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	<title>Núcleo UNISex &#187; televisão</title>
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	<description>Universalidade e Diversidade Sexual</description>
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		<title>Big Brother e Visibilidade GLBT</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 00:45:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Calaça</dc:creator>
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		<description><![CDATA[senso comum ou um pouco mais&#8230; (Hoje, sem papo psi!) Não assisto Big Brother Brasil acho que desde a sua 3ª ou 4º edição&#8230; Não tenho muitas informações para fazer uma análise em retrospectiva de todas as edições, mas me &#8230; <a href="http://nucleounisex.org/colunas/big-brother-e-visibilidade-glbt.html">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-558" title="Big Brother" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/01/bigbrother.png" alt="Big Brother" width="583" height="270" /></p>
<h3>senso comum ou um pouco mais&#8230;</h3>
<p><em>(Hoje, sem papo psi!)</em></p>
<p>Não assisto Big Brother Brasil acho que desde a sua 3ª ou 4º edição&#8230; Não tenho muitas informações para fazer uma análise em retrospectiva de todas as edições, mas me arrisco a trazer algumas impressões iniciais deste primeiro momento, no iniciozinho da nova edição do programa.</p>
<p>No início do BBB, como todo brasileiro viciado em televisão, acompanhava as edições, votava no site para colocar alguém pra fora, torcia e tinha meus favoritos e seguia o jogo, na dicotomia bem maniqueísta do “bem” contra o “ma”l. Sou da geração que foi criado na frente da telinha da TV e não na frente do computador, como essa nova geração do YOUTUBE, Orkut, Facebook e afins&#8230; e me envolvi, na condição de telespectador, nesse movimento cultural (inter)nacional que se tornou os reality shows, verdadeiras “caixas de Skinner” onde se experimenta como num laboratório, as múltiplas facetas da natureza humana – e suas “performances”.</p>
<p>Em alguma edições – não saberia dizer se em todas – havia pelo menos um representante gay, seja “assumido” ou não. Lembro-me do André Gabeh, que ficou meio “em cima do muro”. Tivemos o Jean Willys que foi, provavelmente o que ficou mais em evidência, até hoje sendo uma representação forte, por trazer consigo uma formação universitária e intelectual associada a um discurso de afirmação do direito ao respeito e à cidadania. Até hoje ele é uma representação importante aqui na Bahia.</p>
<p>Teve o psiquiatra “urso” Marcelo, que, se não me engano, acabou se destacando mais pela sua forma de jogar que pela sua orientação sexual. O que é interessante, se pensarmos no que significa ter uma ter uma “cota” de gays no BBB, assim como se tem cotas de negros, nordestinos, pobres&#8230; Ter GLBTs nas edições do BBB é uma questão de cotas? &#8211; pergunto eu. Sendo, tem um lado positivo, pois mostra o desejo geral da comunidade GLBT em se lutar pela inserção dos homossexuais nos espaços públicos, garantindo direitos iguais de oportunidades. Por outro lado, fica parecendo uma coisa tosca, meio politicamente correta, um tanto caricata, como sempre me parece essa questão de cotas. (Polêmica!!!)</p>
<p>A atual edição do BBB me desperta curiosidade, em pelo menos dois aspectos:</p>
<p>1)     Número “expressivo” de representantes assumidos da comunidade GLBT (2 gays e 1 lésbica).</p>
<p>2)     Por, desde o começo, já haver uma classificação em grupos (ou tribos):  coloridos, sarados, belos, cabeças, ligados&#8230;</p>
<p>No primeiro ponto, acho que talvez seja um passo importante no que diz respeito à questão da visibilidade, ao trazer um número maior de representantes em sua diversidade. Por outro lado, me faz parecer que a “cota” aumentou em representatividade e diversificou, incluindo o “L” do GLBT. O que está por traz desse aumento na “cota”? É realmente uma questão de dar visibilidade ao movimento GLBT? Objetiva fortalecer as discussões sobre a luta por direitos a casamento, adoção, à luta contra homofobia&#8230; ou será apenas mais uma jogada de marketing e uma tentativa de se ampliar as possibilidade de “análise combinatória de casais”, com direito a selinhos entre homens e mulheres, casais, <em>ménage</em>&#8230; Homens e mulheres super sexys e gays felizes para animar as festas&#8230;</p>
<p>Sérgio, paulistano, universitário, “emo” (ou algo do tipo, talvez um tanto transgênero&#8230;), que traz uma imagem do jovem feliz e “bem criado” que recebe o apoio dos pais, que curte moda, festas, que é “modernoso” e segue As da moda musical, fashion, e que cria um personagem para si mesmo, o Sr. Orgastic, que segue os passos de Andy Worhol em busca de seus 15 minutos de fama, ou do Michael Alig, do filme Party Monster,  da cultura clubber, kid club. Que vive a noite em busca de FAMA, SUCESSO e GLAMOUR.</p>
