se separação. A meu ver, é tentar aprender a olhar os dois lados da moeda, as perspectivas das duas pessoas envolvidas na relação, a responsabilidade compartilhada por ambos nos rumos da relação e, principalmente, o respeito.</p>
<p>Quando trazemos essa questão para o campo da homossexualidade, em minha experiência pessoal e clínica, vejo que as coisas não são diferentes. Os mesmos conflitos e expectativas que perpassam a relação heterossexual se faz presente nas relação homossexuais. Às vezes o que pode diferir são as expectativas culturalmente criadas em relação às performances de casais gays e lésbicas, quando a fidelidade, dependência financeira e papéis sexuais, a serem desempenhados, que, no final das contas, não difere muito das expectativas de papéis sociais e sexuais do homem e da mulher como um todo. Assim como nos casais heterossexuais com filhos, o número cada vez mais crescente de casos de homoparentalidade – em suas diversas configurações &#8211; traz as mesmas questões no que diz respeito aos impactos da separação sobre os filhos. Há, em geral, mais semelhanças que diferenças.</p>
<p>Olhando em perspectiva, não vejo o processo de separação nem como positivo, nem negativo, mas como necessário. Quando já não há mais possibilidades de se encontrar um estado de harmonia mínima na relação, que permita o crescimento dos pares e da família, em suas individualidades e inter-subjetividades, creio que a separação é o caminho do recomeço, do voltar a respirar e do apropriar-se de suas responsabilidades para com a própria vida.</p>
<p>Separar é, muitas vezes, o desfecho necessário, de formas simbióticas, confluentes e, às vezes, psicóticas, de relacionamento, que embotam o potencial individual, em favor de uma ilusão de felicidade que aliena o desejo, os projetos e a humanidade do outro.</p>
<p>Namorar, casar e conviver ainda são, no entanto, formas saudáveis de conhecer a si e ao outro, de construir e criar, de realizar-se com um outro como parceiro de viagem na vida. Aprender a fazer isso só é possível fazendo no viver. Aprendendo com os erros, errando e buscando soluções criativas para questões cotidianas. Experimentar amar é sempre uma aventura.</p>
<p style="text-align: right;">Imagen: <a href="http://www.oldbookillustrations.com" rel="nofollow">Old Book Illustrations</a></p>
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		<title>O que eu procuro em você?</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 15:36:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Calaça</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
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		<description><![CDATA[O igual e o diferente e a alteridade na relação a dois. Qual é o mais óbvio segredo dos relacionamentos? Sempre buscamos algo no outro. Buscamos no outro algo que idealizamos: carinho, amor, companheirismo, atenção, fidelidade, etc etc. Esperamos que &#8230; <a href="http://nucleounisex.org/colunas/o-que-eu-procuro-em-voce.html">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-560" title="Relação" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2009/10/relacao.jpg" alt="" width="583" height="510" /></p>
<h3>O igual e o diferente e a alteridade na relação a dois.</h3>
<p>Qual é o mais óbvio segredo dos relacionamentos? Sempre buscamos algo no outro. Buscamos no outro algo que idealizamos: carinho, amor, companheirismo, atenção, fidelidade, etc etc. Esperamos que o outro nos supra nossas necessidades de afeto, nossas carências e faltas. Esperamos que o outro seja o príncipe ou a princesa encantados, que não tem defeitos, que está sempre disponível e que nos aceita incondicionalmente.</p>
<p>Se buscamos isso nas pessoas, jamais encontraremos alguém verdadeiramente humana, de carne e osso, e defeitos. Se idealizamos a perfeição, precisamos olhar com lucidez para nós mesmos e nos darmos conta de que somos sim imperfeitos, e ser imperfeito é o melhor que podemos ser, pois é o que somos.</p>
<p>Relacionamentos começam na grande empolgação do apaixonamento, em que mentes e corpos estão conectados quase que numa mesma sintonia. Esperamos do outro o complemento absoluto. Mesmos gostos, mesmos hábitos, mesmos valores, mesmo tudo. O outro não é nosso igual. Ele não é nosso espelho narcísico. E, se acontece de encontrarmos nossa alma gêmea, logo logo nos daremos conta de que o igual limita e nunca é absoluto.</p>
