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	<title>Núcleo UNISex &#187; transgênero</title>
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	<description>Universalidade e Diversidade Sexual</description>
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		<title>A travesti fala de si: identidade, reinvenção corporal e silicone</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jan 2009 22:07:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Porcino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[identidade]]></category>
		<category><![CDATA[transexual]]></category>
		<category><![CDATA[transgênero]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;[...] não nos esqueçamos que basta inventar novos nomes, novas apreciações e novas probabilidades para criar pouco a pouco novas coisas.&#8221; Nietzsche A presente reflexão situa-se no campo de estudos sobre o corpo, de forma mais específica no que tange as modificações corporais das quais se utilizam ‘as travestis1’ para “fazer2” ou “bombar3&#8221; o corpo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/01/glbt.png" alt="" title="GLBT" width="583" height="270" class="alignnone size-full wp-image-563" /></p>
<blockquote><p><em>&#8220;[...] não nos  esqueçamos  que basta inventar novos nomes, novas  apreciações  e novas  probabilidades  para criar pouco a pouco novas   coisas.&#8221;</em><br />
<em>Nietzsche</em></p></blockquote>
<p>A presente reflexão<strong> </strong> situa-se no campo de estudos sobre o corpo, de forma mais  específica  no que tange as modificações corporais das quais se utilizam  ‘as  travestis<sup>1</sup>’ para “fazer<sup>2</sup>” ou “bombar<sup>3</sup>&#8221;   o corpo, com o objetivo de efetuarem alterações e modificações  corporais  buscando se tornarem mais femininas. Com isso, desafiam a  biologia e  descobrem que o futuro do corpo está atrelado às  modificações corporais,  e que estas são possíveis de serem feitas com  os avanços da ciência  e a descoberta de novas técnicas que a cada dia  possibilitam acrescentar  o “que falta”, ou a retirar que está em “em  excesso”.</p>
<p>O jogo da travesti é  o  jogo da conquista, por isso, ela constrói seu personagem pensando   sempre no outro, nesse sentido, o conceito de corpo construído se aplica   plenamente ao corpo da travesti, onde uma das mais importantes  dimensões  de sua vivência é a dimensão pública (OLIVEIRA, 2007). O seu  corpo  é construído com a finalidade de tornar-se um espetáculo, com a  finalidade  de atrair o olhar do outro.</p>
<p>O corpo humano é  socialmente  concebido,  e os discursos e significações referentes a ele  têm  como objetivo a criação de um campo de códigos comuns capaz de  permitir  que os indivíduos reconheçam uns nos outros aspectos  definidores,  ou seja, aspectos que permitam que se construa uma  concepção a respeito  do outro. O corpo, assim como a  forma que os  artifícios usados  sob o seu suporte servem para comunicar à sociedade  com qual grupo  ou tendência o indivíduo se identifica. No grupo das  travestis isso  não é diferente. Para que possam transitar nesse grupo  se faz necessário  o domínio de alguns códigos que permeiam entre si.  Tais códigos trazem  sempre como referência o sexo feminino e palavras  de origem iorubá,  para facilitar o diálogo entre si, sem que  transeuntes e clientes entendam  sobre o que falam.</p>
<p><strong><em>A  identidade   travesti</em></strong></p>
<p>Para Silva (1993), na   experiência travesti, o masculino emerge como um abandonar-se à plena   maturação do natural, à plena manifestação da natureza em si. Logo,  o  feminino também assim emerge. As travestis preferem não se definirem   nem se auto-classificarem. Preferem ser o fator desordem nas trocas   simbólicas entre identidades sexuais.</p>
<p>As travestis para  Denizart  (1997) não buscam imitar a mulher, mas que inventam um novo  feminino.   Sendo assim, é possível concordar com o mesmo quando ele  afirma que  isso não é tudo, pois de acordo com Simone de Beauvoir  (1980) não  se nasce mulher, torna-se uma. Dessa forma, é interessante  ressaltar  o que a anatomia não é o destino, haja vista, que as  travestis descobriram  a prótese como o futuro do corpo, há muito tempo  (DENIZART, 1997).</p>
<p>Hall (2001) afirma que   a identidade é construída ao longo do tempo, estando sempre em  processo  e sempre sendo formada e para Benedetti (2005), as travestis  percebem  o corpo não apenas como atributo social, mas suas verdadeiras  identidades  sociais, pois este processo faz parte inclusive da sua  formação enquanto  pessoa, como pode ser observada na fala de uma  informante,</p>
<ul>
<li>[...] uma travesti  não é  apenas o que muitos pensam&#8230; se vestir de mulher&#8230; é muito mais  do  que isso. É inclusive oferecer algo prá um homem&#8230; que ela não  terá  como dar. (Informante 1)</li>
<li>[...] travesti   é&#8230; é aquela forma mais parecida de pensar, de agir, de se comportar  e  fazer tudo que uma mulher faz.(Informante 2)</li>