<p>Dicesar, maquiador, quarentão, maquiador, drag queen&#8230; Recentemente, ao trazer a experiência do primeiro bolo de aniversário aos 40 anos e ao falar da vinculação com a mãe, traz uma imagem menos glamourosa, (embora como drag seja um arraso!). A profissão de maquiador segue um pouco do imaginário coletivo de que homossexual ou é cabeleireiro, ou maquiador, quando não é travesti&#8230; Dicesar ao atuar como drag-queen traz um simbolo do movimento GLBT, marcado pelo  bom humor, pelo deboche, pela alegria gay. Ser drag é uma profissão, uma  performance artística, que às vezes é vinculada à imagem da travesti, ou da  transexual &#8211; estando no prisma &#8220;trans&#8221;, mas que traz consigo peculiaridades  próprias que é importante considerarmos.</p>
<p>Sérgio e Dicesar representam bem o protótipo gay do imaginário coletivo. Representação que certamente tem procedência, pois faz parte da diversidade que constitui a comunidade GLBT e suas mais múltiplas manifestações. Eles trazem representações da comunidade gay, a drag e o transgênero, que nos  apontam para formas antigas e novas, atualizações e releituras, no espaço  &#8220;entre&#8221; os sexos masculino e feminino, numa configuração híbrida do  homem-mulher, que geralemnte está presente no imaginário coletivo, nas  representações e estereótipos sociais sobre o homossexual.</p>
<p>Angélica, que ao que me parece é a primeira representante  lésbica assumida, jornalista e cheia de ideais de realização pessoal e profissional,    não segue o estereótipo “caminhoneira sapatão”. Uma mulher “normal” que, se não dissesse que era lésbica, aparentemente passaria batido. Invisibilidade lésbica? Talvez! Seja porque preferimos não ver o não querermos ver e que está na nossa frente, seja porque a homossexualidade não é algo sempre óbvio que está estampado em nossas testas.</p>
<p>No caso do lesbianismo, sua invisibilidade que trás consigo uma sutileza que talvez seja própria das mulheres, ou não! Uma forma se ser e se comportar que não coloca a sexualidade como principal rótulo identitário, por integrar mais facilmente a multiplicidade de papéis&#8230; Será? As mulheres não precisam afirmar o tempo todo sua feminilidade&#8230; Os homens precisam? As feministas provavelmente já devem discutir um bocado essa questão, ancoradas em categorias de gênero, papéis sexuais, opressor-oprimido, repressão sexual das mulheres, etc etc&#8230; Se até Freud admitia saber pouco da sexualidade feminina, é porque talvez tenha algo a mais que escapa a nossa compreensão&#8230; (Papo psi!)</p>
<p>O segundo ponto, os vários grupos, as várias tribos, constituídas a priori como que selecionando os grupos por características que, sinceramente, não dizem nada e são artificiais. Rótulos são artificiais e o movimento grupal é muito mais dinâmico e diverso que categorias classificatórias. O mais comum é que todos interajam e estabeleçam vínculos através de outros elementos, às vezes mais sutis e subliminares&#8230; Malhar um bocado pode ser um tema em comum entre os sarados, a homossexualidade e a homofobia pode ser um tema que emerja e traga consigo uma expectativa e um alerta, mas não necessariamente são elementos que norteiem uma identificação e constitua um elo, um laço forte de cumplicidade.</p>
<p>Participar de uma tribo não inviabiliza o trânsito nas outras. O transito é cada vez mais comum nos nossos tempos, em que nos vemos cada dia mais como estrangeiros e poliglotas. Falamos várias línguas, transitamos por vários contextos, encenamos vários papéis e somos múltiplos&#8230; somos uma unidade pluri-identitária, globalizado e aculturados, seguindo modas, modos e criando novidades.</p>
<p>Tanta novidade causa espanto e meio que nos desconcerta, quando esperamos que cada coisa esteja no seu lugar, cada um na sua casinha, de palha, madeira ou tijolo, como os porquinhos das histórias infantis. Vem o lobo mau e derruba tudo no sopro – ou no trator! Podemos adotar um pensamento como o do Dourado, que numa conversa na piscina com o Sérgio, de que heterossexual é heterossexual, homossexual é homossexual, e que homem que beija homem ou mulher que beija mulher não é heterossexual, ou precisa criar uma nova categoria – o que confunde as caixinhas e os rótulos&#8230;  E pensar na possibilidade de o primeiro casal gay da casa ser constituído por um homem e uma mulher! Que panacéia!!!</p>
<p>Nada nessa vida me surpreende e acho que tudo é possível nesse mundo cada vez mais incerto e cheio de dúvidas, pela ruptura cotidiana dos velhos modos definidos de ordenamento social. Dá nó na cabeça? Dá! Mas o que seria de nossos cérebros se não fossem o emaranhado de neurônios interconectados e sempre dispostos a novas conexões sinapticas?!</p>
<p>Esse meu papo nada a ver, beirando o senso comum, bem resenha do BBB&#8230; muita coisa a se pensar, sem dúvida. Sem teorias, mas com um olhar atento a essas novidades que a TV ainda nos mostra, construindo realidades fugazes e etérias, fantasias concretas que constroem estilos, tendências, gerações&#8230;</p>
<p><em>Beijo a todos e “me liga, tá?!” ;)</em></p>
<p style="text-align: right;"><a rel="nofollow" href="http://www.freedigitalphotos.net/images/view_photog.php?photogid=721">Imagem: renjith krishnan / FreeDigitalPhotos.net</a></p>
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