<p>Quando estamos num relacionamento homossexual já temos uma semelhança dada a priori – o mesmo sexo, o mesmo corpo e desejos que acreditamos ser os mesmos. Entretanto, o outro é sempre outro. Não podemos transpor para ele nossos próprios desejos e nossas formas de obter prazer. O outro não pensa igual a mim, não tem as mesmas expectativas de relacionamento, e se comporta diferente de mim.</p>
<p>Um relacionamento sem desestendimentos já traz um sinal de descompasso. Alguém está se anulando, fazendo mais concessões que o outro, para não ferir a imagem idealizada de relacionamento perfeito. Relacionamentos perfeitos não existem! E o pior de tudo é quando não nos damos conta disso. Quando culpamos o outro ou nos culpamos por as coisas não terem saído da forma como queríamos. Nos frustramos por criarmos expectativas impossíveis de serem satisfeitas.</p>
<p>Nem todo gay é liberal. Nem todo gay é promíscuo. Nem todo gay é independente. Nem toda lésbica é apaixonada. Nem toda lésbica é atenciosa. Nem toda lésbica é ciumenta. Nem todo todo é sempre o mesmo. E o mesmo sempre é diferente.</p>
<p>Precisamos aprender a perceber e valorizar a diferença, considerando-a não como um obstáculo para a relação, mas como uma oportunidade para o crescimento. Quem se apega sempre ao mesmo, vive num mundo restrito, cristalizado em torno de uma idéia, uma idealização, uma abstração criada que não necessariamente tem sustentação no real.</p>
<p>É importante também ter consciência de nossa imperfeição, não para nos subestimarmos, nem para justificar nossos erros, mas para termos a medida sobre o que podemos ou não oferecer ao outro, para que não esperemos do outro aquilo que não podemos retribuir. As relações não necessariamente precisam ser de trocas quase comerciais, num toma-lá-dá-cá em que sempre visamos um lucro, mas sim numa relação de interdependência, uma relação intersubjetiva, uma relação sempre ENTRE duas pessoas. Nesse entre as trocas favorecem o crescimento. E só há troca onde há o diferente – necessidades, recursos, sentimentos, desejos diferentes.</p>
<p>A perfeição é o impossível. Aprender a confiar e valorizar o possível talvez nos ajude a con-viver bem com o outro, VIVER COM. Essa é a essência de todo relacionamento, o viver com&#8230; E só podemos viver com aquele que nos é real, em seu possível, naquilo que ele realmente tem e pode nos dar de si. Senão, estaremos sempre nos relacionando com um ideal inexistente, com um fantasma que acreditamos ser o outro, com nossas expectativas e projeções. E, nesse estar sempre guiado pela ideal, buscamos também, nós mesmos, sermos perfeitos e ideais.</p>
<p style="text-align: right;"><a rel="nofollow" href="http://www.freedigitalphotos.net/images/view_photog.php?photogid=982">Imagem: djcodrin / FreeDigitalPhotos.net</a></p>
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		<title>Amor e (homo) sexualidade: casamento, parcerias, relacionamentos e homoparentalidade</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Sep 2008 16:33:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Calaça</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[casamento]]></category>
		<category><![CDATA[parceria]]></category>
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		<description><![CDATA[O relacionamento homossexual foi por muito tempo estigmatizado, tanto por hetero como por homossexuais. Para muitos heterossexuais, a vivência da sexualidade homossexual é/era vista como promíscua, marcada pela grande rotatividade de parceiros, por práticas livres e descomprometidas de sexo com &#8230; <a href="http://nucleounisex.org/colunas/amor-e-homosexualidade-casamento-parcerias-relacionamentos-e-homoparentalidade.html">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/01/glbt.png" alt="Colunas e Artigos" title="Colunas e Artigos" width="583" height="270" class="alignnone size-full wp-image-563" /></p>
<p>O relacionamento homossexual foi por muito tempo estigmatizado, tanto por hetero como por homossexuais.</p>
<p>Para muitos heterossexuais, a vivência da sexualidade homossexual é/era vista como promíscua, marcada pela grande rotatividade de parceiros, por práticas livres e descomprometidas de sexo com múltiplos parceiros.</p>
<p>Essa imagem, creio eu, está provavelmente associada ao movimento de liberação sexual vivido intensamente na década de 60, tendo suas repercussões negativas acentuadas pelo surgimento da AIDS, e pela associação do grupo gay no chamado &#8220;grupo de risco&#8221;, sendo a AIDS a &#8220;Praga Gay&#8221;.</p>