</ul>
<p>Na construção da sua   identidade os gêneros masculino e feminino se interpretam, em virtude   se ator social  capaz de conviver com a realidade utilizando adereços  e  roupas femininas.</p>
<p>A trajetória de  modificação  do corpo da travesti tem inicio na homossexualidade, se  aproximando  da feminização, e que em um percentual elevado é  intolerável para  a família e para o ambiente de trabalho, que na  maioria das vezes a  demite e a exclui. O que lhes restam como  alternativa para sobrevivência?  A rua? A prostituição? São, enfim, os  poucos meios que dispõem para  viverem e se manterem.</p>
<p>Para algumas  travestis,  a aventura da pista não deixa de ser excitante, porém, tem  suas crises  de desespero e angústia, relacionadas essencialmente como  “azar”  na rua. A rua é também uma diversão, mas ser travesti é uma  opção  sofrida, o tal fato pode ser confirmado com o nosso entrevistado.</p>
<ul>
<li>[...] Prá  mim é a  discriminação, esculhambação na rua, baixaria, mandam tomar  vergonha  [...] vai veado tomar vergonha [...] vai ser homem [...] olha  o veado  [...] olha o travesti [...] hum, hum essas coisas [...] Quando  a gente  entra no mercado, o segurança vai atrás da gente [...] vão  atrás da  gente achando que a gente vai roubar [...] tudo isso porque  a gente é  travesti [...] já passei por muito disso! (Informante 1)</li>
</ul>
<p><strong><em>Reinvenção  corporal  e silicone</em></strong></p>
<p>De acordo com pesquisa   realizada por Benedetti (2005), o silicone é comumente utilizado pela    travesti que se propõe a construir um novo corpo, e muito utilizado   por aquelas que desejam obter modificações no corpo de forma mais   rápida. Deve-se considerar que a decisão para sua utilização seja  feita  com prudência, bem como a reflexão em torno da decisão.</p>
<p>A construção do corpo   não é feita apenas com o silicone industrial, mas também, com o uso  de  anticoncepcionais administrados por via oral e intramuscular. Com  base  nas informantes, os mais utilizados são: uniciclo, perlutan, estradiol,   premarim, entre outros.  Observado na seguinte fala</p>
<ul>
<li>[...] Eu  comecei  com muitos e muitos hormônios [...] Gestadinona, Anaciclin  que são  comprimidos [...] Neovilar, Microvilar, Nordete, Diame, [...]  Perlutan e  outros  [...]  injeções de vitaminas [...]  Rubranova,  Citoneurin.  (Informante 4)</li>
</ul>
<p>Segundo  o “Manual  de  Recursos e Diretório – Direitos Humanos” editado pela Associação   Internacional de Gays e Lésbicas – ILGA (2002), as pessoas travestis   geralmente estão desempregados, estão impedidos de encontrar trabalho   ou de formar uma família, posto que a sociedade rechaça categoricamente   este  “corpo de mulher com nome de homem”. Passam então, a  serem  consideradas como anormais, sendo expulsas dos caminhos ou formas  de  integração social. Frente a essas e outras dificuldades, o comércio   sexual aparece como uma alternativa possível para a sobrevivência.    Nesse sentido, a própria marginalidade da categoria travesti se repete   como círculo vicioso que só será rompido com a oferta de oportunidades   das políticas públicas de forma igualitária para esta população.    Considerando que a discriminação que afeta essa categoria, obrigam-nas  a  viverem à margem e não resolverá sua situação de marginalidade.</p>
<p>Convém afirmar nesse    sentido que somente através de uma cultura com base nos Direitos  Humanos,  e uma cultura democrática de respeito a diversidade cultural, é   que  existe a possibilidade de construirmos uma sociedade integrada e  justa.  Esse é requisito básico para superar a marginalidade que  geralmente  afeta a população travesti.</p>
<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>
<p>BENEDETTI, M. R. <strong>Toda   feita</strong>: o corpo e o gênero das travestis .Rio de Janeiro: Garamond,   2005.</p>
<p>DENIZART, H. <strong>Engenharia   erótica</strong>: travestis no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.</p>
<p>HAAL, Stuart. <strong>A  identidade  cultural na pós-modernidade</strong>. 6.ed. Rio de Janeiro:  DP&amp;A, 2001.</p>
<p>Manual de Recursos e   Diretórios – Direitos Humanos. <strong>Associação Internacional de Gays  e  Lésbicas</strong> – ILGA. Curitiba, 2002.</p>
<p>OLIVEIRA. Neuza M. <strong> Damas de paus</strong>: o jogo aberto dos travestis no espelho da mulher.   Salvador: Centro Editorial e Didático da UFBA, 1984.</p>
<p>PORCINO, C.A.; LIMA,   D.S. A percepção das travestis que (re)inventam o corpo na cidade  de  Salvador acerca do envelhecimento. Salvador, 2007, 61 f. Trabalho  de  Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia). Faculdade de Tecnologia  e  Ciências, Salvador.</p>
<p>SILVA, H. Travesti. <strong> A invenção do feminino</strong>. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1993.</p>
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