Pride – Orgulho e Esperança (Pride, 2014)

Direção: Matthew Warchus

Escrito por: Stephen Beresford

Estúdio: California Films

Duração: 109 min.

Sinopse: Londres, 1984. O governo do Partido Conservador sob Thatcher mergulhou o país numa crise energética grave para enfraquecer a greve convocada pelos sindicatos de mineiros. As manifestações são duramente reprimidas pela polícia, o que chama atenção de Mark Ashton (Ben Schnetzer), ativista gay londrino que, então decide começar uma manifestação de solidariedade aos mineiros, durante a Parada do Orgulho de 1984. Nasce assim a campanha Lesbians and Gays Support the Miners (LGSM). Entre idas e vindas, o grupo consegue realmente apoiar uma pequena cidade em Gales Onllwyn, arrecadando quantias expressivas para auxiliar a população local. Mas, embora o encontro entre os dois universos seja marcado pela generosidade e por tentativas de entendimento, nem sempre isso é suficiente para superar preconceitos

Por que ver esse filme: Pride é baseado num episódio real; inclusive, parte das personagens se reencontraram na altura do lançamento do filme, em 2014. Vários coletivos dentro da comunidade sexo-gênero diversa auxiliaram publicamente as greves de trabalhadores no governo Thatcher por meio da campanha LGSM.  E embora o verdadeiro Mark Ashton, como tantas pessoas LGBT tenha morrido alguns anos depois por complicações do HIV, seu empenho na campanha gerou frutos duradouros. Em 1985, o Partido Trabalhista aprovou uma resolução explícita em favor dos direitos de lésbicas e gays, com apoio decisivo do Sindicato Nacional dos Mineiros. Essa foi uma das pontes que viabilizou uma série de conquistas para pessoas LGBTQI+ no Reino Unido desde então.

Além disso, algumas jornadas pessoais de personagens são muito interessantes de acompanhar. É o caso da de Joe ‘Bromley’ Cooper (George Mackay), um estudante no armário de vinte anos – portanto fora da idade de consentimento para o sexo homoafetivo – morador de um subúrbio vizinho da capital inglesa. Ele utiliza os estudos como uma desculpa para viver experiências dentro da comunidade gay, e vai, aos poucos, se tornando um dos membros mais ativos da LGSM. O conflito vem quando sua vida secreta é descoberta pelos pais, e ele é isolado em casa, sem contato com os amigos da comunidade.

Outra personagem é Siân James (Jessica Gunning). Se no começo ela é uma voluntária tímida do comitê sindical de Onllwyn no Vale de Dulais, ela se torna ao longo do filme uma das mais ativas defensoras do LGSM, antagonizando a homofóbica Maureen (Lisa Palfrey). Siân chega a cruzar o país para visitar Gethin, convalescente de uma agressão, e para levar Bromley em segurança de volta para casa. Siân, aliás, demonstra capacidade de organização e articulação singulares, que a levam a buscar e valorizar articulações de outros grupos minoritários contra o governo Thatcher. Por sugestão de Jonathan, o marido de Gethin, ela levou adiante os estudos e chegou a ser parlamentar entre 2005 e 2015.

Temas e questões: Sem negar a LGBTfobia dentro dos sindicatos e da classe trabalhadora, nem garantir uma vitória fácil apenas pela ação da LGSM, o filme mostra a necessidade de pensar as lutas sociais – da classe trabalhadora, de mulheres, da população sexo-gênero diversa – como mais fortes na medida em que forjam alianças e passam a atuar em conjunto. Embora a greve dos mineiros tenha terminado em derrota, a solidariedade construída durante a campanha permitiu resistir, sobreviver e criar novas possibilidades de articulação política, desafiando o autoritarismo do governo Thatcher e a violência policial. Em tempos em que a esquerda a todo momento se divide entre setores mais conservadores, arengando contra o dito ‘identitarismo’, e os movimentos progressistas pelos direitos civis, por vezes com dificuldades de levar a luta além de reivindicações setoriais, o filme oferece uma reflexão instigante na constituição de novos caminhos de luta.   

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