<p>Nos últimos 20 anos, com a propagação da AIDS a outros grupos sociais, incluído as &#8220;mulheres casadas e monogâmicas&#8221;, deixou-se de falar em grupo de risco, passando a enfocar os comportamentos de risco, como transar sem camisinha e o uso de drogas injetáveis. Durante esse período, os grupos GLBTT vem militado do sentido da conscientização da sociedade, atuando em campanhas pelo uso da camisinha e orientação sexual.</p>
<p>No entanto, a representação social da sexualidade homossexual continua, ainda sendo associada à promiscuidade, irresponsabilidade, grande rotatividade de parceiros, por práticas livres e descomprometidas de sexo, inclusive dentre os homossexuais.</p>
<p>Muitas lésbicas criticam os gays pela falta de estabilidade nas relações, pelo comportamento de &#8220;caça&#8221; masculino e machista, pela irresponsabilidade e pela fugacidade com que lidam com o sexo e os relacionamentos a dois.</p>
<p>Muitos gays vêem as lésbicas como ciumentas, possessivas e soltam piadas de que, no segundo encontro, duas lésbicas já pegam as malas e vão morar juntas.</p>
<p>Além disso, associa-se as travestis a imagens de submissão, sempre mantendo relacionamentos desiguais, em que elas sustentam gigolôs e sofrem violência deles, menosprezando a possibilidade de vivência de um relacionamento constituído a partir do amor.</p>
<p>Todas essas perspectivas e representações podem, de fato, ocorrer com certa freqüencia, não sendo de todo inverdades. No entanto, não creio que devem ser as únicas representações e vivências possíveis de relação amorosa.</p>
<p>Nos anos, e principalmente, nos últimos meses, com a realização das conferências GLBTT no Brasil, vem sendo discutido de forma mais efetiva questões como o casamento gay e a homoparentalidade. Tais temas demonstram uma preocupação tanto no sentido da igualdade de direitos, como na mudança de postura, e de representação social sobre o que os homossexuais compreendem, vivenciam e desejam, como relacionamento a dois e como constituição de família.</p>
<p>Desde sempre já existem casais que moram e convivem de forma estável e duradoura, que criam filhos e constituem famílias. As organizações às vezes variam, não seguindo necessariamente o modelo heterossexual, com divisão de papéis sexuais bem estabelecidos, em que um dos pares adota o papel masculino e ativo, e outro adota o papel feminino, materno e submisso, voltado para o cuidado do lar e dos filhos.</p>
<p>Vivemos numa sociedade cada vez mais complexa, em que o casal tem, igualmente, que trabalhar fora de casa, e, as posições sexuais passivo-ativo não necessariamente condizem com uma prática real, configurando-se muito mais como um mito ou como mais uma representação social culturalmente construída.</p>
<p>A própria instituição da família, que foi por muito tempo criticada, questionada e descaracterizada como uma importante matriz de constituição social, vem, neste movimento, sendo resgatada, a partir de uma outra configuração, mais flexível, baseada no desejo de uma estabilidade não aprisionante, construída a partir do desejo de viver um relacionamento baseado na aposta no amor e no companheirismo e sustentado pelo desejo de desfrutar igualmente dos direitos usufruídos pelos heterossexuais.</p>
<p>O casamento gay aparece então, tanto como um símbolo de legitimação do relacionamento homossexual, na tentativa de desconstruir estigmas e preconceitos, como para garantir direitos civis, como o benefício social da aposentadoria-pensão, da propriedade, de seguros de vida, além do direito da adoção homoparental.</p>
<p>Durante muito tempo os casais homossexuais vêm sendo denominados como &#8220;parceiros&#8221; ou &#8220;companheiros&#8221;, e não vistos como um &#8220;casal&#8221;. Essa idéia de parceria às vezes é sentida com certo incomodo, como se fosse inferior ao &#8220;casal&#8221; que se constituiria com o casamento, como se fossem menos válidos, pouco dignos de respeito e credibilidade. No entanto, pensar um relacionamento sem parceria, sem companheirismo e sem cumplicidade pode ser, isso sim, a descaracterização dos valores que, efetivamente, deveria significar a união a dois, seja homo, seja heterossexual.</p>
<p>Caímos, então, no ponto crítico e polêmico dos valores. Valores que atravessam todo esse meu texto. Num mundo em que a idéia de valor e ética são postos em dúvida, nos vemos num movimento, creio eu, de transfiguração, de transvaloração, e, principalmente de resgate. Resgate do humano, transcendendo estigmas, dirigidos à utopia de uma sociedade e um mundo de igualdade a partir da integração da diversidade.</p>
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